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Jornalismo Ambiental

A monocultura de árvores está em xeque

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Era uma vez um grupo de agricultores que queriam uma fonte de renda alternativa além da pecuária. Mas com o passar do tempo a renda alternativa passou a ser a única plantação de muitos proprietários de terras. Aos poucos, as monoculturas de árvores como o eucalipto, pinus e acácia-negra foram se espalhando no Rio Grande do Sul sendo um dos motivos da diminuição na vegetação nativa do estado. Essa é uma história que não terminou bem. Segundo dados apresentados no segundo evento do Ciclo de Conferências 2013 do ‘Biota Educação’, o bioma pampa originalmente ocupava 63% do território gaúcho e hoje, apenas 36% dessa área ainda está coberta pela vegetação original.

A monocultura de árvore agride o ecossistema local e traz prejuízos para o meio ambiente e à população. Os desertos verdes que se alastram pelos pampas dos gaúchos causam grandes danos ao nosso solo, água e economia. Essas árvores não são típicas da nossa terra, mas o clima do estado é propicio para um desenvolvimento mais rápido, produzindo assim lucro em um curto espaço de tempo.  Isso faz como que muitos pecuaristas arrendem, plantem e invistam nessa nova forma de economia. Contudo, essas plantações não estão mais superando as expectativas dos monocultores. O aumento de oferta devido ao grande aumento do plantio diminuiu o preço das árvores.

Uma das regiões que sofre com essa troca da pecuária pela monocultura de árvores de celulose em nosso Estado é o vale do Rio Pardo. Encruzilhada do Sul, um dos municípios dessa região, é um exemplo. O município que antes tinha sua economia voltada para a pecuária, hoje tem 70% de seu território ocupado com o plantio de madeira. A desvalorização alcançou quatro vezes menos o esperado pelos monocultores na época do plantio. O tema é abordado também nos noticiários locais, entretanto, não vejo citarem o prejuízo ambiental que a monocultura causa no meio ambiente. Isto, sim, atinge além dos monocultores toda a população local.

Paulo Brack, professor do Departamento de Botânica da UFRGS, escreveu sobre “as monoculturas arbóreas e a biodiversidade” do Rio Grande do Sul, e destacou os prejuízos que a plantação excessiva de uma única espécie de árvore pode causar no ecossistema local. A fauna e flora são agredidas, os animais migram de lugar, não há condições de outra espécie crescer no mesmo espaço, as águas diminuem, ou seja, são desertos verdes. Outro impacto causado pela monocultura é o êxodo rural. A população local fica sem trabalho, ao contrário das plantações anuais, essa não precisa de grandes cuidados. Mesmo que os donos de terras parem com a monocultura das árvores de celulose, o solo, a água e o ecossistema já foram devastados. A recuperação desses campos é difícil, mesmo depois de cortada as raízes ainda voltam a brotar e a queima nesses casos é frequentemente utilizada.

Uma das alternativas para a recuperação do solo é a agrofloresta. Esse método já está sendo utilizado em outras áreas no Brasil como uma forma de recuperar terras antes ocupadas pelas monoculturas. A agrofloresta devolve ao local degradado um ecossistema e mescla outras atividades agrícolas com plantação da vegetação nativa. Devemos buscar alternativas sustentáveis para a agricultura que não destruam nosso ecossistema para que um dia a história não comece com era uma vez um Rio Grande do Sul que foi conhecido por ter como sua vegetação nativa os pampas.

Matéria produzida na disciplina de Jornalismo Especializado I, com ênfase em Jornalismo Ambiental, Rural e Científico.
Professora responsável: Lisete Ghiggi

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