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Fórum da Liberdade

Presidenciáveis, Sergio Moro e debates com auditório lotado marcam o 31º Fórum da Liberdade

Sergio Moro e Antonio Di PietroSergio Moro e Antonio Di Pietro no 31º Fórum da Liberdade. Foto de Tiago Fernandes

 O evento lotou o Prédio 40 da PUCRS com exposições, projetos e painéis de debate. Com capacidade para 2.800 lugares, o auditório esteve completo nos dois dias de programação, que contou com convidados nacionais e internacionais. Foram mais de cinco mil inscritos e 150 jornalistas credenciados, de todo o país, para cobrir o evento.

Com o tema A Voz da Mudança, o Fórum debateu soluções para os problemas na América Latina e apresentou uma exposição de empreendedores que estão inovando nas suas áreas de atuação. Uma das curiosidades foi o estande do Projeto Atlas, que trouxe um jogo de perguntas sobre Bitcoin, um tipo de moeda virtual. “Uma das nossas intenções é universalizar o conhecimento e o uso de Bitcoins”, explica Fabrício Sanfelice, cofundador do projeto.

Outro destaque foram os 15 projetos do Unconference, com o intuito de promover a interação dos empreendedores com o ecossistema do Fórum por meio da troca de opiniões e sugestões. A startup Elysios, que fornece consultoria e programas de hardware e software para melhor desempenho na agricultura, demonstrou o uso de dados e a automação para o campo. “Nós conseguimos diminuir o gasto de água em uma plantação em até 80%”, contou Levi Trevisan, sócio do projeto.

 

A lei e a fama

Sergio Moro 2Palestra de Sérgio Moro, Di Pietro e Adriano Gianturco. Foto de Tiago Fernandes

 

O ponto alto do evento foram as palestras do Juiz Federal Sérgio Moro. Pela manhã, no espaço Arena da Liberdade, o juiz de Curitiba foi ouvido por participantes do congresso que pagaram ingressos para a área VIP. Moro elogiou a posição do Supremo Tribunal Federal em manter a prisão por condenação em segunda instância. A palestra foi transmitida com exclusividade pelos alunos do IPA, através das redes digitais do Multiverso.

À noite, com auditório lotado, a plateia ovacionou o juiz da Lava-Jato. Moro participou do painel ‘A Lei’, ao lado do italiano da Operação Mãos Limpas Antonio Di Pietro e Adriano Gianturco, professor de Ciência Política do IBMEC-MG. Em pouco mais de 20 minutos, Moro evitou se referir diretamente ao ex-presidente Lula, mas repetiu que se sentia feliz com o resultado do julgamento no Supremo. “Não pelo caso especialmente, mas pela ideia de que o princípio de inocência não pode se refletir em impunidade de poderosos. É claro que todos têm direito de defesa. Ninguém quer que um inocente seja condenado. Mas não pode haver um sistema em que pessoas permaneçam impunes só por terem condições de manipular o sistema”. Foi aplaudido demoradamente e de pé pela plateia que gritava seu nome. Do lado de fora, manifestantes pró-Lula protestaram pela sua presença com palavras de ordem e cartazes.

 

Os presidenciáveis

Presidenciaveis 2Pré-candidatos participam do Fórum da Liberdade. Foto de Tiago Fernandes

 

O Fórum da Liberdade foi o primeiro evento no país que reuniu diversos pré-candidatos. Participaram Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede), Geraldo Alckmin (PSDB), João Amôedo (Novo), Henrique Meirelles (MDB) e Flávio Rocha (PRB). Jair Bolsonaro foi convidado, mas não compareceu. Os candidatos tiveram 15 minutos para apresentar soluções políticas, econômicas e sociais para o país. A mediação foi realizada pelo Presidente do IEE, Júlio César Bratz Lamb.

O governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, abriu a cerimônia citando o falecido candidato à presidência, Eduardo Campos, no 26° Fórum da Liberdade. “Não dá para fazer mudanças com a velha política. Esse modelo não vai transformar o Brasil”. Sartori explica que a sociedade brasileira pede por transformações. “Ela se cansou da velha maneira de se fazer política”, disse.

