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Jornalismo Comunitário

Doação de órgãos, um gesto de caridade

medula pedro 01Foto de Pedro Guterres

A doação de órgãos está em um grande momento no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, nos últimos três anos houve um aumento de 18% na doação de órgãos sólidos, com destaque para o pulmão, que dobrou o número de cirurgias nesse período. A doação de medula óssea, que se enquadra como tecido, também teve um aumento significativo com 24,6%, totalizando 2.113 procedimentos. Considerando todos os tipos de transplantes, o Brasil passou de 21.040 cirurgias, em 2010, para 23.457, em 2013. Para falar sobre a importância de ser doador de órgãos, conversamos com Álvaro Luis Oliveira, 24 anos, acadêmico de Jornalismo do IPA, que no ano passado doou uma parte de sua medula óssea.

Universo IPA - Como você descobriu a possibilidade de doar órgãos?
Álvaro Oliveira - Em 2010, quando morava em Minas, teve uma campanha nos telejornais pedindo que pessoas fossem até o hemocentro mais próximo para cadastrar e fazer o teste de compatibilidade de Medula Óssea. A Doação era para um garotinho que estava precisando. Isso me tocou muito, foi quando decidi me cadastrar como doador voluntário.

Universo IPA - Quais os procedimentos necessários para uma pessoa que queira doar?
Álvaro Oliveira - O primeiro passo é procurar um hemocentro mais próximo ou hospital que faça o cadastramento. A exigência é ter idade entre 18 e 54 anos e uma boa saúde. Depois, é só torcer que apareça alguém compatível com você.

Universo IPA - Você é doador apenas de medula ou de outros órgãos?
Álvaro Oliveira - Sou de medula, mas depois que fiz a doação, já aviesei a minha família: se acontecer alguma coisa comigo é para doar todos os meus órgãos, pois uma vida pode salvar até oito pessoas.

Universo IPA - Você sempre teve o desejo de ser doador?
Álvaro Oliveira - Sempre tive o desejo de ajudar ao próximo. Quando vejo uma reportagem de alguém que precisa de uma doação, fico me perguntando: por que não posso ser compatível para salvar aquela vida e de outras pessoas.

Universo IPA - Você pode doar novamente? E se pode, quanto tempo leva para fazer o procedimento?
Álvaro Oliveira - Sim, posso! Depois de 15 dias já posso doar novamente.

Universo IPA - Você sabe para quem foi a medula que você doou?
Álvaro Oliveira - Eu não sei para quem foi. Mas de três em três meses posso pedir para saber como está a pessoa. E depois de um ano e meio, posso pedir para conhecer a pessoa. E, é claro, que vou pedir!

Universo IPA - Qual é a sensação de poder ajudar a salvar a vida de outras pessoas?
Álvaro Oliveira - É uma sensação muito boa, emocionante, ainda mais depois de saber que era 100% de compatível bem no dia do meu aniversário (04 de fevereiro). E é gratificante saber que vai salvar uma vida principalmente no País em que vivemos, onde se tira a vida por muito pouco ou até mesmo por nada. Também tem aquela sensação de curiosidade para saber quem é a pessoa que vai receber, uma vontade de abraçar, dar um beijo e desejar que ela ou ele tenha uma vida saudável. As pessoas deveriam ter mais consciência e se cadastrar para ser um doador de medula óssea e ter mais informação na mídia.

Matéria produzida na disciplina de Jornalismo Comunitário. Professora responsável: Lisete Ghiggi

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