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Projeto qualifica futuros profissionais agrícolas

escola giulian cavalliFoto de Giulian Cavalli

A Escola Família Agrícola (EFA) é um programa nas escolas do campo, onde os alunos aprendem como trabalhar no meio rural, mas também, conteúdos do ensino médio, como português e química. A EFA teve início no Espírito Santo em 1969, e após, se espalhou pelo Brasil. Todavia, foi apenas em março de 2009 que chegou ao Rio Grande do Sul.

A EFA tem como característica de ensino a pedagogia da alternância, que consiste em estudar uma semana na escola e outra em casa. O que foi aprendido em aula é transformado em projeto, e aplicado na terra dos pais. O aluno ao retornar para escola, apresenta aos professores um relatório dos resultados da semana. “Hoje, as casas e as EFA’s são modelo de educação que queremos, diz Diana Hahn, Coordenadora Estadual da Juventude Trabalhadora Rural.

 

Projetas da EFA

Os alunos plantam na escola hortaliças, mudas, flores, que são consumidas na merenda ou distribuídas. Um desses plantios é o Relógio do Corpo Humano, um quintal com 12 tipos de vegetais medicinais. Cada erva beneficia uma parte específica do corpo humano. O nome é devido a aparência da horta que lembra um relógio, e também, porque cada planta possui um horário ideal para consumo, no qual se tem melhor aproveitamento da erva.

O estudante Lucas Maziera, de 13 anos, já se encontra na EFA há dois anos. Ele conta que percebeu que queria viver do campo quando recém havia entrado na escola. E hoje, deseja se graduar em Engenharia Agronômica. Dentre todos projetos realizados, o que mais gosta é o Galinheiro Móvel, que pode ser reposicionado facilmente dentro da propriedade. Onde as galinhas contribuem com o tratamento do solo comendo ervas, bichos, o que representa economia com ração para as aves.

 

O cenário atual do campo

Adair Pozzebon, secretário Executivo da Associação Gaúcha Pró Escolas Famílias Agrícolas, diz que o meio rural passa por um problema sério. Um terço das propriedades da agricultura familiar não possui um filho que irá assumir o serviço dos pais, sendo que essas famílias são responsáveis por 70% dos alimentos no país.

A fim de converter tal situação, a EFA procura mostrar aos alunos a qualidade de vida e as oportunidades que há no campo, assim, incentivando os jovens a ficarem no meio rural. Contudo, a EFA tem como objetivo principal fazer com que conheçam a cidade e o campo, e tudo o que eles tem a oferecer, assim, para fazerem a melhor escolha. “A educação que desenvolvemos, nós chamamos de emancipatória, então o objetivo da EFA não é fixar o jovem no campo ou fazer uma formação para que todos permaneçam no campo”, diz.

 

Perspectiva sobre o meio rural

Segundo Adair, é importante desconstruir a visão negativa da sociedade sobre o campo como local do atraso ou de quem não foi sucedido na vida. Mas sim, como um estilo de vida que tem qualidade, talvez mais que a cidade. “Na era da modernidade que vivemos, não há motivo para ficar no campo porque não há outra opção. Então, quem permanece no campo é por escolha de vida”, completa.

Outro pensamento ultrapassado é de quem vive no campo não precisa estudar. “Tem que quebrar o paradigma de que para pegar no cabo da enxada não é preciso ir para escola. Se eu quero ser um agricultor, eu vou ser um profissional, vou fazer mestrado, doutorado”, completa. A EFA formou 5 turmas durante os 7 anos no estado gaúcho, possuindo 151 egressos formados, desses, 89% continuam no meio rural.

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