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Jornalismo Ambiental

Biocremação usa menos combustível fóssil e reduz emissão de CO2

mathewsEm tempos de redução do aquecimento global, uma nova tecnologia na área da cremação promete usar menos combustível fóssil e diminuir a emissão de gás carbônico (CO2). O equipamento, lançado pela empresa norte-americana Matthews International Cremation, opera por meio de biocremação ou cremação líquida. Segundo o fabricante, cerca de 10 crematórios ao redor do mundo já estão com o produto instalado e em funcionamento.

Batizada de Resomation, a nova tecnologia consiste na aceleração do processo natural de decomposição do cadáver pela utilização de água e de uma solução alcalina. Da mesma forma que o processo térmico da cremação (queima do corpo), ela reduz os restos mortais humanos aos seus elementos básicos de fragmentos ósseos. Assim, eles podem ser processados e retornados à família para a realização dos ritos fúnebres, tais como o sepultamento no chão, lóculos ou espargimento na terra ou na água, além de colocação em nichos, columbários, memoriais ou urnas.

De acordo com o representante da Matthews para o Brasil e a América Latina, Fernando Schilling, “o processo de biocremação é conduzido sobre pressão controlada, num recipiente em aço inoxidável que contém os restos mortais e executa os procedimentos de forma automatizada”. O ciclo é de duas a três horas, a mesma média de tempo da maioria dos processos de cremação. Uma vez completo, os efluentes esterilizados são descartados do recipiente e retornados ao ecossistema. Os fragmentos ósseos são removidos da câmara primária, secados, processados e embalados para retornar à família, explica o representante.

Com relação aos benefícios ambientais, Schilling acrescenta que não há nenhuma emissão e nem redução de mercúrio, o consumo de energia do equipamento é baixo e o descarte dos efluentes é seguro e livre de qualquer tipo de contaminação. “O momento exige que ofereçamos soluções voltadas à preservação do meio ambiente, e esta nova tecnologia foi considerada nos Estados Unidos uma das 10 maiores invenções ‘verdes’ dos últimos tempos”, destaca.

O espaço físico para a instalação não necessita ser maior do que 33 metros quadrados. O custo é de aproximadamente 600 mil dólares. Até agora, nenhum crematório brasileiro adquiriu o produto. A falta de uma legislação específica para operação é um fator que complica. “Nos Estados Unidos foram necessários dois anos para aprovação de uma norma que considerasse a cremação como um processo de decomposição de corpos pelo calor ou pela água, enquadrando assim a biocremação nas leis existentes sobre a matéria. Algo parecido deveria ser feito no Brasil. Já fizemos contatos com entidades representativas de cemitérios, crematórios e funerárias e nenhuma delas tem interesse em levar adiante o assunto, pelo menos por agora. É necessário alterar a legislação que define o processo de incineração de corpos ou criar uma específica para biocremação”, diz Schilling.

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