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Jornalismo Ambiental

Uma barcaça Moro para o Brasil

lixo rioA reclicagem é a solução para diminuir a poluição do ar, da água e do solo. Foto: Divulgação

Sem administrar de forma adequada as 240 mil toneladas de lixo e os cerca de 20 milhões de metros cúbicos de esgoto que produz por dia, o Brasil retrocede no tempo e no espaço. Com a falta de destinação adequada dos detritos que produz, o país hoje se encontre às voltas com doenças típicas do século 19, como a febre amarela, dengue e hepatite.

Talvez seja a hora da barcaça Moro passar por aqui, a mesma que em 1987 deixou uma cidade do estado de Nova Iorque carregando mais de três mil toneladas de lixo. Lotada de resíduos indesejáveis, a embarcação navegou para cima e para baixo na Costa Leste dos Estados Unidos por meses, sem conseguir encontrar uma comunidade disposta a receber a enorme quantidade de detritos.

O fato repercutiu e, com a grande atenção recebida da mídia, a Moro se transformou numa forte e emblemática mensagem à população: era preciso reciclar para diminuir o impacto que o lixo causa ao meio ambiente.

Assim, a reciclagem ganhou popularidade. Defensores aderiram à causa, chamando a atenção para a falta de espaço para colocar a enorme quantidade de lixo produzido pela humanidade. A Califórnia decretou que as suas cidades deveriam reciclar 50% dos resíduos até o ano 2000 ou enfrentariam salgadas multas. A taxa de reciclagem nacional, que era de 16% na época, passou atualmente para 70% em cidades como São Francisco, por exemplo, uma das que detém as melhores taxas dentre as cidades americanas.

Para todo o Planeta, no entanto, nunca se fez tão urgente os três erres: reduzir, reutilizar e reciclar. Não basta descartar o lixo de dentro das nossas casas e empresas. É preciso muito mais. É preciso levar em conta a ameaça que paira sobre toda a população mundial, sobretudo às futuras gerações. É uma luz no fim do túnel saber que pelo menos 35% do material jogado no lixo poderiam ser reciclados ou reutilizados e outros 35% podem virar adubo orgânico. Mas é preciso que toda a sociedade se una em torno da questão para impedir que materiais despejados inadvertidamente em rios, lagoas e oceanos comprometam a vida ainda mais. A reciclagem é a saída não só para diminuir o acúmulo de dejetos, mas também para poupar a natureza da extração inesgotável de recursos e para diminuir a poluição do ar, da água e do solo.

Todavia, é preciso, sobretudo, maior vontade das autoridades, à quem cabe o compromisso de alertar e esclarecer a população, além de disponibilizar uma efetiva coleta do lixo reciclável produzido pela população.

Infelizmente, hoje o empenho, seja da sociedade em geral, seja das lideranças, é insatisfatório. Um exemplo é a capital gaúcha. Embora tenha sido noticiado nos veículos de comunicação que a prefeitura de Porto Alegre estendeu a coleta seletiva a todos os 11 bairros da cidade, a população está confusa pela falta de uma maior divulgação acerca dos dias e horários em que ela ocorre.

É unindo, pois, a boa vontade política e o empenho de todos os cidadãos, que poderemos salvar este Planeta que clama desesperadamente por ajuda. Uma ajuda que pode ser a simples atitude de reciclar o próprio lixo. Certamente a natureza poderá nos recompensar e surpreender por tão modesto sacrifício.

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