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Jornalismo Ambiental

Reciclagem de óleo surge como alternativa para a natureza

foto nicolassÓleo de cozinha possui recipientes específicos para descarte. Foto: Nícolas AndradeEm tempos de poluição avançada e iniciativas sustentáveis, todo e qualquer projeto para auxiliar a natureza é bem vindo. Partindo desse princípio, a reciclagem de óleo surge para mostrar que o ralo não foi feito para ser ponto de descarte. O despejo do óleo na pia causa muitos danos, desde um simples cano entupido até animais mortos em rios e lagos. A partir do momento em que o óleo começa a descer pelas tubulações ele funciona como uma cola. Segundo o químico Paulo Silva, um primeiro sintoma disso pode ser sentido pelo odor. “O efeito causado pelo óleo é o refluxo, isso é, o esgoto não passa pelos canos que estão entupidos e isso causa o mau cheiro”. Em um segundo momento este descarte mal feito começa a afetar a natureza. “O óleo de cozinha libera gás metano e, como todo mundo sabe, o metano agrava o efeito estufa além de causar danos ao ambiente exposto”.

Na contramão dos estragos que pode provocar, o óleo reaproveitado pode ser muito útil. O produto reciclado pode fazer parte da produção de produtos como sabão, detergente e até de combustível. O biodiesel além de dar um bom destino ao óleo, também é uma alternativa ao petróleo, pois ele é renovável e biodegradável.  Os porto-alegrenses que desejam dar um melhor rumo ao seu óleo contam com 138 postos de coleta, segundo a prefeitura. Após esta coleta, os caminhões do DMLU encaminham o produto par a empresa Faros, conveniada da prefeitura, e lá o óleo se transforma em ração animal, além de fazer parte do desenvolvimento de biodiesel.

Segundo o sócio-diretor da empresa Faros, Tiago Rodrigues, “A coleta do óleo é feita em bombonas, disponibilizadas pela Empresa para acondicionar o óleo. No momento da coleta, a bombona cheia é trocada por outra vazia e higienizada”. Em seguida entram os procedimentos químicos, como conta Tiago. “Na reciclagem, o óleo passa por um processo de decantação e cozimento, onde é separado da umidade e das impurezas, ficando  pronto para fabricação de novos produtos”. Até a borra acumulada no produto tem um destino: “é tratada e reaproveitada, de acordo com as normas ambientais”, afirmou ele.

Para as donas de casa a reciclagem é a resposta para uma pergunta que sempre existiu: o que fazer com o óleo depois de usado? Alessandra Gasparini, sempre teve essa dúvida, mas há dois meses começou a mudar sua rotina. “Eu vou confessar que sempre joguei o óleo no ralo. Pra mim era mais fácil desentupir do que procurar algum lugar pra colocá-lo, mas meu filho fez um trabalho para o colégio e eu percebi que estava fazendo errado”.  Agora o óleo na casa de  Alessandra fica armazenado, e uma vez por mês ela leva até a Associação dos Amigos do Jardim Sabará, um dos pontos de coleta espalhados pela cidade. “É até mais fácil do que pedir pro marido trocar o cano”,  brinca a dona de casa.

O cenário nacional também se encaminha para uma mudança de atitude. Segundo a Agência Brasil, até a Copa do Mundo de 2014, 25 milhões de litros de óleo devem ser reciclados. O projeto se chama Bioplanet e visa ações que possam tornar o Brasil mais sustentável. O destino deste óleo será a fabricação de biodiesel. O texto do projeto afirma que um litro de óleo polui 25 mil litros de água. A iniciativa envolverá estudantes de todo o país que ganharão brindes após arrecadarem um número determinado de óleo.

Matéria produzida na disciplina de Jornalismo Especializado I, com ênfase em Jornalismo Ambiental, Rural e Científico.
Professora responsável: Lisete Ghiggi

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