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Jornalismo Comunitário

Uma relação de confiança e muito amor

caes Rafael MartinsEm busca de um lar, os cãezinhos aguardam ansiosamente pelo novo dono, numa feira de adoção, na Cidade Baixa. Foto de Rafael Martins Eles fazem parte da nossa vida desde pequenos. Estão sempre prontos para receber carinho e fazer companhia, não importa o que aconteça. Mas, assim como nós, eles também sofrem e sentem a dor do abandono. O mais triste é saber que são cada vez maiores os casos de animais abandonados e machucados pelas ruas da cidade e aqueles que vivem sob condições deploráveis em criatórios.

Felizmente, na comunidade, existem pessoas dispostas a ajudar. De forma independente e totalmente voluntária, elas driblam a correria do dia-a-dia e dedicam uma parte do seu tempo em prol dos bichinhos necessitados, cada uma do seu jeito e dentro das suas possibilidades. Movidas pelo mesmo sentimento e pelo mesmo objetivo alimentam os bichinhos de rua ou ainda resgatam esses animais e dão todo o cuidado necessário até que eles encontrem um novo lar.

Denise Schiaffino é uma dessas pessoas. Lembra que aos 8 anos de idade resgatou o seu primeiro animal, e de lá para cá não parou mais: "Meus pais ofereciam um animal comprado, mais eu não me interessava. Queria os que estavam na rua, que não tinham quem olhasse por eles". Hoje ela vive numa casa com 4 cães, 7 gatos e 3 calopsitas, alguns deles esperando um lar. "O processo de adoção é sempre delicado. Sempre faço muitas perguntas e advertências. É preciso expor o que o ato de adotar um animal significa e o comprometimento que acarreta", aponta.

O mesmo acontece com Karla Ribas, que sempre se comove ao ver um bichinho abandonado na rua. Por isso, anda com um pacote de ração na mochila e sempre que pode distribui comida para os animais, levando alguns para casa na medida do possível. "Não gosto da ideia de ser uma protetora declarada, pois as pessoas te jogam uma responsabilidade que não é tua. O abandono está aí para quem quiser ver e se mexer. Infelizmente às vezes tenho que fechar os olhos, pois não tenho como salvar o mundo", lamenta. Atualmente, Karla está em busca de um lar para 3 cãezinhos que resgatou das ruas, sendo que um deles estava praticamente morto quando foi encontrado. "As pessoas preferem adotar os filhotes. Os adultos demoram mais para achar um lar e às vezes nunca são adotados. Tenho um de quase 2 anos que ainda aguarda um dono", comenta.

Para Gabriela Oliveira, que também é apaixonada pela causa, as redes sociais são o melhor meio para se conseguir adoção e ajudas. "Faço campanhas pela Internet, compartilhando adoções de pessoas que realizam o mesmo trabalho que eu e também procuro doar dinheiro para protetores que vivem para esta causa". Assim como a Karla, Gabriela carrega na mochila uma garrafinha com água e um potinho, para usar, caso encontre algum bichinho com sede pelas ruas. "São gestos simples que fazem toda a diferença. Animais não falam, não conseguem expressar suas necessidades. É nosso dever ajudar".

Ainda que muitos desses animais sejam encontrados pelas ruas, existem casos graves nos chamados criatórios. Denise, em especial, também trabalha com o resgate dos bichinhos nestes ambientes. Fingindo interesse de compra, acaba flagrando monstruosidades. "Resgatei uma maltês que era só pele e osso. Como não servia mais para reproduzir não era alimentada. Acredito que em mais uma ou duas semanas estaria morta. Coloquei um pote de ração e vi um desespero sem igual, ela estava faminta. Os outros malteses que ficaram no criatório comiam as fezes uns dos outros", relembra.

Normalmente esses criatórios fornecem animais às pet shops, que os colocam em vitrines para venda. Karla aponta que 90% desses estabelecimentos vendem animais oriundos de criatórios clandestinos, onde os criadores abusam da curta vida de uma matriz para tirar o máximo de crias possíveis. "Atualmente sou contra a venda de animais nas pets, pois são vendidos sem nenhum termo de responsabilidade ou obrigatoriedade de castração, o que permite que qualquer um seja um criador inexperiente de fundo de quintal" enfatiza Karla, que ainda indica que muitos desses bichinhos não vêem a luz do dia ou sequer caminham fora das gaiolas antes de serem vendidos. Denise, por outro lado, acredita que a venda destes animais fazem com que as pessoas tenham a ideia de que se tratam de um objeto, o que muitas vezes é a justificativa para maltratar. "Não há como concordar com o comércio e exploração de animais. Os ambientes dos criatórios são insalubres. Não há fiscalização, por isso as pessoas que criam não são comprometidas", alerta.

A noticia boa é que existe uma tendência no mercado e muitas pet shops estão atentas a isso, deixando de lado a venda de animais por uma causa mais nobre. Um bom exemplo é o Mundo Pet, localizado na Cidade Baixa. Em parceria com a ONG Arca, concede seu espaço um sábado por mês para a realização de eventos voltados à adoção. Além disso, disponibiliza um canal em seu site que recebe doação de alimentos que são encaminhados diretamente à ONG. Os animaizinhos carentes agradecem.

Matéria produzida na disciplina de Jornalismo Comunitário. Professora responsável: Lisete Ghiggi

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