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Jornalismo Ambiental

Poluição encurta a vida dos paulistanos

poluicao spO DETER foi desenvolvido como um sistema de alerta para suporte à fiscalização e controle de desmatamento. Foto: divulgação Ministério da Ciência e Tecnologia

A aprovação do projeto de lei que revoga o rodízio de carros na cidade de São Paulo mostra a falta de preocupação das atuais gestões com o problema da poluição atmosférica. Numa votação simbólica que durou menos de um minuto, a decisão rapidamente ganhou destaque na mídia e foi vetada pelo prefeito Fernando Haddad.

O rodízio de veículos foi implantado em 1997 com o objetivo de reduzir a poluição atmosférica e os congestionamentos. Um estudo publicado pela Revista Brasileira de Epidemiologia mostra que, com exceção do ozônio, o rodízio provocou uma redução dos demais gases poluentes lançados na atmosfera.

A poluição do ar é um grave problema de saúde pública em São Paulo e outras metrópoles brasileiras. Estudos recentes apontaram que os níveis de poluição na capital paulista em 2014 superam em duas vezes o teto recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 10 microgramas de partículas inaláveis finas (PM 2,5) por metro cúbico. No Rio de Janeiro, a situação era pior em 2010, quando superava em mais de três vezes (36 microgramas). Em Porto Alegre, um estudo realizado em 2013, apontou a mesma situação de São Paulo. Por serem muito pequenas, as partículas de PM 2,5 não são filtradas pelo nariz e conseguem chegar ao pulmão, podendo atingir outros órgãos.

Sempre chamou a minha atenção, ao ver fotos da cidade de São Paulo, a presença de uma névoa cinzenta escura pairando no horizonte, o que é conhecido como "smog", a união de "smoke" e "fog" — "fumaça" e "nevoeiro" em inglês, respectivamente. De acordo com a OMS, a poluição de São Paulo é responsável pela diminuição de um ano e meio na expectativa de vida dos paulistanos, um dado revoltante e que pode ser evitado. Outro levantamento assustador, do Instituto Saúde e Sustentabilidade, revelou que o número de mortes causadas pela poluição do ar em 2011 superou em mais de duas vezes o de mortes por acidentes de trânsito. Foram 4.655 mortes por doenças respiratórias, contra 1.556 por acidentes. De certa forma, a soma destes dois números pode ser atribuída a um mesmo motivo: os carros, que são as principais fontes de poluição na cidade de São Paulo.

Curiosamente, na mesma semana em que a Câmara Municipal aprovou o fim do rodízio, a Prefeitura sancionou a lei, aprovada na mesma Câmara em maio passado, que incentiva o uso de carros elétricos e híbridos. O uso destes veículos reduz drasticamente a emissão de poluentes e pode ser uma das várias soluções para este problema de saúde pública.

Artigo produzido para a disciplina de Jornalismo Ambiental, ministrada pela professora Lisete Ghiggi.

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