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Jornalismo Ambiental

Porto Alegre e o meio ambiente

DSC02367Porto Alegre tem a primeira Secretaria de Meio Ambiente do Brasil, afirma Beto Moesch. Foto: Uriel GonçalvesO vereador Beto Moesch (PP) foi convidado para conversar com os alunos da disciplina de Jornalismo Ambiental sobre a 'Gestão Municipal Ambiental', na última quinta-feira, dia 24 de junho.

Advogado, especialista em Direito Ambiental, ex- secretário municipal do Meio Ambiente, Moesch está em seu terceiro mandato como vereador da capital. Autor de importantes leis municipais, coordenou a elaboração do Código Estadual do Meio Ambiente e o Código Florestal do Rio Grande do Sul.

Beto Moesch  se orgulha dos caminhos que a capital  vem trilhando, quando o tema é a questão ambiental, e diz que Porto Alegre está muito além de outras cidades brasileiras. Também se mostra orgulhoso ao lembrar que a capital dos gaúchos é o berço do ambientalismo, ao criar a primeira entidade de proteção ambiental mundial, a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), fundada em 1971, seis meses antes do Greenpeace.

Mas o outro grande motivo que deve orgulhar os porto-alegrenses, destacou Moesch,  é a Secretaria do Meio Ambiente,  a primeira  do Brasil. A estrutura da pasta fez parte da explanação do ex-secretário, que incluiu suas vitórias e algumas decepções, como ver as questões relacionadas ao meio ambiente ficarem em segundo plano no orçamento participativo. Entre as dificuldades enfrentadas, também, apontou a falta de  apoio de outras secretarias, para obter pleno êxito dos objetivos. E revela " ainda há muito que se fazer na capital".

Entre tantos dados impactantes  que o ambientalista apresentou, um deles refere-se à poluição do ar. Segundo o vereador, o poder público gasta 14 reais por segundo com saúde, para combater problemas respiratórios e cardiovasculares, decorrentes de impurezas do ar. E quando o tema são os resíduos sólidos, Moesch expôs que são recolhidas diariamente duas mil toneladas em Porto Alegre. Para solucionar o problema, conta que criou o projeto "Destino Certo", o qual  prevê a instalação de 'ecopontos' para atender pequenos geradores que possuem material reaproveitável para descarte. Para o vereador, esta é a melhor forma de combater os alagamentos e diversos tipos de doenças. O primeiro posto de recebimento, triagem e armazenamento temporário de resíduos sólidos de Porto Alegre está localizada na Zona Sul.

O palestrante também fez um alerta sobre o projeto de lei do deputado Aldo Rebelo, do PCdoB, que pretende mudar o Código Florestal. Conforme o vereador, se aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça do senado, poderá causar grandes danos ambientais ao Brasil. E conclamou a todos a se movimentarem para a derrubada do projeto.

Para conhecer a realidade brasileira em termos de legislação ambiental, o advogado indicou uma analise da Lei Nacional 6938/81, referente à Política Nacional do Meio Ambiente, e foi contundente ao reclamar dos incentivos que nela estão previstos, mas que não contemplam quem de direito deveria recebê-lo. E exemplificou: "Os agricultores que se dedicam à produção de orgânicos não recebem incentivos fiscais, mas o agricultor que utiliza agrotóxicos recebe. É um absurdo", manifesta Moesch, que  também enfatiza a importância da autonomia do órgão ambiental,  a qual se resguarda em suas leis.

Para os alunos, o ambientalista deixou uma dica: "leiam o Almanaque Brasil Socioambiental", uma publicação do Instituto Socioambiental (ISA), onde estão informações importantes sobre o meio ambiente e a sustentabilidade no Brasil.

De acordo com a acadêmica Juliana Uzeijka, "a palestra foi excelente". Para ela, saber o que está sendo feito na área ambiental em nosso município é fundamental, não apenas para os estudantes de Jornalismo, mas a todos porto-alegrenses. 

A disciplina de Jornalismo Ambiental é ministrada pela professora Lisete Ghiggi, e ocorre no 5° semestre do curso.

 

Currículo ambiental

O vereador Beto Moesch foi co-autor de várias leis municipais e estaduais voltadas ao ambiente natural. Entre elas a Gestão dos Resíduos Sólidos, o Sistema Estadual de Recursos Hídricos, o ICMS ecológico, o Uso e Manejo do Solo Agrícola e a Lei que institui a licença ambiental.

Outro projeto aprovado neste ano pela Câmara Municipal estabelece áreas livres e vegetadas no Plano Diretor de Porto Alegre. Proposto na sua gestão como secretário municipal do Meio Ambiente, prevê para empreendimentos públicos e privados uma reserva, em média, de 20% da área do terreno livre de pavimentação e com vegetação.

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