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Jornalismo Econômico

De volta para o passado

economia especial 20090721Roupas antigas são destaque em brechós. Foto: DivulgaçãoNo século XIX, quando o comerciante português Belchior criou uma loja de roupas usadas, a idéia parecia absurda: afinal, quem compraria roupas antigas e de procedência duvidosa? Desde lá, muito tempo se passou, e as, antes famigeradas, lojas de peças usadas — hoje chamadas brechós, em homenagem ao comerciante precursor — se tornaram mania entre descolados e entendidos em moda. Nos últimos anos, com a volta das tendências retrô, as lojas ganharam status de antiquário e os preços em muito aumentaram.

Em brechós mais requintados podem ser encontradas relíquias, como os abrigos clássicos da ADIDAS, tão usados nos anos 70, e que, hoje, chegam a valores que ultrapassam R$ 1000, 00. “Algumas peças são únicas e só encontradas aqui (em brechós)”, justifica Julia Heinz, estudante e compradora assídua.

 Em contrapartida, um novo tipo de brechó, com peças mais baratas e modernas, tem caído no gosto popular. Focados não só no resgate do passado, mas, principalmente ,na qualidade e no decréscimo do valor das peças, esses brechós se multiplicaram e popularizaram a compra dos produtos em diferentes estratos sociais. A proprietária do brechó Mytos em Lendas, Silvia Geziorny, explica o processo, “Hoje nós temos dois públicos: um que procura uma roupa diferenciada, de época. E outro de poder aquisitivo baixo, que procura roupas para o dia a dia”.

As peças dos brechós populares oscilam entre a média de R$ 5,00 até R$ 100,00, podendo chegar, em promoções, a apenas R$ 1,00. Outro atrativo são as roupas e acessórios de grife, que podem ser obtidos por menos da metade do preço original. “Eu sempre tive vontade de comprar roupas de marca e, através dos brechós, encontro roupas de qualidade e de marcas famosas com preços muito atraentes. Nas lojas, eu compraria uma peça; aqui, com o mesmo valor, compro duas, no mínimo.”, conta a compradora Fabiana da Silva. Além disso, grande parte das roupas não é datada, e podem ser encontrados modelos da própria estação, o que torna os produtos ainda mais interessantes para todos os públicos.

Um fator comum entre os que se aventuram na empreitada é a improvisação na criação das lojas. O custo de uma pesquisa por roupas antiquadas é bastante alto. Dessa forma, os comerciantes acabam recorrendo a amigos e familiares, pedindo doações para começarem o negócio. “Abri com minhas próprias roupas, mas hoje o negócio é muito rentável”, destaca Aliane Moura, proprietária do Brechó Aliane.

Sobre o senso comum, que versava sobre as roupas serem "oriundas de defuntos”, os donos dos brechós modernos negam veementemente. “O preconceito existia, mas hoje os brechós são muito procurados. Temos clientes fiéis, peças boas e baratas.”, completa Aliene Moura, fazendo a síntese do sucesso.

vt especial economia 20090721Recomeço das aulas e passagem mais cara é a vilã. Foto: Arquivo

Passagem: a vilã da história

O mês de março marca o recomeço das aulas e a volta de muitos trabalhadores à rotina. Nesse ano, quem estava no litoral e não prestou muita atenção nos noticiários deparou com um aumento na tarifa da passagem dos ônibus, que está custando R$ 2,30 em Porto Alegre.

Os passageiros, por outro lado, reclamam que os preços não condizem com a qualidade do transporte. Para a telefonista e usuária da linha Padre Réus, Nair Helena Silva, os trabalhadores são os maiores prejudicados por conta da tarifa . “Os ônibus estão velhos e demoram demais. À exceção da Carris, não enxergo onde esse dinheiro é aplicado”, desabafa. A reclamação tem fundamento se levarmos em conta a Associação Nacional de Empresas do Transporte Público (NTU), que divulgou em pesquisa recente que, nas cidades com mais de 100 mil habitantes, os brasileiros gastam em média R$ 100 com vale-transporte, ou seja, investem 11% dos salários.

De acordo com o presidente do Conselho Municipal de Transportes Urbanos — órgão que representa a comunidade na tarefa de fiscalizar e regular as tarifas —, Jaires Maciel, vê com naturalidade o descontentamento da população, mas acredita que há um processo de qualificação no transporte da cidade. "Não podemos pretender um transporte da Bélgica em um país que paga salários da Índia”, reclama. Maciel, no entanto, explica que a entidade tem tentado parcerias com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAM) para, através da redução de créditos de carbono, possibilitar menor utilização de gasolina e, por conseguinte, reduzir os gastos para os consumidores. “Estamos em fase de estudo, porém o projeto pode vir a ser o mais eficiente em termos de economia”.

Por outro lado, como reflexo da tão falada economia globalizada, os funcionários das lotações da cidade festejam as elevações, projetando uma oportunidade de crescimento das atividades. O motorista Djalma Lúcio Santos de Oliveira é um dos beneficiados. “Todo mundo que trabalha com lotação acha bom (os acréscimos), quem nota os aumentos frequentes nos últimos anos acaba recorrendo a nós”, diz, sorridente.

Matéria produzida na disciplina de Jornalismo Econômico, professora responsável: Laura Glüer

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