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Jornalismo Político

O mundo circense da política

circo aecioandradeÉ preciso revelar qual o responsável pelo fogo de mentira, se é o palhaço, o dono do circo, ou uma prática em todos os circos do mundo. Arte:Aécio AndradeO repórter disposto a entrar no picadeiro da política tem que estar atento, pois, na verdade, até mesmo o palhaço leva as suas brincadeiras muito a sério. Daquelas brincadeiras ele alimenta leões, domadores, mágicos e até o dono do circo é beneficiado com as peripécias circenses do cômico que esconde seu rosto por trás da maquiagem.

A cobertura jornalística do circo político tem que estar atenta aos interesses de cada um dos seus atores. O conhecimento dos trâmites legislativos é um dos pontos primordiais ao acompanhamento da rotina política. Projetos de lei, requerimentos, emendas, medidas provisórias e outros instrumentos usados nas esferas legislativas municipais, estaduais e federais, e o fluxo desses instrumentos dentro de cada uma das casas que comportam os parlamentares, compõem o aspecto documental e burocrático que deve ser conhecido pelos jornalistas.

Nesse contexto, o jornalista deve saber qual a finalidade desses documentos e como eles impactam no fazer político e suas consequências na sociedade. Também há a necessidade de conhecer os quadros que formam todo o espetáculo: os partidos, a formação das bases de cada político e as nuances que formam a informações.

O compromisso com a ética jornalística deve estar bastante evidenciado. Assistir, analisar, interpretar o espetáculo sem fazer parte dele. E como não se deixar seduzir por aplausos, ou pelo "respeitável público"? Aqui entra em ação o senso crítico, o discernimento apurado do que é de relevância, de interesse público e verdadeiro. É saber que mesmo na condição de espectador, o jornalista pode ser chamado ao picadeiro para segurar o círculo de fogo.

Para isso, o repórter tem que ter a sensibilidade de desvendar que não há fogo, mas um artifício que confunde o público. Tem que saber trabalhar sem querer ser um vingador daqueles que compraram o ingresso. Revelar qual o responsável pelo fogo de mentira, se é o palhaço, o dono do circo, ou uma prática em todos os circos do mundo. Um escândalo como esses abala a reputação de toda a cultura circense, em virtude disso, essas revelações são baseadas na confiança do repórter com quem lhe convidou para o picadeiro.

Essa fonte de revelações deve ser alimentada de forma dosada. É necessário que o jornalista saiba quando está usando ou sendo usado. Há a necessidade de checar cada uma das informações. Não é confiável receber informações sempre do mesmo pipoqueiro. É preciso uma amplitude mais de fontes é que haja uma relação de confiança, mas sempre com o compromisso da checagem das informações em outras fontes. 

O fazer do jornalismo político se dá praticamente em todos os níveis e é preciso estar inserido no contexto, conhecer as fontes, trabalhar com informações limitadas interpretando-as, e submetendo-as à análise do senso ético, do preparo técnico e de uma sensibilidade apurada para não querer fugir com o circo.

Matéria produzida na disciplina de Jornalismo Político. Professora responsável: Michele Limeira

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