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Jornalismo Ambiental

Petróleo e carvão: fontes de energia não renováveis

petroleo pedro vieroProfessor da UFRGS, Pedro Viero, fala sobre as fontes de energia não renováveis. Foto: Machado

O petróleo e o carvão estão em toda a parte do mundo, porém, muitas pessoas desconhecem as suas origens e as formas de extração. Segundo o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), doutor em Geociências, Pedro Antônio Viero, o petróleo tem sua origem em ambientes de bacias sedimentares, a partir da deposição de matéria orgânica em ambiente marinho, lacustrino e lagumar.

Trata-se de uma matéria orgânica com grande quantidade de lipídios e gorduras. Para o professor, essa matéria orgânica depositada em um ambiente sedimentar e soterrada é submetida a pressões e temperaturas altas e sofre um conjunto de processos e transformações, inicialmente bioquímicos e depois geoquímicos. Isso gera produtos orgânicos como os hidrocarbonetos de petróleo. Dependendo da temperatura que essa matéria orgânica alcança, produz gás e óleo. Esse processo demora alguns milhões de anos. No Brasil, os reservatórios têm cerca de 138 milhões de anos.

Segundo Viero, o petróleo é gerado em uma rocha e acumulado em outras, porque a que deu origem ao petróleo é impermeável. Graças à permeabilidade das rochas, em especial as constituídas por arenito e o calcário, o petróleo vai se aglomerando. No entanto, explica o professor, tais rochas permeáveis precisam ter um sistema de aprisionamento do óleo para que ele acumule. Quanto à extração do petróleo, o professor explica que é feita através de poços com bombeamento e injeção de ar, processo que envolve uma estrutura especial de perfuração e captação.

Para o engenheiro da Petrobras, Érico Bernardes, há várias técnicas de extração de petróleo, e destaca o aumento da pressão do reservatório por injeção de água, reinjeção de gás natural e gás lift, além de gás carbônico ou algum outro gás que deve ir ao fundo de um poço de produção, com o objetivo de reduzir a densidade global do fluido. Segundo o professor da UFRGS, os poços podem ser localizados em áreas continentais ou oceânicas. No continente, a extração sempre é mais fácil e mais barata. E para aumentar a produção do poço, o engenheiro Bernardes, explica que normalmente usa-se a água, que é injetada sob a forma de vapor. Entretanto esta técnica não se aplica em todos os poços. Muitas vezes, esse processo é feito por meio de uma planta de cogeração.

Neste caso, há uma turbina movida a gás que é usada para gerar eletricidade, e o calor é injetado no reservatório para a produção de vapor. Esta forma de recuperação é usada normalmente para aumentar a produção de petróleo. Usa-se esta técnica no Vale de San Joaquin (EUA), cujo petróleo é muito pesado. Viero ressalta que a extração e a colocação de outros produtos no lugar do petróleo não trazem risco ao ambiente, porque assim como o óleo, a água é um fluido. "O petróleo é uma fonte não renovável na nossa escala de tempo, já que se forma ao longo de milhares de anos e pode acabar um dia", explica o doutor em Geociências, que complementa: "não dá para afirmar quando isso vai acontecer". O maior volume de petróleo está no Oriente Médio. No Brasil, em meio marinho, a quantidade também é grande, assim como em outros países. Já, a Europa tem o menor volume de petróleo.

 

Carvão

carvaoFoto de Fabiana Gomes e Simone Gabriela MachadoCom relação ao carvão, outra fonte de energia, Viero lembra que se trata de recurso natural formado pelo acúmulo de matéria orgânica de origem vegetal de vegetais, em bacias sedimentares, e em especial em ambiente continental pantanoso. Ele explica que quando essa vegetação encerra o seu ciclo de vida, se ficar exposta ao ar e à umidade, sofrerá um processo de decomposição. Então precisa de um ambiente que possa ficar sem oxigênio, e, por isso, justifica-se a necessidade de um ambiente pantanoso.

Para Viero, a matéria-prima do carvão é constituída de vegetais superiores que tem lenho. Através de processos bioquímicos e químicos a celulose e lignina se transformam em carvão, e esse processo acontece no decorrer de longos períodos geológicos. O carvão se encontra em todos os continentes e a maior reserva é nos Estados Unidos. Os carvões minerais têm diversas qualidades em termos de capacidade de poder calorífico.
O Brasil tem poucas reservas de carvão, e algumas se encontram no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. São de baixa qualidade, porque não são puros, e se constituem de cerca de 60 % de matéria que não queima, isto é de matéria inorgânica, podendo, então, só ser usado para gerar energia térmica.

Segundo o professor da UFRGS, os carvões são extraídos em minas a céu aberto ou em subterrâneas e são recuperados através das cinzas que sobram quando ele é queimado, ou seja, todo material não aproveitado volta a ser inserido nas cavas no momento da extração. O impacto ambiental na mineração subterrânea é pequeno. Mas, se a extração for na mineração a céu aberto, o impacto é maior, não pela retirada de carvão, mas pela retirada do solo, de camadas de rocha e de tudo que vem antes do material a ser retirado, alterando o meio ambiente. De acordo com Viero, esse impacto é amenizado com a recuperação do solo, entretanto, salienta que o ambiente sofre mudanças e não ficará igual ao que era antes da exploração. Assim como o petróleo, o carvão também pode acabar já que não é uma fonte renovável.

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