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Jornalismo Comunitário

ONG 101 Viralatas dá exemplo no cuidado aos animais

101viralatas

O abandono de animais é um problema que cresce a cada dia que passa. A superpopulação de cachorros e gatos nas ruas leva a um questionamento: qual a solução? Para muitos, despreocupados com o valor da vida animal, a resposta pode ser a indiferença ou até mesmo o extermínio. Mas para outros, como Vladete Orestes Vieira, 52 anos, o amor e a dedicação se tornaram a melhor saída.

Fundadora da ONG 101 Viralatas, criada em 2003 com a sua filha Aline, ela acolhe animais abandonados na região metropolitana de Porto Alegre. Localizada em Viamão, a ONG presta cuidados aos bichinhos, além de estar sempre em busca de possíveis donos dispostos a adotá-los. A 101 conta atualmente com cerca de 400 cachorros, 70 gatos e até duas éguas. A história da ONG, descrita detalhadamente em seu website, já provoca lágrimas naqueles que têm alguma simpatia pela causa.

De acordo com a fundadora, a sua família é amante de todos os animais, e a cada dia agregava mais um em sua residência. Entretanto, para alimentá-los e oferecer os cuidados necessários, a família passou por momentos difíceis. "Eu era autônoma, então não tinha aposentadoria. Chegamos a perder nossa casa, mas tive ajuda de amigos e consegui um terreno, onde pudemos nos estabelecer". Neste sítio, ela construiu um canil e um gatil, onde recolhia animais maltratados ou aqueles não mais desejados por seus donos. Por conta disso, Vladete tem problemas em divulgar o endereço de sua ONG, devido a grande quantidade de animais abandonados em sua porta, sem satisfação ou qualquer procedência. "Quase toda semana eu ouço barulho de pneus de carro cantando aqui na frente. Quando vou ver, tem um bichinho abandonado", conta.

101viralatas 02Muitos animais são abandonados na porta da ONG. Foto: Letícia Kiraly

Na 101 Viralatas, muitos animais chegam doentes, alguns até em estado quase terminal. Após o tempo necessário, se transformam em saudáveis e felizes, como mostrou reportagem feita pelo jornal Zero Hora, na capa do caderno Patrola, em 2004. Vendo as fotos do antes e depois, até parece mágica. Mas para toda essa "magia" virar realidade, além de muito amor e disposição, o dinheiro é indispensável. Para manter toda essa estrutura e financiar os cuidados médicos, alimentação e higiene, a ONG – que conta com três funcionários – passa por sérios problemas. Segundo a fundadora da ONG, seu gasto mensal soma R$21 mil. De receita fixa, ela arrecada apenas R$9 mil, estando nesse valor a quantia paga pelos mensalistas (no momento são 90). Estes padrinhos doam R$100 por mês para manter o animal na ONG, até haver disponibilidade para levá-lo para casa. É o caso de Gustavo Fogaça Soares, 37 anos, gestor financeiro. Em 2009, ele encontrou uma cadela abandonada e muito doente nas ruas de Tramandaí, litoral gaúcho. Levou-a ao veterinário, que prestou os cuidados emergenciais, e depois, não sabia o que fazer. "Eu não podia largá-la na rua de novo, mas morava em apartamento pequeno, e já tinha outro cachorro. Foi então que lembrei da ONG de Vladete, que eu já conhecia. Lá, eu sabia que ela seria bem cuidada até eu poder leva-la para morar comigo", conta Gustavo, que deu o nome de Charlotte à sua nova amiga. "Levou mais de dois anos, mas assim que me mudei para uma casa em Santa Catarina, levei Charlotte embora", comemora, lembrando que ajudava a ONG mensalmente nas despesas.

101viralatas 03Gustavo e Charlotte agradecida. Foto de Regina Kiraly

A dedicação e o amor de Vladete não enxergam limites. Além do canil e gatil, ela hospeda dentro de sua própria casa os bichanos mais velhos e doentes que necessitam de maior cuidado. Lá eles permanecem até sua total recuperação. Além disso, ela construiu um passeador, local cercado e mais espaçoso onde os animais podem circular e correr com segurança.

101viralatas 04A casa abriga os bichinhos mais velhos e doentes. Foto de Letícia Kiraly

Ela conta que, antes da filha e o marido se mudarem para sua casa, vivia apenas com seus quase 500 bichos de estimação, e nunca sentiu solidão nem medo. Seu receio é do portão para fora. Nos dias difíceis, quando a tristeza invadia a casa e as lágrimas procuravam espaço em seus olhos, um amiguinho aparecia a seus pés com um olhar curioso e acolhedor. "Já desisti de compreender o ser humano. Mas os animais, eles te entendem". Mesmo sendo um ofício preocupante e desgastante, ela não tem reclamações ou arrependimentos. "Se pudesse voltar atrás, faria tudo exatamente igual".

Para saber como fazer doações, adquirir produtos da ONG ou adotar um bichinho, acesse:

> http://www.101viralatas.com.br

> Facebook/ONG101viralatas

Matéria produzida da disciplina de Jornalismo Comunitário. Professora responsável: Lisete Ghiggi

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