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Publicidade e Propaganda

21º Festival de Publicidade de Gramado discute a diversidade na comunicação

festival aberturaFoto: Evelin Schneider

A equipe Multiverso participou do último dia do 21º Festival de Publicidade de Gramado. Com recorde de público, os debates trataram da pluralidade na sociedade e a trajetória de profissionais que estão fazendo a diferença no mundo da comunicação. Caco Barcellos e Regina Casé encerraram o evento e empolgaram a plateia.

O dia começou com o painel Mulheres que estão liderando e construindo a diferença. Mediado pela Liana Bazanela, diretora da DeBrito-Sul e presidente do Grupo de Atendimento do Rio Grande do Sul, o tema trouxe reflexão sobre a importância da inclusão, a representatividade das mulheres e o quanto elas movimentam a economia mundial. De acordo com os números apresentados pelas painelistas, as mulheres movimentam cerca de um trilhão de reais. A renda feminina cresceu 33% nos últimos dez anos e cerca de 40% dos lares são liderados por mulheres, principalmente em classes mais baixas. Todavia, apenas 4% dos altos executivos no Brasil são mulheres.

painel mulheresFoto: Evelin Schneider

A diretora da Malagueta NY, Fernanda Romano destacou a falta de inclusão e informou que globalmente apenas 19% dos boards das empresas são ocupados por mulheres. Menos de 5% dos CEOS das maiores empresas no mundo são mulheres e apenas 13% das empresas acreditam que um equilíbrio no board faz a diferença. “É preciso diversidade. Com pessoas diferentes na mesma sala, você tem atrito e conflito, isso gera boas ideias”, afirma. Ela ainda apresentou alguns dados que apontam um cenário desigual quando se trata de mulheres ocupando a mesma posição de homens e recebendo salários menores, o chamado pay gap.

O segundo painel da manhã foi aberto pelo CEO da Talent, João Livi. Ele iniciou declarando que uma boa campanha de TV com conceito renovado é um contundente diferencial competitivo. Defendeu que os profissionais da comunicação, principalmente os publicitários, devem ser favoráveis às mídias on e off-line. Explicou que as duas precisam caminhar juntas sem esquecer as características individuais de cada formato.

Na apresentação, Livi trouxe o case da campanha desenvolvida para o Instituto Beabá, que busca desmistificar o câncer de forma otimista. A partir da hashtag #põefiltro, em resposta a #semfiltro, a ação incentivou o uso de filtro solar, próximo ao Dia Nacional de Combate ao Câncer de Pele. “Com isso, comentávamos nas fotos e pedíamos que as pessoas publicassem imagens de uma hashtag de protetor solar na pele”, explicou. Ele também apresentou ao público um dos cases de maior sucesso na TV, a campanha do Posto Ipiranga – Pergunta lá no posto Ipiranga.

joao liviFoto: Evelin Schneider

O vice-presidente de mercado do grupo RBS Marcelo Pacheco destacou que “hoje é o dia mais lento das nossas vidas, daqui pra frente a coisa só vai acelerar, ela não vai parar.” O mundo está mais fragmentado e a mídia está cada vez mais diversa, “nosso desafio hoje em dia é entender qual é a jornada do nosso consumidor. O que as pessoas estão fazendo e como ela se conectam com a marca”, ressaltou.  De acordo com uma pesquisa divulgada recentemente pela Kantar Ibope, empresa líder no mercado de pesquisa de mídia na América Latina, se uma marca usar somente uma plataforma, o tempo de consumo é de oito horas e 16 minutos, mas, se usar duas, o tempo cresce para oito horas e 40 minutos. Ressaltou que se utilizar seis plataformas, o número se eleva para dez horas e 5 minutos.

“Isso significa que quanto mais coisas você disponibiliza para os usuários, mais eles consomem. Precisamos pensar fora da caixa. O mundo é colaborativo e a resposta não está somente dentro da RBS. Pensamos na jornada do consumidor gaúcho e entregamos produtos relevantes, que o tocam. Temos que pensar no consumidor com a ótica dele e não com a nossa”. Pacheco destacou que as marcas do Grupo RBS conversam com 100% dos gaúchos. Contou uma nova experiência, a integração das redações da Rádio Gaúcha com a Zero Hora. Considerou que isso vai gerar comportamento e experiências diferentes na redação. Dessa união das redações, vai nascer um novo aplicativo chamado Gaúcha ZH. A ideia é ter o dinamismo que a rádio tem com a profundidade de cobertura da Zero Hora, onde os jornalistas vão co-existir no mesmo espaço.

O encerramento do Festival foi conduzido por dois ícones de muita experiência no universo da comunicação, Regina Casé e Caco Barcellos. O jornalista iniciou seu discurso abordando a realidade de um país de extremos. “Todos os dias quando eu acordo, eu penso em duas coisas: quem eu vou conhecer e para onde vou apontar minha câmera”. Ele observa que quando a população de um país vive realidades extremamente distintas, os comunicadores precisam decidir de que lado falar. “É fácil apontar a câmera para onde a sociedade enxerga, difícil é subir a favela”, exemplificou.

caco barcellosFoto: Evelin Schneider

Ele ainda contou que ao longo dos dez anos do Profissão Repórter, a desigualdade social sempre foi um dos temas para escolher a pauta. Caco relatou que a maior parte da imprensa não sobe o morro, apenas acompanha de longe. “Vocês sabem o nome de algum atingido por bala perdida na favela? Se não sabem não é culpa de vocês. Não sabem porque ninguém informou, a culpa não é de vocês é de quem não informou, porque não subiu o morro”. Caco Barcellos ainda participou da premiação, onde recebeu a medalha Maurício Sirotsky Sobrinho, concedida pelo Grupo RBS.

Conhecida por defender a diversidade, Regina Casé ficou responsável por encerrar o Festival. O pavilhão de palestras do Serra Park ficou lotado de estudante e profissionais da Comunicação para prestigiar a The queen of diversity, como ela mesma se definiu no início do seu discurso, relembrando quando participou das Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.

regina caseFoto: Evelin Schneider

Ela chamou a atenção do público para a urgência na mudança de comportamentos. Também defendeu, a partir da exibição de um episódio do extinto Minha Periferia, a quebra dos estereótipos e o rompimento de muros sociais. Ainda, abordou a existência de guetos que dividem as pessoas, que acabam sendo reforçados, segundo ela, pelos algoritmos na internet.

Pautada pela diversidade do início ao fim, aproveitou para contar que, frequentemente, é chamada de hipócrita, pois defende a temática e mora no Leblon, no Rio de Janeiro. “Quero saber onde está escrito que quem mora no asfalto não pode ter amigos na favela? Quem disse que não posso amar alguém porque mora na periferia? Se isso é ser hipócrita, então, eu sou”, evidenciou, aos risos, conquistando os aplausos dos participantes.

regina cacoFoto: Evelin Schneider

 

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