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Jornalismo Ambiental

Luxo ou lixo?

secaA escassez de água acirra conflitos entre povos e dificulta a vida nos 40 países mais secos do mundo, a maioria deles na Ásia e na África. Nestes locais um cidadão tem direito, no máximo, a oito litros de água por dia, o que é muito pouco quando, de acordo com os cálculos da ONU, um indivíduo adulto precisa cerca de 50 litros diários para viver.

Enquanto o quadro é sombrio em muitos países, o Brasil se revela riquíssimo quando o assunto é água. Temos a maior concentração de água doce do planeta. Isso tudo é um luxo para os brasileiros, quando lembramos que, dos 70% da água do planeta, sobra apenas 0,6% para a população mundial beber. Mas será que o Brasil preserva esse bem precioso?

Segundo o IBGE, somente 20% do esgoto recebem algum tipo de tratamento antes de ser lançado nos corpos d’água. E pelo que se vê, em nosso Estado o luxo está virando lixo, ou melhor, depósito de lixo. Segundo a Agencia Nacional das Águas, o rio dos Sinos é um dos piores do Brasil, e o rio Gravataí não fica muito atrás. Vale lembrar que ambos deságuam no Guaíba, um rio importante para os porto-alegrenses.

Os rios Sinos e Gravataí abastecem cerca de três milhões de pessoas e, mesmo assim, são tidos como esgoto a céu aberto. O rio dos Sinos nasce no município de Caraá, há 25 km do centro de Santo Antônio da Patrulha, perfeitamente limpo. Depois de percorrer 185 km de extensão, chega em estado crítico ao Guaíba que também é muito poluído. A poluição que ocorre no meio do caminho resulta da falta de consciência de muitos prefeitos, donos de indústrias e moradores ribeirinhos. Tal descaso, somado ao baixo investimento em saneamento básico e à falta de educação ambiental são responsáveis por inúmeros problemas de saúde. Entretanto, Porto Alegre quer mudar esse quadro. E, apesar de atualmente tratar somente 27% do esgoto, pretende chegar, até 2012, a um índice de saneamento estimado em 77%.

O projeto para despoluir o Rio Guaíba custará nada menos do que R$ 586,7 milhões que serão pagos por cada um de nós porto-alegrenses. Além de aumentar o índice do saneamento, a promessa é devolver um tipo de luxo do passado, ao retomar as condições de banho no rio Guaíba. Porém, tomara, que os projetos para a orla não nos impeçam de chegar até o rio para nos banharmos!

Matéria produzida na cadeira de Jornalismo Ambiental, professora responsável: Lisete Ghiggi

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