Henrique Meirelles iniciou os pronunciamentos dizendo que o Fórum da Liberdade tem papel fundamental no discurso de políticas públicas no país. “Nós vamos traçar hoje, o caminho do país para os próximos anos”, afirmou. Ele reforça a questão da melhora da qualidade de ensino para capacitar cada vez mais pessoas.

“Não existe outra forma de geração de riqueza, inclusão e conquistas sociais além do capitalismo. Não há como ter isso sem liberdade econômica”, ressaltou Flávio Rocha. Ele destacou que a liberdade política está atrelada à liberdade econômica. “Uma não vive sem a outra”, complementa.

Ciro Gomes alertou que a população não pode se reunir para eventos como o Fórum da Liberdade e esperar ouvir apenas o que é agradável. Sobre a Reforma da Previdência, Ciro diz que essa ação não vai resolver os problemas financeiros do país. “A crise econômica brasileira vai implodir no mandato do próximo Presidente da República”, afirmou.

“O bolsa família representa 0,05% do PIB do Brasil, enquanto, o bolsa empresário é de 5%”, argumentou Marina Silva. A candidata explica que o benefício é importante para as famílias pobres, desde que não sirva como uma ‘bengala’ permanente. Ela também comentou que é essencial investir em educação, pois ela promove a oportunidade de igualdade.

O último candidato a falar, Geraldo Alckmin, criticou o fato do povo brasileiro “trabalhar durante cinco meses em um ano apenas para sustentar o governo com impostos”. Ele expõe que o Brasil precisa se abrir comercialmente e, também, atingir um crescimento econômico que seja sustentável. “Nós vivemos um crescimento cíclico que sobre, mas, depois, cai”.

 

A cerimônia de abertura e os demais painéis

Cerimonia de Abertura PremioFoto de Tiago Fernandes

 

A solenidade de abertura teve como foco a entrega do Prêmio Libertas e do Prêmio Liberdade de Imprensa para o empresário e associado da IEE, Carlos Biedermann e Miguel Otero, do Jornal El Nacional, da Venezuela, respectivamente. “Esse prêmio me enche de orgulho”, disse Biedermann. Para o empresário, “a liberdade continua oprimida por desejos e pensamentos retrógados”. Já Otero disse que é necessário combater de maneira categórica essas ditaduras atuais. “A ditadura tem como primeiro objetivo acabar com os meios de comunicação”, declarou.

Na ocasião, foi apresentada pelo IEE uma proposta de uma nova Constituição Federal Liberal 2018. “Tantas emendas são contabilizadas porque grande parte da política nacional é instrumentada através do texto constitucional. Ao invés de utilizar leis, os governos utilizam a lei máxima nacional como instrumento para materializar seus programas políticos, alimentando, alongando e perpetuando a instabilidade constitucional”, explicou o presidente do IEE. E complementou: “A Constituição que defendemos está baseada em princípios liberais, testados e consagrados pelo tempo na experiência política das nações. Significa colher o aprendizado e a evolução que a História permitiu a tantos países”.

O primeiro painel, ‘Um Novo Trajeto para a América Latina’, contou com a participação do CEO do Jornal EL Nacional, Miguel Otero, o Ex-Presidente da Bolívia, Carlos Mesa e o vereador de Porto Alegre, Ricardo Gomes. Miguel Otero abordou a situação atual da Venezuela e disse que ainda espera anunciar a liberdade em seu país. “Eu, como dono de jornal, tenho certeza que ainda vou anunciar que a Venezuela saiu dessa”. Carlos Mesa analisou que a realidade latino-americana é complexa. “Os dois países mais importantes da região, México e Brasil, propõem grandes questionamentos de diversos tipos”, disse. Ricardo Gomes realçou que enquanto a “constituição permitir um grande Estado, que comanda empregos e empregadores, não permitirá uma economia de Estado”.

Outro interessante painel reuniu o editor do Spiked Online, Brendan O’Neill; a escritora, Lya Luft; e o jornalista, Leandro Narloch; para debater o uso das palavras e o que é o politicamente incorreto. Os intelectuais defenderam o uso livre das formas de expressão como forma de diminuir os preconceitos e as diferenças. Brendan O’Neill disse que o conceito do politicamente incorreto está espalhado em todos os âmbitos: entre os militares, no ambiente escolar, nas relações familiares, nas cidades, na imprensa. "Nos tornamos obcecados com as palavras", disse, exemplificando uma situação em que militares escreveram ofensas aos terroristas em uma bomba.

