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Jornalismo Comunitário

Educando para a vida

educando vidaA orientadora pedagógica Marli Bento da Escola Estadual Itamarati. Foto de Caroline Garcia

A Escola Estadual de Ensino Fundamental Itamarati, localizada na Zona Norte de Porto Alegre, é uma escola que se destaca. Mas não por conta de autos índices negativos, como infelizmente temos visto em noticiários. Pelo contrário. Nesta escola, a diretora e a orientadora pedagógica encararam um grande desafio: o de educar os alunos para além dos portões da instituição. E para isso, contam com a ajuda da comunidade e até de quem não faz parte direta dela.

Segundo um provérbio africano, se em alguma aldeia houver crianças, todos são responsáveis por elas. Parece que para a administração da escola Itamarati isto é válido. Tanto que a orientadora pedagógica Marli Bento, educadora a mais de 20 anos buscou auxilio fora do ambiente escolar para sanar as dificuldades que encontrou.

"Havia muita falta de compromisso com a escola e com eles mesmos", afirma ela. "Na época, lembrei que meu marido é Engenheiro em Segurança do trabalho e havia falado sobre o projeto 5S, ou 5 sensos, que é implantado geralmente em empresas". Neste momento, Marli tomou uma decisão. Educaria as crianças e jovens de sua escola através deste método, pois sabia que eles não ficariam eternamente protegidos pela escola ou pais. Juntou-se à diretora, Jeaninne Fraga, e deu início a adaptação do projeto.

No primeiro momento, apresentou a proposta aos professores, pois cada um cuidaria de um "S", que unido aos demais, formariam o projeto em sua integridade. Marli conta que não segue uma teoria única para nortear o processo pedagógico. "Utilizamos o que nos parece válido de cada teórico. Assim também respeitamos as diferenças de cada um na hora de aprender e ensinar", diz. No segundo momento, foi a hora de apresentar os pais. Eles também são responsáveis pelo projeto. "A escola sem a comunidade não funciona. Temos que lembrar que a formação de uma criança e de um adolescente vai muito além do conteúdo cognitivo".

Além de responsabilizar toda a comunidade escolar, o Ita, como é carinhosamente chamado pelos alunos, sempre tem eventos onde todos são convidados, independente de ser familiar de aluno ou não. Esta iniciativa, segundo Marli serve para que os alunos acostumem-se com presenças diversas e influências externas. "Já tivemos um evento onde colocamos todos os alunos em frente à escola, com instrutores de uma ONG de skatistas. Assim aprenderiam a se comportar nas ruas quando utilizassem este meio de transporte".

Com ajuda da comunidade, esta escola conseguiu inclusive vencer o obstáculo da falta de autonomia que muitas escolas públicas sofrem. Para ensinar a viver, não é preciso solicitar recursos, nem autorização do Governo. Quando questionada sobre os resultados, Marli é confiante: "estamos em atividade, em andamento. Já percebemos mudanças de comportamento para melhor. Agora é só fiscalizar direitinho".

O que é o 5S?

O projeto surgiu no Japão em 1950. No ambiente de trabalho, é responsável por evitar desperdícios, melhorar relacionamentos, e liberar áreas, facilitar a boa utilização de recursos. As cinco letras S que o nominam são as iniciais de cinco sensos de comportamento em japonês ficam assim:

Seiri - Senso de Utilização
Seiton - Senso de Ordenação
Seisou - Senso de Limpeza
Seiketsu - Senso de Saúde
Shitsuke - Senso de Autodisciplina

Segundo a técnica, a junção dos cinco sensos forma o bom-senso que pode ser ensinado, aperfeiçoado, praticado para o crescimento humano e profissional. Convém se tornar hábito, costume, cultura.

Matéria produzida na disciplina de Jornalismo Comunitário. Professora responsável: Lisete Ghiggi

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