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Jornalismo Ambiental

Os novos hippies pedalam

massa criticaGrupo Massa Crítica que faz uma bicicletada toda a última sexta-feira do mês pelas ruas de Porto Alegre. Foto: Divulgação

Com a notícia de que o governo vai reduzir o Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) para a compra de carro zero, haverá uma redução de aproximadamente 10% em seu custo. Mas será que o povo realmente precisa comprar mais carros? O grupo Massa Crítica defende de forma voraz que não, e propaga o uso da bicicleta como meio de transporte a favor da saúde própria e, principalmente, da saúde do planeta. Outra situação que nos leva à reflexão é o estado das estradas de Porto Alegre e da Região Metropolitana, a um passo do caos vivido pelos paulistanos.

A capital dos gaúchos está chegando a 1,5 milhões de habitantes e a estrutura da cidade está cada dia mais deficiente. Já é hábito do porto-alegrense perder algumas horas do dia no trânsito. As ruas ficaram pequenas para tantos carros. Antigamente uma família tinha, quanto muito, um carro. Hoje, cada integrante da família tem o seu.

Estima-se que mais de 600 mil veículos estejam em circulação na cidade, sendo que, a cada ano, esta frota aumenta em 10 mil. E o transporte público também deixa a desejar. Esperar tempos pelo ônibus que não chega e ter de viajar em pé também já é rotina na cidade. O metrô, se tudo der certo, chega em 2016 – mas até lá o caos aumentará, e a poluição do ar também. Em 2008, Porto Alegre foi apontada como a segunda capital do Brasil com mais poluentes no ar, segundo pesquisa da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. Este estudo apontou que a concentração de poeira fina no ar é equivalente ao dobro do que é recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

De uns tempos pra cá o movimento Massa Crítica vem tomando notoriedade. Seja pelo triste incidente do atropelamento na Cidade Baixa em 2011, o fato é que já é normal vermos uma multidão de ciclistas nas ruas de Porto Alegre protestando e defendendo seus ideais. É como uma nova filosofia de vida, uma espécie de "hippies" do mundo moderno. Se o movimento de contracultura dos anos 60 defendia a paz e o amor, em meio a um modo de vida comunitário, os novos "hippies" não são tão complexos. Eles falam a nossa língua e não estão nem aí para emancipação sexual. Apenas tomam as ruas, porque defendem que a bicicleta é o meio de transporte do futuro.

Além de fazer bem para a saúde do corpo, a bicicleta não emite nenhuma substancia que possa agredir o meio ambiente, ou seja, é um meio de transporte sustentável. Já os carros populares emitem de 100 a 250 gramas de CO2 por quilômetro rodado. E seria injusto dizer que o governo está de olhos fechados para os ciclistas, pois, em maio deste ano, um trecho de mais de 400 metros de ciclovia, na Avenida Ipiranga, foi entregue, e até o final deste ano, serão 9,4 quilômetros.

Resta saber se a população, fora do nicho Massa Crítica, estaria pronta para deixar o motor de lado e investir nas pedaladas. Mas aquecer a economia, ainda está na lista das prioridades do governo, isso é fato. Será que o governo não se deu de conta de que aquecer a economia neste aspecto significa aquecer o planeta? Não precisamos de carro zero na garagem, precisamos é de ar para respirar!

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