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Jornalismo Ambiental

A ideia é vestir Pet da cabeça aos pés

pet brasilGarrafas Pet utilizadas na produção do fio são retiradas do lixo e seguem para as usinas de reciclagem. Foto: Jakza

Você já parou para pensar se a roupa que está vestindo respeita o bem estar do planeta? O uso de matérias-primas e processos menos poluentes estão sendo incorporados pela indústria têxtil, que já se deu conta de que não pode ficar para trás na onda em defesa à natureza. A versatilidade das peças e a crescente preocupação dos consumidores por produtos mais ecológicos estão entre os motivos de expansão do setor, a tal ponto que a demanda é maior do que a oferta.

Diversas empresas já investem no setor. E um bom exemplo parte da Maxitex Indústria Têxtil, com sede em Sapucaia do Sul, que colhe os frutos de uma produção ecológica. A empresa é pioneira no país na utilização de tecidos de garrafa 100% PET (Politereftalato de etileno). Há sete anos a Maxitex passou a investir em tecidos e malhas, oriundos de fibras sustentáveis e naturais, produzindo eco-têxteis de bambu, juta, algodão reciclado, bananeira e relançando o PET.

O PET é um polímero que foi desenvolvido em 1941 pelos químicos ingleses Whinfield e Dicson. A partir de 1950, foi  utilizado na fabricação de fibras e somente na década de 70 passou a ser usado na fabricação de garrafas, após cuidadosa revisão dos aspectos de segurança e meio ambiente.

No Brasil, o PET surgiu em 1988 e seguiu a mesma trajetória do resto do mundo. Inicialmente foi utilizado na indústria têxtil e, somente em 1993, ganhou expressão  no mercado de embalagens nacional. Atualmente volta a ter destaque na indústria textil como forma de otimizar a matéria prima e contribuir com o meio ambiente ao reciclar as garrafas pet. O fio PET é transparente, com brilho e leveza, o que auxilia na boa performance do design e facilidade de moldagem. 

As garrafas utilizadas na produção do fio de PET são retiradas do lixo e seguem para as usinas de reciclagem, localizadas em São Paulo. Lá são separadas, lavadas, esterilizadas, picotadas e transformadas em fibra, através do processo de extrusão. Após a transformação, a fibra volta para a Maxitex onde são produzidos os fios, tecidos e malhas. "Já está nos planejamentos da empresa a realização deste processo aqui no Rio Grande do Sul, mas para isso dependemos de um volume maior de reciclagem das garrafas Pet", afirma Robson Lhul, assessor de imprensa da Maxitex. Como apenas 5% das cidades têm coleta seletiva estruturada, o setor trabalha com um índice de 20% a 30% de ociosidade.

A Maxitex, hoje com 100 funcionários, produz tecidos, malhas e confecções para clientes como All Star, Calçados Beira Rio, Levi's, Nike e Mormai, além de exportar 10% da produção para a Europa. Segundo Robson, a onda verde resultou em um crescimento médio de 10% ao mês nos últimos anos e pelos seus cálculos cerca de 38 milhões de garrafas foram recicladas nos últimos sete anos.

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A reciclagem no Brasil

A reciclagem do Pet no Brasil é uma atividade recente, do ponto de vista industrial. A Associação Brasileira da Indústria do Pet (Abipet) realiza, desde 1994, o Censo da Reciclagem, com o objetivo de  mensurar o crescimento deste mercado e informar ao público sua atividade e desempenho. No seu  5º Censo, apresentado no mês de novembro, mostrou que a reciclagem da matéria-prima no Brasil cresceu 9,5% em 2008, alcançando 54,8% do total de embalagens produzidas no país no período. Apenas no ano passado foram recicladas 253 mil toneladas de garrafa Pet, volume que coloca o País entre os maiores recicladores do produto no mundo. Para se ter uma ideia a média européia é de 46% e nos Estados Unidos reciclam 27% da sua produção.

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A onda do consumo consciente pode se mostrar uma boa oportunidade para o Brasil. A abundância de materiais sustentáveis ajuda o País a se posicionar como referência nas roupas ecológicas. Assim como em outros setores preocupar-se com a preservação é mais do que uma tendência, é uma necessidade. Para aqueles que não assumem este papel o futuro se mostra sombrio.

Matéria produzida na disciplina de Jornalismo Ambiental, professora responsável: Lisete Ghiggi

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