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Jornalismo Ambiental

Será possível um futuro com 100% de água limpa?

sao leoSe parar para pensar que o Brasil possui a maior concentração de água doce do mundo, é fácil saber que moramos em um país privilegiado. Infelizmente nem todos têm essa consciência e a prova disso está mais perto de nós, gaúchos, do que alguns imaginam. Conforme a Agência Nacional de Águas, o Rio dos Sinos, situado no nordeste do Estado do Rio Grande do Sul, é um dos mais poluídos do Brasil.

De acordo com o levantamento dos 10 rios mais poluídos, "Indicadores de Desenvolvimento Sustentável", do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, o Rio dos Sinos fica em 4° lugar, perdendo apenas para Tietê, Rio Iguaçu e Rio Ipojoca. Como se não bastasse, o Rio Gravataí também não fica muito longe deste título. Segundo os estudos do IBGE, o Rio Gravataí está logo atrás do Rio dos Sinos, ficando em 5° lugar. Ao longo de 3.820 km2, correspondendo a 4,5% da bacia hidrográfica do Guaíba, o Sinos, que desemboca no Rio Guaíba – já poluído –, é proveniente de esgotos e indústrias, provoca a mortandade de milhares de peixes e a proliferação de mosquitos.

Conforme a bióloga Aline Mello, técnica de Educação Ambiental, a Prefeitura de Porto Alegre possui um projeto, em que daqui há duas décadas, limpar 77% da água poluída do Rio Guaíba – atualmente, este índice é de apenas 27%. Alguns podem pensar 'problema resolvido'. Será? Talvez não. É necessário que não apenas as autoridades, mas a população como um todo, tenha consciência dessa necessidade e crie uma nova educação, capaz de absorver e executar as ações necessárias para manter os rios definitivamente limpos. Esse controle deve partir de cada um. Aquele velho ditado 'faça a sua parte', não só é verdadeiro como aplicável, basta ter informação e consciência. O projeto de limpeza do Guaíba custará aos cofres públicos (ou seja, em nosso bolso) R$ 586,7 milhões. Mas dinheiro sozinho não resolve o problema.

A água disponível deve ser preservada, e isso é fato. Todos concordam com essa afirmação, mas quem faz algo para que isso aconteça? Culpar as autoridades é fácil, e não há como se negar que existe sim esta culpa, mas não é única. A educação ambiental ainda é muito precária na sociedade, e estamos falando especialmente dos gaúchos. Apesar de não ser privilégio do gaúcho essa falta de cultura sustentável, é por aqui que precisamos começar. Porto Alegre já é referência em diversas áreas, por que não mais essa conquista?

Artigo produzido na disciplina Jornalismo Ambiental. Professora Lisete Ghiggi.

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