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Jornalismo Econômico

O real valor de uma dieta

dietaEmagrecer exige muitos sacrifícios. Além de força de vontade e disciplina é necessário um ingrediente especial: capital financeiroA busca pelo corpo perfeito é desejo de muitas mulheres. Ainda mais no Brasil, onde os termômetros beiram os 30 graus e corpo fica a maior parte do tempo à mostra. Nem as gaúchas que convivem com diferentes períodos climáticos ao ano ficam fora dessa busca constante pelo corpo em forma.

Quando o início do verão começa a anunciar sua chegada, as academias gaúchas dobram seu volume de frequentadores. Porém, somente academia não é suficiente para adquirir o corpo dos sonhos, é preciso ir além: iniciar uma dieta, ou como o senso comum afirma, é preciso fechar a boca.

Enquadrar-se no padrão de beleza exigido pela sociedade e atingir o peso ideal são desejos permanentes das brasileiras e este é só mais um capítulo da novela da vida real da maioria das mulheres. Com esta crescente e estável preocupação ligada à alimentação, crescem as oportunidades no setor de alimentos saudáveis, ou no chamado, mercado do bem-estar. De acordo com a Agência Sebrae de Notícias/RS, desde 2005, o consumo de alimentos saudáveis no Brasil praticamente dobrou, passando de R$ 15,9 bilhões, em 2004, para R$ 28,9 bilhões em 2009. A previsão é que até 2014 o consumo desses alimentos cresça mais 39%, chegando a R$ 39,2 bilhões.

Inseridas neste cenário, entram em cena as protagonistas principais do enredo e mola propulsora do setor: as dietas.
Além de exercer papel fundamental no desenvolvimento e crescimento do mercado alimentício, as dietas se configuram como conteúdo usual da indústria das publicações femininas.

Periodicamente, é possível encontrar nas bancas de revistas e nas filas de supermercados, inúmeras publicações com promessas de um corpo perfeito. Atraídas pelas juras de emagrecimento fácil e rápido, inúmeras mulheres vão atrás das mais variadas dietas milagrosas e todas compartilham de um mesmo sentimento, a vontade de perder os quilinhos a mais. Mas o que acontece não é bem o planejado. Elas acabam não perdendo apenas os indesejados quilinhos e sim uma graninha a mais no orçamento do mês.

Adriana Souza é um exemplo de luta e persistência. Durante 20 anos da sua vida experimentou as mais diversas dietas. "Fazia quase todas que eu via: dieta das proteínas, de carne vermelha no café da manhã, almoço e jantar, bife e mais bifes diariamente". De acordo com Souza, chegou a gastar 400 reais numa das suas tentativas. Entretanto, só chegou ao peso e corpo ideal após um procedimento cirúrgico, no ano passado. Adriana não é a única privilegiada em gastar além da conta. Quando o assunto é dieta saudável, o bolso aperta. É preciso desembolsar mais do que o habitual.

Seguir uma dieta balanceada, dando prioridade para alimentos mais saudáveis e, de preferência, orgânicos exige mais do que disciplina e força de vontade, é necessário disponibilidade financeira, pois os gastos com produtos ditos saudáveis, geralmente, são mais caros que os comuns. No final das contas, alimentar-se com fibras e nutrientes requer uma certa ajudinha financeira.

Mas este peso a mais no orçamento não é razão de impedimento para o consumo. Mesmo com a inflação dos preços, o mercado da dieta continua a crescer progressivamente. O motivo para tal, a nutricionista Bruna Binotto Brognoli explica: "Com o aumento da obesidade, a busca por um corpo cada vez mais magro e a importante relação que já se estabeleceu entre alimentação, prevenção e aumento de predisposição à determinadas doenças, as pessoas querem e buscam estes alimentos".

Segundo estimativas globais da OMS o consumo insuficiente de frutas e hortaliças inferior a 400 g dia (cinco porções/dia) é responsável por 2,7 milhões de mortes e 31% das doenças isquêmicas do coração, 11% das cerebrovasculares e 19% dos cânceres gastrointestinais".

De acordo com Bruna Binotto, talvez seja essa conformidade da população em consumir os alimentos ditos saudáveis que influencie diretamente no vwalor final das mercadorias de baixas lorias. "Alimentos do tipo orgânico, sem agrotóxicos, caseiros e que apresentam quantidade reduzida, seja de calorias, sódio, açúcares e gorduras apresentam valores superiores em função do benefício que buscam oferecer além da procura cada vez maior por eles", explica. E a nutricionista completa: – "É a lei da oferta e da procura. Alimentos especiais sempre existiram, no entanto, há anos atrás quando ainda pouco se falava de light, diet, esses alimentos apresentavam o mesmo preço. Os sabores eram ainda inferiores aos alimentos normais" e para vender, o benefício e o diferencial deveria ser o preço. No entanto, as coisas mudaram e na medida em que estes alimentos se equipararam ao sabor, com menos calorias, quantidade de açúcares ou sódio houve uma imensa valorização e busca por eles. O que as pessoas mais querem é o 'milagre' e é com esta proposta que estes alimentos cresceram".

Para demonstrar o quanto seguir uma dieta balanceada com produtos saudáveis pesa no orçamento no fim do mês, fomos até duas das principais redes de superpermercados gaúchos para verificar o preço de mercado de alguns dos produtos principais ditos ideais para a saúde e bem estar. O resultado a que se chegou foi surpreendente. Veja o quadro demonstrativo abaixo:

tabela dieta

A diferença de preços de produtos semelhantes mas com especificidades diferentes é grande. Quem procura um cardápio repleto de produtos naturais e de baixas calorias desembolsa nada mais, nada menos do que cerca de R$ 135,18; em contrapartida, quem busca produtos considerados inimigos da balança, chegam a economizar mais que o dobro do valor. Segundo a nutricionista, são essas diferenças consideráveis de preço que atuam como motor propulsor do mercado da dieta. "Esta foi, com certeza, a área alimentar que mais cresceu e lucrou na última década", finaliza

Matéria produzida na disciplina de Jornalismo Econômico. Professora responsável: Laura Glüer 

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