Lya Luft defendeu o livre uso das palavras e afirma que o uso excessivamente controlado das expressões fomentam a diferença e o preconceito. "O politicamente correto é um dos maiores fomentadores do preconceito", disse, explicando que as palavras não servem só para emocionar, mas também, são instrumento de transformação de ideias. Narloch falou sobre a liberdade de pensamento e disse que as pessoas têm o poder de mudar costumes e criar novos caminhos para a transformação dos padrões. "Quem censura a liberdade, em geral, somos nós mesmos", disse, falando que a sociedade acaba cedendo ao discurso comum da imposição do politicamente correto.

O Fórum da Liberdade promoveu um amplo debate sobre individualismo e coletivismo e os caminhos a serem percorridos para uma transformação na sociedade. Com o tema Agentes da Mudança, o painel contou com Anne Bradley, PhD em Economia e pesquisadora sênior do Acton Institute; Rodrigo Constantino, economista e colunista, e Yaron Brook, presidente do Conselho de Administração do Ayn Rand Institute. A mediação ficou por conta da vice-presidente do Instituto de Estudos Empresariais (IEE), Giovana Stefani.

O empreendedorismo como protagonista também recebeu destaque durante o evento. O painel Empreender para Mudar recebeu Bernardinho, ex-treinador da Seleção Brasileira de Vôlei e empresário; Neil Patel, especialista em Marketing Digital e autor do Best Seller do New York Time; e o escritor e Doutor em Ciência Política, Jorge Caldeira. A mediação ficou por conta de Pedro Maciel Echel, diretor de Comunicação do Instituto de Estudos Empresariais (IEE).

Bernardinho questionou sobre os valores e a importância da humildade de líderes. Salientou que no Brasil um erro não é apenas um erro, é sinônimo de fracasso. “Perder faz parte do processo. Mas, para isso, é preciso saber aprender. E para aprender, é preciso assumir responsabilidades. Os governos não têm responsabilidades”, afirmou. Ele comparou os desafios do empreendedorismo e do esporte. Para ele, as negociações são importantes, desde que não transgridam os pilares que sustentam o negócio. Lamentou que o Brasil é uma nação órfã de líderes. “O país valoriza as pessoas erradas. Deveríamos chamar professores de vossa excelência, e não aqueles que estão aí para nos servir”.

Neil Patel, um dos maiores influenciadores da web e um dos 10 melhores profissionais do marketing no mundo, disse que o Brasil é terra de oportunidade, mas destacou que para empreender é preciso força de vontade e persistência e lembrou que nada é fácil, sendo o erro necessário para o aprendizado. “Se tornar rico não é a chave para se tornar um empreendedor. A chave está em encontrar soluções e ajudar as pessoas”.

Uma palestra especial foi ministrada pelo psiquiatra e escritor inglês Theodore Silrymple. Theodore atuou como médico em uma penitenciária durante um longo período e realizou estudos sobre comportamento e resultados em determinadas sociedades. Citou alguns exemplos de localidades francesas, onde trabalhou na construção de um artigo, em que as pessoas viviam em comunidades precárias, com altos índices de violência e constante desemprego. "Os comércios eram saqueados e os carros quebrados constantemente por grupos que reivindicavam mais do governo", disse, explicando que, embora a educação fosse pública, determinados grupos se achavam diferentes de outros e reclamavam por uma igualdade. "Estamos acostumados a considerar igualdade o mesmo que equidade, e são conceitos diferentes", falou, explicando que equidade é o senso de justiça e que é o que a sociedade precisa.

 

Fotos de Tiago Fernandes

Carlos Biederman
Cerimonia de Abertura - Premio
Criancas
Geral Forum
Jose Ivo Sartori
Lya Luft 2
MBL
Neil Patel
Presidenciaveis 2
Presidenciavel Ciro Gomes
Presidenciavel Flavio Rocha
Presidenciavel Geraldo Alckmin
Presidenciavel Henrique Meireles
Presidenciavel Joao Amoedo
Presidenciavel Marina Silva
Protestos 2
Protestos 3
Publico 2
Sergio Moro 2
Sergio Moro e Antonio Di Pietro
MG 9869

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