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Emancipa Mulheres: uma ponte para um futuro melhor

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No dia 20 de março, foi lançado, em Porto Alegre, o Emancipa Mulher, uma escola de Emancipação Feminista e Resistência Antirracista. O projeto é vinculado ao Emancipa, curso preparatório para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e para o vestibular da UFRGS com foco na educação popular.

A ideia inicial partiu da ex-deputada federal Luciana Genro, que chamou Winnie Bueno e Joanna Burigo para criar um projeto de educação, que visasse tanto a questão do debate sobre feminismo quanto sobre racismo. “Temos objetivo de compartilhar conhecimento com um pouco da bagagem que a gente tem e aprender também com as cursistas sobre essas questões de raça, gênero e classe e como elas influenciam na vida dessas mulheres e na sociedade”, explica Winnie.

 

 

As idealizadoras do projeto salientam que o objetivo do curso é mobilizar e trocar esses conhecimentos sobre feminismo e racismo, que ficam presos à academia, dentro da universidade, local este que não é acessível para todos, e conseguir, junto das participantes, provocar reflexões cotidianas encaixando a teoria em práticas do dia a dia.

Joanna lembra que algumas pessoas experienciam apenas uma parcela dessas questões, como por exemplo, uma mulher branca não experiencia a parcela de questões de racismo, mas como mulher, sente as questões de machismo. Contudo, esse tipo de conhecimento ainda é novo em nossa sociedade, por isso, a importância de haver um espaço dedicado a trabalhar com esses conceitos. “Eu acho que a palavra ponte é a adequada para explicar o que a gente está fazendo com esse curso. De uma certa forma, ao formalizar esse conhecimento como produto de educação, a gente resgata esse conhecimento da torre de marfim da academia e coloca ele em outro lugar, para que ele possa ser usufruído por pessoas que talvez não tivessem esse acesso, a não ser que eles fossem fazer uma pós- graduação. A gente não queria que esse conhecimento ficasse restrito a quem já está fazendo a caminhada da educação formal”, afirma Joanna.

As aulas do curso começam dia 29 de abril e serão organizadas em oito módulos, cada um com uma temática, divididos em quatro sessões. Uma curiosidade é que cada módulo receberá o nome de uma mulher negra que tenha lutado por seus direitos. As meninas também atentam que as aulas terão uma metodologia ativa e não passiva, para que haja a troca de conhecimento. “A gente primeiro precisa saber como é a vivência dela de mulher e as experiências dela como mulher na sociedade para daí achar no corpo teórico coisas que conversem com aquela experiência”, explica Joanna.

A ex-aluna do Emancipa e estudante de Direito na UFRGS, Claricia Domingues, diz que vai participar deste curso pois ela acredita que este irá contribuir para o empoderamento das mulheres. “Acho que as mulheres vão ter acesso não só na história das nossas lutas e poder, a partir disso, se motivar, mas também como uma maneira de acolhimento ao conhecer histórias de outras mulheres e que possam todas se empoderar juntas”, afirma a estudante.

 

 

As aulas serão conduzidas pelas duas, mas salientam que todas as mulheres são bem vindas para dispor dos seus conhecimentos para colaborar com esse projeto, seja fazendo oficinas ou contribuindo nos debates. Outro diferencial é que alguns encontros poderão ser complementados com práticas, como explica Winnie:

 

 

Quando perguntadas sobre as expectativas para esse grande projeto, é que o curso sirva como espaço, não apenas de aprendizado, mas de resistência, mudança e criação de novas narrativas possíveis: “os problemas não são novos, a criação de soluções para eles que é”, lembra Joanna.

Quem quiser participar, as inscrições estarão abertas até 20 de abril e são realizadas exclusivamente por este formulário online: https://goo.gl/CPjicD. As aulas ocorrerão sempre aos sábados, das 14h às 17h30min na rua Manoelito de Ornelas, 55, auditório térreo, próximo ao Foro Central de Porto Alegre.

 

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