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Jornalismo Ambiental

O caminho das águas em Porto Alegre

arroio diluvioDmae usa nove mil toneladas de produtos químicos ao ano para tratar a água que os porto-alegrenses bebem. Foto: Benhur Costa

Um dos principais problemas do Brasil é a falta de saneamento básico. E um dos fatores que agravam esse problema é a crescente poluição dos rios que abastecem as cidades. Conforme dados do IBGE, multiplica-se o lançamento de esgoto in natura nos rios, nas áreas mais populosas do Brasil, e somente 20% recebem algum tipo de tratamento antes de ser lançado nos corpos d'água. Em Porto Alegre, esses dados se reafirmam, pois somente 27% do esgoto é tratado e o restante, cerca de 73%, é lançado in natura no Arroio Dilúvio.

Sabe-se que a falta de tratamento de esgoto resulta num grande investimento que as empresas públicas de tratamento de água têm de fazer para torná-la potável. É óbvio que quem acaba pagando a conta do dispendioso tratamento é o povo, que muitas vezes nem sabe como a água potável chega a sua casa.

Como nos lembra André Trigueiro, no seu livro “Mundo Sustentável”, na cidade de São Paulo, a água antes de ser consumida, recebe em média, 170 mil toneladas de produtos químicos em seu tratamento por ano. No Rio de Janeiro, esse percentual chega a 880 toneladas, nos dias de chuva.

Em Porto Alegre, o nível de tratamento da água não é tão drástico. Conforme a coordenadora de Comunicação do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, Angélica Ritter, são utilizadas cerca de nove mil toneladas de insumos químicos ao ano no tratamento da água. Para ela “A redução nos gastos com o tratamento de água e esgotos, como um todo, não depende apenas dos esforços do DMAE, mas de todos que contribuem com cargas ao Guaíba”.

Isto, sem dúvida nenhuma, só tende a aumentar o uso de produtos químicos para tornar a água utilizável. Atualmente, cerca de seis tipos de produtos são utilizados: oxidantes, fluoretantes, coagulantes, alcalinizantes, adsorventes e sulfato de cobre (algicida).

Fora o tratamento diário, o Dmae mantém grande comprometimento com a qualidade da água. Antes de chegar aos consumidores, ela passa por um processo de tratamento, cuja fase inicial é a captação. Em Porto Alegre, isso é feito em dois mananciais: no rio Guaíba, de onde vêm 96,4% da água bruta, e na Represa da Lomba do Sabão, que colabora com 3,6% da água captada. Desde essa etapa, o Dmae toma uma série de cuidados tais como a análise periódica da qualidade da água dos mananciais, que contribuem para a qualidade do produto entregue à população depois do processo de tratamento.

Para o monitoramento, possui 274 pontos fixos de coleta ao longo dos 3.612 quilômetros da rede de água do município. São coletadas e analisadas mensalmente 950 amostras, número superior ao exigido pela portaria 518/04, do Ministério da Saúde.

Nos últimos verões, em alguns pontos da cidade, a água tratada apresentou gosto e cheiro de terra, devido à multiplicação de algas. “O que ocorre durante o verão é que a floração é favorecida pelas condições climáticas típicas da estação: mais horas de incidência de sol, elevada transparência, baixa turbulência das águas, por conta da diminuição das chuvas e dos ventos, e poluição. Desde o ano de 2005, o Dmae investiu fortemente para minimizar o problema ao aumentar a quantidade de carvão ativado vegetal, um atenuante do odor e do gosto, e de permanganato de potássio”, relata Angélica Ritter.

Dos 27% de esgoto tratado atualmente, a Prefeitura pretende chegar a um índice de saneamento estimado em 77% até 2012. Segundo o coordenador da Unidade de Coordenação Executiva Descentralizada, engenheiro Valdir Flores, o projeto para despoluir o Guaíba está programado para ser executado em uma etapa. Para atingir a meta proposta, a Prefeitura pretende utilizar produtos como: cloreto férrico, polieletrólito e cal. Os processos de tratamento serão executados em uma nova estação de tratamento de esgoto, já em construção no bairro Serraria, na Zona Sul da Capital.

Contudo a pretensão da Prefeitura de tornar o Rio Guaíba próprio para banho não depende somente do resultado deste projeto, pois de acordo com o engenheiro Flores, após a implantação da ETE, “somente as análises de amostras coletadas poderão indicar a balneabilidade dos diversos locais do rio”. E lembra que o Guaíba recebe o esgoto de 1,4 milhão de porto-alegrenses e de mais quatro milhões de habitantes das bacias que o compõem.

Reportagem produzida para a disciplina de Jornalismo Ambiental. Professor responsável: Lisete Ghiggi

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