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Jornalismo Comunitário

Por trás de um bom rap, há uma boa batida

rap alice coraO rapper Rodrigo Serveira se dedica à arte da produção de batidas há cinco anos. Foto de Alice Corá

Ritmo e poesia. O famoso rap, gênero musical que faz parte do movimento hip hop, é composto não só de letras que tratam da dura realidade das periferias, mas também de batidas cheias de swing e, porque não, arranjos bem elaborados.

A música que serve de pano de fundo para as letras também tem grande importância na composição como um todo e exige um estudo aprofundado de técnicas musicais, e de instrumentos pouco comuns.

Rodrigo Serveira é rapper, se dedica à arte da produção de batidas há cinco anos, e há três conta com uma MPD para dar suporte ao seu trabalho. As três letras são o nome de um equipamento onde Rodrigo pode colocar qualquer som e as melodias que vão embalar as letras mais tarde. "O processo de criação muitas vezes começa a partir de um sample - que em inglês significa amostra, um pedaço de uma outra música que será o alicerce da composição. A partir deste sample, cria-se bateria, baixo, e pode-se adicionar outros elementos, como piano, sintetizadores e qualquer outra sonoridade que a inspiração do momento pedir", explica.

Segundo ele, nos raps com clima de festa, mais dançantes, a batida representa mais do que 50% da música, porém nos raps mais introspectivos, o peso das composições líricas se equivalem, "embora o rap seja ritmo e poesia e, portanto, a poesia tenha um peso muito forte na música quando comparado com outros estilos. Há algum tempo as batidas de rap vêm se tornando mais complexas e com arranjos que não ficam atrás se comparados a qualquer outro estilo musical", afirma o beatmaker. Além disso, fica claro que o que faz uma batida ser realmente boa, hoje em dia, é o mesmo que faz com que outras músicas sejam boas: "harmonia e ritmo e sem dúvida uma boa finalização que consiste nos processos de mixagem e masterização".

Como em todo o estilo musical, se tornar um beatmaker de qualidade não é para qualquer um, tem de ter disciplina, vontade e estudo. Rodrigo conta que atualmente há muita gente que produz seus próprios raps, pois as facilidades da tecnologia são fortes aliadas na hora da criação. No entanto é necessário conhecimento e experiência para fazer uma boa batida, "por isso existe muita gente interessada em comprar as batidas, ao invés de ficar anos estudando e criando até chegar a um nível que outras pessoas têm, por já terem passado por esse caminho", completa.

No que diz respeito ao mercado, é visível o crescimento do estilo musical das ruas no Brasil. A última edição da premiação do canal MTV Brasil, o VMB deste ano, não deixa dúvidas quanto à abrangência, novidade e força que o rap tomou nos últimos anos com artistas como Emicida, Projota e, o clássico, sempre forte, Racionais Mcs, arrebatando grande parte dos prêmios. Porém, no que diz respeito somente à parte da composição em questão, as batidas, Rodrigo acha que o meio não é tão acolhedor assim, "acredito que viver somente da produção de batidas de rap seja difícil, poucos conseguem. Mas com certeza as batidas podem ser um orçamento extra", conclui o rapper.

Matéria produzida na disciplina de Jornalismo Comunitário. Professora responsável: Lisete Ghiggi

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