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Jornalismo Comunitário

Risco de novas enchentes assombra moradores do bairro Sarandi, em Porto Alegre

alagamentos sarandiOs constantes alagamentos ao longo do ano passado, incluindo duas enchentes de grandes proporções no bairro Sarandi, na Zona Norte de Porto Alegre, ainda geram preocupações e insegurança nos seus moradores.

Diante de um cenário desolador, em agosto de 2013, devido ao rompimento da barragem do arroio Feijó, a água invadiu casas e deixou mais de duas mil pessoas desabrigadas, Com as fortes chuvas, o muro de contenção não aguentou a pressão e cedeu às águas do manancial, expondo novamente um ineficiente serviço de saneamento básico que é oferecido na região.

As vilas Asa Branca, Leão e Elizabeth foram os locais mais atingidos pela calamidade. Embora a drenagem da água e as obras emergenciais tenham sido realizadas a um custo de aproximadamente de R$100mil, a intervenção não resolveu o problema de canalização, e, por isso, uma nova enchente voltou a assolar os moradores da região. Na última vez, o transbordamento do manancial desalojou mais de 80 pessoas de suas residenciais e gerou além de transtornos, o receio quanto ao futuro da população carente da região.

Morador do bairro há 40 anos, Luiz Freitas é conselheiro-gestor do Posto de Saúde e integra a Comissão de Obras e Serviços. Sua função é fiscalizar as ações do poder público no bairro e estreitar relações em busca de um diálogo sobre os problemas enfrentados pelos moradores. Freitas relata que existem diversas solicitações de reformas no local do bombeamento da água, o qual está sucateado. Entretanto, segundo ele, grandes empresas, ao adquirir terrenos na região, fazem o aterramento e exigem o fechamento das comportas de escoamento, o que impede a evasão da água. Essa ação deve-se ao temor de que suas áreas sejam alagadas, mas expressa uma deficiente consciência social.

"Havia um projeto antigo aqui da comunidade. Mas essa área que está sendo comprada por uma empreiteira está causando um grande transtorno. Com o aterramento de área, exigiram o fechamento de uma comporta que ficava na bacia da FIERGS, uma bacia natural de escoamento". E desabafa: "As empresas têm todo o direito de comprar terrenos, mas não de prejudicar a população de um bairro inteiro", desabafa Luiz Freitas que também compõe a Associação de Moradores do Bairro Sarandi.

Outra questão que gera divergências é com relação ao crédito oferecido aos moradores de baixa renda atingidos pelos alagamentos, com juros muito altos para pessoas de áreas carentes.

De acordo com Freitas, "a financeira que disponibilizou o microcrédito foi uma vergonha. Queria juros iguais ao bancário, e a população não pegou. Através de exaustivas reuniões, conseguimos que a prefeitura aportasse uma verba com juros abaixo de um por cento, ou seja, um valor compatível. Mas quando irão liberar não se sabe", conclui o integrante da Associação dos moradores do Bairro Sarandi.

De acordo com o Coordenador da Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc) na região, João Victor, a aderência ao microcrédito oferecido aos moradores foi pequena. Porém ressalta que um estudo sobre a população em risco social está sendo elaborada para atender as demandas." É feito um cadastro para monitorar o valor e os juros, de acordo com a renda, buscando uma melhor equidade para atender a população realmente mais necessitada", explica João Victor.

Prevista no orçamento das cidades, a implementação completa das obras de saneamento na região receberá R$ 2,6 milhões, numa parceria municipal, estadual e federal. Entretanto, a morosidade em cumprir as demandas que afligem os moradores do local e a iminência de novos alagamentos, que obrigam a abandonar as casas cada vez que nuvens carregadas de chuvas despontam no céu, deixam fortes receios de que o flagelo das inundações poderá voltar a afetar a população.

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Reportagem produzida para a disciplina de Comunicação Comunitária – Profª Lisete Ghiggi.

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