· · ·

Live Jornalismo e Publicidade: Rádio IPA transmite programa durante a pandemia

Bruna OFoto: Arquivo Pessoal

Em tempos de isolamento social, vídeo aulas e reuniões virtuais, a Rádio IPA apresentou um programa diferente. O radiojornal produzido na disciplina de Projeto Experimental III - Radiojornalismo, ministrada pelo Prof. Dr. Fabio Berti, foi transmitido em uma live. O Programa de Quinta, comandado pelos estudantes Vinícius Domingues e Matheus Moraes, recebeu a jornalista Bruna Ostermann, correspondente da CNN e o publicitário Alexandre Assumpção, consultor e diretor de criação. Eles falaram sobre as mudanças na comunicação provocadas pela pandemia do novo coronavírus.

O professor Fábio ressaltou o desafio de fazer o programa sem a estrutura que a rádio disponibiliza. No entanto, lembrou que as tecnologias de comunicação facilitaram o contato e oportunizaram a participação dos convidados, além da importância de debater a comunicação neste momento. “Hoje é uma noite de celebração para nós e especialmente de muito aprendizado. Nós contamos com pessoas de referência na profissão, no jornalismo e na publicidade e propaganda, na área de comunicação como um todo, que estão compartilhando conosco”, salienta.

Entre os ‘ouvintes’, alunos e professores dos cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda, que interagiram com diversas perguntas aos entrevistados. Também participaram o Reitor, Prof. Dr. Marcos Wesley e a Coordenadora dos cursos de Comunicação e de Turismo, Profa. Dra. Valéria Deluca. 

Durante a entrevista os convidados responderam aos questionamentos dos apresentadores sobre os desafios que a pandemia trouxe para a Publicidade e Propaganda e para o Jornalismo. Bruna falou sobre a experiência da cobertura desde o início da crise do coronavírus. “No início, era tudo muito novo e ainda se experimentava muita coisa, mas sempre tentando focar em fatos. No Rio Grande do Sul, por exemplo, não se tinha dados de leitos de UTI, somente das pessoas que testavam positivo ou que morriam. Depois, o governo começou a liberar mais informações. Eu sempre que falo de números de casos e de mortes, falo também dos recuperados. É um desafio grande porque está sendo um momento muito difícil, ter que mostrar uma coisa tão triste para informar e conscientizar as pessoas”, afirma. Ela também destacou a chegada da CNN Brasil, no momento em que a crise do coronavírus começava no país. “Eu penso que foi um momento de extrema necessidade de mais um meio de informação para as pessoas acessarem. A CNN já chegou sendo um meio multiplataforma e se tornou a emissora de maior acesso. É possível assistir pelo YouTube e pelo aplicativo”, informa.

A jornalista também falou sobre o papel do jornalismo frente às fake news sobre o coronavírus. “O jornalismo é o meio em que se combate as notícias falsas. Antes mesmo da pandemia isso já acontecia. O problema atual é que existem muitos meios das pessoas se informarem. E elas estão cada vez mais dispostas a ouvirem e lerem só o que elas querem. Eu acho que o jornalismo faz o seu papel, mostrar o que é fake news e o que é verdade”, ressalta. Para Bruna, é importante ouvir todos os lados, dar espaço para o contraponto, contestar as informações e ter a possibilidade de questionar. “Eu penso que o jornalismo tem esse papel hoje. Dar espaço para o contraditório, com alguém preparado para questionar a notícia falsa. Não ignorar, mas mostrar qual é a verdade”, sugere. 

AlexandreFoto: Arquivo Pessoal

O publicitário Alexandre comentou sobre os desafios atuais da publicidade e analisou o comportamento das marcas. Segundo ele, a pandemia está transformando a comunicação. “Muita gente soube se reciclar. Tem produtora fazendo comerciais com um câmera paramentado, conforme as regras de distanciamento. As pessoas gravaram de suas casas e mandaram as imagens e a produtora editou. Então, tem saída. As agências e os profissionais estão se reinventando”, salienta. Outra questão mencionada pelo profissional envolve o lado humano e o posicionamento das marcas. Alexandre citou o exemplo da Magazine Luiza, como uma empresa que tem sido lembrada por se posicionar contra demissões e a favor do isolamento social. “É uma questão fora da comunicação, que transborda o jornalismo e a publicidade. Essas marcas que estão conseguindo ser humanas e verdadeiras, que estão entregando verdade e não somente vendendo, estão se sobressaindo. É o grande momento das marcas pararem de fazer propaganda e mostrarem o que fazem de verdade”, argumenta.

Alexandre também avaliou o cenário do pós-crise no mercado publicitário.  A gente tá fazendo um experimento de massa. “Milhões de pessoas trabalhando em casa, se adaptando, fazendo um novo tempo. Eu acho que vai ter uma diminuição de escritórios, de aluguéis, porque não é necessário. Algumas agências, mesmo fechadas, estão tendo ganho de produtividade. E esse ganho pode compensar as perdas que estão acontecendo”, esclarece. O publicitário entende que haverá um movimento de redução de custos, tanto de alto salários quanto de gastos com produção de materiais. “Os comerciais estão sendo gravados das casas das pessoas e se manda tudo para uma montagem. Fica mais verdadeiro, emocional e interessante. Tudo está sendo revisto, refeito. Eu acredito e espero que a gente vai sair dessa pandemia melhores profissionais. Chegou a hora de se adaptar rapidamente a um novo tempo”, analisa.

Se você perdeu o Programa de Quinta ou quer rever as entrevistas, é só clicar aqui.

Postar comentário

0
  • Nenhum comentário encontrado

· · ·