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Projeto de Webjornalismo

Profissão: barber girl

Sinal de status, força, coragem e sabedoria na Grécia antiga. De honra e virilidade, entre os nobres da Idade Média. No Egito Antigo, eram usados para diferenciar os integrantes da sociedade egípcia. No século XX, sua ausência era sinal de higiene e beleza. Nunca foi consenso, no entanto, hoje, com a cultura hipster e os lumbersexuais, ela, a barba, é moda e difícil é não encontrar um barbudo (ou vários) em cada esquina.

Porém, a barba requer cuidados, muitos cuidados, não é simplesmente deixar crescer. Nossos antepassados já sabiam disso. Fazer ou não a barba remonta há 30 mil anos na história da humanidade. Historiadores apontam que, por volta deste período, nossos ancestrais descobriram, através do uso de lascas afiadas de pedra, ser possível “fazer” a barba.

 

Barber Shops

Das lascas de pedras às lâminas de pedra afiadas, fixadas em cabos de madeira, sendo mais tarde substituídas por lâminas de cobre, os egípcios criaram a profissão de barbeiro.

No Brasil, a chegada do ofício aponta para o início do período colonial com os padres jesuítas. Em 1549, os barbeiros, como os cabeleireiros, eram inseridos nas classificações de artes e ofícios do país como artes distintas.

Da criação no Egito, passando pela chegada ao Brasil com os jesuítas, a velha barbearia vem adquirindo novo formato. Nos últimos anos, uma​ ideia americana vem tomando conta do Brasil. O reduto masculino de navalhas, alfazema e discussões sobre futebol, vem sendo substituído pelas barber shops e seu conceito All in one place (tudo no mesmo lugar). Hoje, homens não vão apenas à barbearia para aparar suas barbas e cabelos, mas também para ouvir música, beber cerveja e falar sobre tudo, não apenas futebol. A alfazema deu lugar a cremes, loções e produtos específicos para os pelos faciais dos barbudos.

O reduto também deixou de ser exclusivamente masculino. Embora, ainda em minoria, as mulheres​ marcam presença entre os profissionais das navalhas. Porém, ainda há muitos tabus e preconceitos com a presença feminina nesses locais. Em Porto Alegre, cerca de 10% apenas dos profissionais da área são mulheres.

 

Barber Girls

Os clientes adentram a barbearia, meticulosamente decorada, encontram à direita o bar com café e cervejas artesanais. À direita uma simpática e tatuada moça. No braço esquerdo, a imagem de Edward Mãos de Tesoura, personagem vivido por Johnny Depp, no filme de mesmo nome. No braço direito, outra tatuagem, a de uma tesoura estilizada. Os desenhos evidenciam o amor pela profissão da barber girl de 22 anos. “Alguns quando vêm pela primeira vez se surpreendem. Esses dias, um cliente marcou pelo Facebook, chegou aqui, quando me viu riu e disse que esperava um gordão barbudo”, diz Carolina Deporte, que há dois anos trabalha apenas com cortes masculinos e barba.

Carolina, que iniciou trabalhando em salões direcionados à beleza feminina, dedicou três anos de sua vida a cursos e workshops antes de passar a trabalhar profissionalmente na área. Ela destaca que foi um início difícil como barber girl. “Não havia preconceito por parte dos clientes, nem dos outros barbeiros, mas sim dos proprietários das barbearias”, diz. A barbeira revela que chegou a ser impedida até mesmo de realizar os testes para contratação: “Uma grande rede de barbearias, aqui de Porto Alegre, disse que eu não passaria no teste, então não pude sequer fazer. Em outra barbearia, disseram que era contra as regras da empresa contratar mulheres”, diz.

Atualmente, Carolina trabalha na Baita Barba Barbearia, empresa de Felipe Ilha, seu antigo cliente. Felipe não gostava do serviço no local onde costumava ir, pois não oferecia muitas opções de produtos aos consumidores. Então abriu sua própria loja e convidou Carolina para ser a responsável pelas tesouras e navalhas. Para ele, ter uma mulher atuando em sua empresa se torna um diferencial: “Os clientes ficam surpresos com o trabalho da Carol, porque ela é muito detalhista e cuidadosa”. Após quatro meses de funcionamento, Felipe diz estar contente com o bom andamento do negócio: “O bairro ‘abraçou’ a barbearia. As pessoas consomem os produtos e sempre voltam buscando novidades”. Ele, inclusive, já pensa em expandir: “se continuar crescendo vou precisar de outro profissional, quem sabe venha outra mulher”, revela Felipe.

Carolina afirma ter hoje cerca de 280 clientes fixos. E os números devem crescer. Rogério Valli, barbudo há quatro anos, seguiu a indicação de um amigo e conheceu a Baita Barba. Acabou, curiosamente, trocando a grande rede que recusou Carolina. “Não tive nenhum tipo de preconceito por ela ser mulher, a única coisa que pensei é que fazia muito tempo que não cortava (cabelo e barba) com mulher. Pretendo sem dúvidas voltar”, diz.

 

Mãos à obra

Os barbudos da nossa reportagem aproveitaram para conferir o trabalho da barber girl Carolina Deporte. Confira no vídeo as dicas de Carol sobre os cuidados que os homens devem ter com a pele do rosto e também com suas barbas.

A Baita Barba Barbearia fica localizada na rua Pinheiro Machado, 52, bairro Independência, próximo ao Shopping Total.

 

Barber girl Carolina Deporte, proprietário da Baita Barba Barbearia Felipe Ilha e os repórteres Carlos Alonço e Moisés Machado

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