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Jornalismo Ambiental

Mais do que sombra, qualidade de vida

Com a proximidade do verão aumentam as chamadas ondas de calor e o desconforto causado pelas altas temperaturas nas ruas. Mas tudo isso pode ser amenizado através de um sistema de arborização urbana bem planejado e eficiente, podendo trazer inúmeros benefícios que vão além de uma simples sombra para se proteger do sol.

edRuas do centro de São Leopoldo são pouco arborizadas, contribuindo para as bolsas de calor. Foto: Édson Dutra

Faltam menos de 30 dias para a chegada do verão, que se inicia em 21 de dezembro, mas, ainda na primavera, já está sendo possível sentir um pouco do que a estação mais quente do ano promete trazer. Sol forte, poucas chuvas e temperaturas elevadas devem ser a marca do verão 2019, o que aumenta a possibilidade do surgimento das chamadas bolsas de calor. Esses acontecimentos climáticos costumam se formar em locais pouco arborizados. E basta acompanhar o avançado crescimento imobiliário e a expansão das áreas urbanas para se dar conta de que essas áreas de calor estão cada vez mais comuns e intensas.

Uma das armas mais eficazes contra esses fenômenos de calor nas cidades é a arborização urbana. Em São Leopoldo, 85,4% dos domicílios em vias públicas possuem arborização, segundo a última pesquisa do IBGE sobre território e ambiente, realizada em 2010. Para Luís Marcelo Tisian, engenheiro agrônomo e responsável pelo Departamento de Arborização Urbana (DAU) de São Leopoldo, o índice de arborização municipal é satisfatório e auxilia a cidade a atingir outras metas ambientais.

“Nós estamos buscando aumentar a porcentagem de área verde do município, que engloba a vegetação da cidade numa forma geral. Atualmente, estamos em 21% e a meta é chegar à 30% até 2020. E a arborização urbana está inclusa neste plano”, ressalta ele. Tisian explica que, atualmente, o trabalho do DAU está na reordenação do plantio de árvores realizado no passado. “Foi feito um plantio desordenado, sem um estudo prévio de quais árvores seriam mais adequadas ao local em que foi determinado o plantio. Então, hoje, a cada dez árvores, sete eu preciso cortar, porque estão causando problemas, ou no domicílio, na calçada, na rede elétrica, na própria via pública”, conta.

ed3Árvores do viveiro municipal. Foto: Trajetar.

São Leopoldo, através dos estudos do DAU, conta com uma relação de árvores indicadas para o plantio em casas (calçada e pátio) e também nas vias públicas, alinhado, inclusive, com aspectos de paisagismo e mobilidade urbana. São Leopoldo conta com um viveiro com mais de cinco mil mudas de árvores que são, semanalmente, distribuídas de forma gratuita para a população que deseja realizar o plantio em casa. Junto com a distribuição, os moradores recebem orientações sobre quais as árvores mais adequadas para o plantio (tanto no pátio quanto na calçada). Algumas árvores, como ácer-japonês, camboim, araçá-amarelo e catalpa, podem ser plantadas em ambos os espaços.

Além de trazer sombra e contribuir com o paisagismo local, a arborização urbana melhora a qualidade do ar através da filtragem de gás carbônico e liberação de oxigênio, ameniza a sensação de calor, controla o tempo da queda da chuva em contato com o solo, além de servir de abrigo para animais, principalmente pássaros e insetos, mantendo o equilíbrio da fauna no ambiente.

Podas

edi2Tisian orienta sobre plantio e cuidado com as árvores nos pátios e calçadas. Foto: Diego da Rosa / GES.

As podas, em São Leopoldo, são proibidas por lei, podendo ser realizadas exclusivamente pelo serviço público. A poda ilegal pode resultar em multa. Tisian destaca que um projeto de arborização adequado evita podas drásticas, que muitas vezes, causam a morte das árvores. “Antigamente, as pessoas plantavam uma árvore de grande porte, com o pensamento de que quando ela estiver grande, pode cortar sem problemas. Hoje, a gente já indica e doa mudas de árvores de pequeno e médio porte, além de dar dicas e ministrar pequenas palestras e cursos sobre como cuidar desta árvore durante seu crescimento, evitando podas desnecessárias”, ressalta.

Uma das metas de Tisian, enquanto diretor do DAU, é melhorar a qualidade da arborização da região central da cidade, que é uma das que mais sofrem com as bolsas de calor.

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