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Jornalismo Comunitário

Insegurança preocupa moradores do bairro Santo Antônio

seguranca anielleCaminhada pela Paz, no bairro Santo Antônio, em dezembro de 2013. Foto de Anielle Pereira

Na opinião dos moradores, transitar pelas ruas do bairro Santo Antônio, zona leste de Porto Alegre, nas imediações da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), é uma tarefa difícil. As tentativas de assaltos, intimidações, furtos e roubos são frequentes, pois não há policiamento e falta iluminação pública nas ruas e praças da região.

Desde que a ESPM-Sul começou a fazer parte da história do bairro, moradores e alunos viraram alvo de furtos e roubos seguidos. Segundo Lucas Pereira, que lá mora há quase 20 anos, o bairro era desconhecido, mas agora ficou mais visível. "Normalmente quando vou dizer onde moro, porque quase ninguém sabe, falo que é próximo da ESPM, e logo dizem que conhecem".

Entre tantos problemas no Bairro Santo Antônio, Vlamir Santos, morador da rua Dr. Julio Bocaccio, destaca: "Se já não bastasse o fumo na "pracinha do pico", em plena luz do dia, as ruas do bairro viram desova de carros roubados. Também é comum os alunos da ESPM deixarem os carros na rua Fernando Mendes Ribeiro e, ao voltar, encontrarem seus veículos arrombados".

Em dezembro de 2013, durante uma tentativa de roubo ao veículo de um estudante da ESPM, o policial civil e morador do bairro Santo Antônio, Carlos Heitor Bossle, 58 anos, integrante do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), foi morto em frente à sua residência, ao tentar evitar o assalto.

Nathália Bossle, filha do policial morto, tem uma explicação para a insegurança no bairro: "A maior parte dos alunos da ESPM é de classe média alta, desfila com carros importados e não utiliza o estacionamento pago da universidade. Eles deixam seus carros nas ruas do bairro ocupando vagas dos moradores que não têm estacionamento próprio". Segundo Nathália, os bandidos devem ter tido essa informação e começaram a atacar a mão armada. Mas a gota d'água, ressalta, "foi no mês de dezembro, com a morte do nosso pai, um fato chocante para a nossa família e moradores do bairro".

Para a viúva do policial e moradora há quase 16 anos no bairro, Celi Bossle, "A tragédia que aconteceu com a nossa família é o reflexo da falta de segurança no bairro". Ela ressalta que os roubos e assaltos continuam acontecendo no bairro, e que moradores têm sido reféns de bandidos que circulam na região. "Sabemos que a segurança está precária em todos os lugares. Acreditamos que ela não impedirá os bandidos de agir, mas dificultará se tivermos um policiamento mais presente aqui no bairro". Segundo a viúva, a ideia é instalar um posto policial no local. "Estamos lutando por isso junto com outros moradores que têm participado de reuniões com a Brigada Militar". Enquanto isso não acontece: "tentamos ultrapassar barreiras de medos que são diários".

Contraponto

Segundo o tenente-coronel Eviltom Pereira Diaz, chefe da Comunicação Social da Brigada Militar (BM), "Todos os comandantes de unidades da BM são sensíveis a esta questão e têm procurado atender as demandas. Atuamos onde há incidência de crimes". E quanto à instalação de um posto da BM no bairro, o chefe da Comunicação Social da corporação afirma que infelizmente não é possível implantá-lo sem que as ocorrências sejam devidamente registradas, e apela para que as vítimas efetuem os devidos registros.

Matéria produzida na disciplina de Jornalismo Comunitário. Professora responsável: Lisete Ghiggi

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