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Projeto de Webjornalismo

Ocupação Mirabal: amor e resistência

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Em 25 de novembro de 2016, no Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher, cerca de 100 mulheres ocuparam o prédio número 380, abandonado há quatro anos, na rua Duque de Caxias, antigo Lar Dom Bosco, em Porto Alegre.

A ocupação, comandada por mulheres do Movimento Olga Benário, recebeu o nome de Mirabal em homenagem às três irmãs Mirabal – Patria, Minerva e María Teresa – assassinadas pela ditadura de Rafael Truijillo, na República Dominicana, em 1960.


O objetivo das coordenadoras é transformar a ocupação em um centro de referência para mulheres em vulnerabilidade, já que na Capital, com mais de 700 mil mulheres, há apenas dois centros públicos de ajuda neste segmento, e que assim, não atendem a demanda necessária. Júlia Foschiera, uma das coordenadoras, lembra que, desde a primeira semana de ocupação, a casa já recebeu acolhidas.

A ocupação Mirabal, que tem capacidade para até 60 mulheres, é procurada e frequentada, em sua maioria, por mulheres negras, pobres e de baixa escolaridade, mas Júlia lembra que na casa é aceita toda e qualquer mulher que precisar de ajuda. O local é mantido através de doações e produtos confeccionados pelas próprias acolhidas.

Mais do que apoio, carinho e atenção, as mulheres que procuram a casa também têm acesso, quando necessário, a atendimento médico, psicológico e jurídico, pois a casa possui uma rede de apoiadores que fazem essas assistências, além de contar com professoras e assistentes sociais que auxiliam diariamente. “A gente procura dar todo apoio possível que está dentro do que a gente pode fazer, para que elas voltem a se sentir capazes de voltar a ter uma vida normal, digamos assim”, afirma Claudia Moraes, uma das organizadoras.


A professora e psicóloga Nara Grivot explica que a violência contra mulher é um fenômeno social, pois a violência está na sociedade que é atravessada por uma cultura machista, sexista que acaba culpabilizando essas mulheres, tornando muito mais difícil elas romperem a situação de violência.

Para divulgar os serviços, as organizadoras fazem panfletagem em eventos, e mantêm uma página no Facebook da ocupação, onde há uma vasta divulgação de oficinas, palestras, debates. O canal de comunicação conta ainda com informações sobre as questões da casa com a Justiça, já que o Lar Dom Bosco está tentando reintegração de posse. Outro diferencial da ocupação, é que as acolhidas podem levar desde pertences até animais de estimação, que em outros lares não são aceitos.

Quando falamos sobre as dificuldades diárias, as organizadoras não recuam dizendo que lutar é o verbo principal dentro da ocupação e que cada ajuda é uma vitória.

 

Serviço

Facebook: Ocupação Mulheres Mirabal / @MulheresMirabal
Endereço: Rua Duque de Caxias, 380.
Telefone: (51) 98260-3869


Centro Estadual de Referência da Mulher Vânia Araújo Machado

Endereço: Tv. Tuyuty, 10 – Loja 4 – Centro Histórico, Porto Alegre – RS
Telefone: (51) 3252-8800


Centro de Referência da Mulher Márcia Calixto

Endereço: Rua dos Andradas, 1643 – 3° andar – Centro Histórico, Porto Alegre – RS
Telefone: (51)3289-5102

 

Disque 180 para denúncias

A reportagem também descobriu que há a casa Viva Maria, que acolhe mulheres sob medida protetiva, mas o local não tem endereço nem telefones divulgados para melhor sigilo do local e para manter o trabalho de proteger as vítimas.

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