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Jornalismo Ambiental

A farsa verde

greenwash2Arte de Andy Singer brinca com o conceito de marketing verde utilizado pela publicidade para passar a ideia de empresas ambientalmente responsáveisGreenwash, é um termo criado por ambientalistas para se referir ao falso marketing verde das grandes empresas e que se dissemina mundo afora.

A chamada onda verde está invadindo as prateleiras e catálogos de compra. Mas será que ela realmente tem o objetivo de melhorar o nosso planeta? Com o anúncio da ONU de que se não fizermos algo rapidamente contra o aquecimento global, os resultados podem ser catastróficos, as empresas viraram seu foco comercial para o segmento.

A agência de marketing norte-americana “Terra Choice Environmental Marketing” fez um teste com mil produtos do Reino Unido e Austrália, classificados como “ecologicamente corretos”. O resultado foi surpreendente: 99,9% dos produtos testados eram mentirosos. O erro mais observado foi o de produtos que exploravam um lado ecológico, mas tinham outros aspectos muito agressivos ao meio ambiente. Um exemplo são os eletrodomésticos de baixo consumo de energia que apresentaram um índice de metais pesados elevadíssimo.

Prometer e não comprovar foi o segundo maior índice de erros. Ficou constatado que 26% dos cosméticos alegam não terem sido testados em animais, mas não revelam como foram testados.

O item informações vagas, palavras soltas ou ambíguas, ocupou o terceiro lugar com 11%. “Livre de substâncias químicas”, “atóxico”, “verde”, “100% natural”, entre outras. Mas, vale lembrar que todos os elementos da natureza são químicos.

Algumas empresas abusam de informações óbvias, como é o caso dos fabricantes de aerossóis que indicam não conter CFC, gás nocivo à camada de ozônio, proibido há décadas.

Nesta pesquisa, um produto teve destaque pela mentira impressa na sua embalagem plástica, ao dizer que era produzido 100% com papel reciclado. Já, um cigarro orgânico dizia causar o menor número de males quando comparado aos normais. Propaganda ridícula quando analisamos a infinidade de males ocasionados pelo cigarro. Ele pode ser menos maléfico do que os normais, mas os seus componentes ainda são muitos e mortais.

Em um passeio de sábado à tarde a um shopping, resolvi entrar em uma grande loja de brinquedos. Comecei a ver os jogos de tabuleiros e, em meio a um momento de nostalgia, entre “Detetive”, “WAR”, “Ludo”, “Imagem em Ação” e muitos outros, um me chamou a atenção: o “Banco Imobiliário Sustentável”. O tradicional jogo tem uma versão com todo o seu material feito em papel reciclado. Logo ao lado desta caixa “verde” havia outra versão descrita como “Banco Imobiliário Luxo”, ambos produzidos pela “Brinquedos Estrela”. A versão Luxo apresenta todas as suas cédulas e fichas plastificadas. Não se sabe quanto tempo o plástico leva para ser decomposto, pois ninguém viveu tanto tempo, pelo mínimo são 500 anos. Logo, podemos concluir que a Estrela não tem uma preocupação com a preservação do planeta, mas sim de adaptar os seus produtos para o nicho de consumidores que procuram um pouco de sustentabilidade em suas ações, exatamente o que os americanos chamam de “Greenwash”.

Entre 2007 e 2009 o aumento dos “produtos verdes” foi de 176%. Um pacote de papel A3, com 500 folhas brancas, custa, em média, R$12,00 . O reciclado, do mesmo tamanho e quantidade, custa R$15,00, isto é, 25% a mais pelo produto ecológico.

Olho vivo no momento das escolhas! Ações pró-ambientais são necessárias e têm que ser praticadas, porém, é preciso que o resultado seja verdadeiro!

Artigo produzido para a disciplina de Jornalismo Ambiental, professora responsável: Lisete Ghiggi.

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