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Jornalismo Ambiental

Apesar DE TER satélites que vigiam suas árvores, a Amazônia sofre!

Logo DeterO DETER foi desenvolvido como um sistema de alerta para suporte à fiscalização e controle de desmatamento. Foto: divulgação Ministério da Ciência e TecnologiaNo ano de 2004, quando o governo federal, em conjunto com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), anunciou o lançamento do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (DETER), o feito foi comemorado pelos ambientalistas. Tratava-se de uma revolução no combate ao desmatamento ilegal na Amazônia que entraria em uma nova era, com o auxílio de satélites exclusivos para esta função. Tanta tecnologia sendo empregada a favor da natureza no Brasil merecia comemoração.Mas algumas falhas acabaram diminuindo a eficácia do novo programa de controle do desmatamento.

O DETER é capaz de precisar os locais geográficos de desmatamento e o tamanho da área, mas somente se ela for maior que 25 hectares. Esta parte funcionou bem, afinal 70% das áreas desmatadas tinham dimensões maiores do que 300 hectares. O grande erro foi a escolha de satélites que orbitam muito alto, com imagens emitidas a cada 15 dias, quando as condições de observação são favoráveis.

O sistema produz um mapa digital que é comparado com o da quinzena anterior, e um software indica as áreas onde existem ocorrências, para que a fiscalização possa agir. Aqui aparece o primeiro problema: o tempo real tão comemorado pelo governo, é de 15 dias, o que é muito tempo para uma floresta que clama por socorro há décadas. As nuvens foram desconsideradas, apesar de serem inimigas para quem olha de tão longe, e nuvem é  o  que não falta na Amazônia, ainda mais em época de chuva. Por exemplo,  no mês de abril deste ano o Inpe divulgou que 77% da área do Pará estava coberta por nuvens, quer dizer, tudo que fosse cortado nesse mês dificilmente iria ser detectado em tempo real como diz o governo.

Mas a pior parte deste processo é o IBAMA, o órgão fiscalizador desse crime, pois é mal aparelhado para enfrentar a tal selva, conta com pouco pessoal e, muitas vezes, acaba chegando tarde demais para impedir tal processo. Muitas vezes o IBAMA demora semanas para chegar em uma área apontada pelo sistema. O que resta é multar o desmatador quando encontrado, apreender a madeira, as máquinas e embargar as terras, caso estas não sejam da união. Afinal acabar com a maior floresta tropical do mundo não dá cadeia no Brasil.

Segundo o Greenpeace, dos anos 70 até agora, o desmatamento junto com as queimadas, consumiu uma área de floresta do tamanho dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro e Espirito Santo juntos. O Inpe aponta que o desmatamento na Amazônia legal caiu 84%, no período entre 2004 e 2012. Mesmo assim perdemos 4571km² de floresta no mês de abril, um grande desperdício para o Brasil. Há anos os nossos governantes descartam esta biodiversidade desconhecida. Mas, cientes do erro, anunciaram, ainda para esse ano, o lançamento de um satélite mais moderno, que fará uma órbita mais baixa ao redor da terra, o que diminuirá o tempo de comparação das imagens para 5 dias. 

A sucessão de erros é histórica. Começou com a Transamazônica e a devastação provocada pelos colonos, incentivados pela ditadura a ocupar aquela mata virgem improdutiva. Depois veio o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), com seus gastos milionários, e agora o DETER. Mas o fato é que, até agora todos os esforços se mostraram inúteis para frear a destruição de nossa floresta. Quando é que o nosso governo irá acordar de seu berço esplêndido e entender que a melhor maneira de controlar a floresta é com pessoas bem treinadas e equipadas. O controle precisa ser inteligente, porém a fiscalização deve ser humana.

Matéria produzida na disciplina de Jornalismo Especializado I, com ênfase em Jornalismo Ambiental, Rural e Científico. Professora responsável: Lisete Ghiggi 

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