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Aula online de Jornalismo de Dados debate o midiativismo e o cenário investigativo na pandemia

Bruno FalciFoto: Arquivo Pessoal

O jornalista Bruno Falci, correspondente da Rede Jornalistas Livres, em Lisboa, participou de um bate-papo com os alunos da disciplina de Jornalismo de Dados. Com a mediação da Profa. Dra. Sandra Bitencourt, a aula online proporcionou um debate sobre as ‘Condições e cenários do jornalismo investigativo no Brasil e na Europa em tempos de pandemia’. 

Conforme a professora Sandra, o encontro é uma oportunidade para os alunos entenderem como funciona uma cobertura investigativa durante um período de crise como a pandemia. “Nunca antes houve um tema predominante, com possibilidade de cobertura em tempo real, em praticamente todos os países do mundo. A gente está diante de uma situação nova para o jornalismo”, salienta. O trabalho final da disciplina é uma reportagem investigativa que aborde os impactos e consequências da crise causada pelo novo coronavírus na saúde.

Bruno Falci iniciou a fala explicando o que é e como atua a Rede Jornalistas Livres. Segundo ele, a rede pratica o midiativismo, um conceito atual e que se distancia da mídia que tenta pregar uma neutralidade. “Nós não fazemos um jornalismo tradicional, que é conhecido e estudado nas universidades. Nós fazemos um jornalismo contra hegemônico e é isso que alguns professores chamam de midiativismo”, esclarece. O jornalista salientou que o midiativismo surgiu como uma forma de implementar uma comunicação mais democrática, para gerar potencial crítico e político no público. E isso foi possibilitado pelo surgimento de novas tecnologias digitais. “Nós usamos equipamentos simples e baratos, para fazer o nosso trabalho. O equipamento principal de um midiativista é o celular”, destaca.

Ele conta que sempre teve interesse pela temática internacional e por isso, migrou para outros países e se envolveu com as questões políticas e sociais. “Estamos conectados. E uma das coisas que a gente aprende nos Jornalistas Livres é tentar nos conectar cada vez mais, não só localmente, mas globalmente”, enfatiza. Segundo Falci, a rede possui diversos colaboradores que trabalham em vários estados no Brasil. Por morar em Portugal, país com muita migração brasileira, Bruno ficou encarregado de tentar criar um grupo internacional dos Jornalistas Livres. “Falamos a mesma língua, temos história em comum, memória, passado. Portanto, era um local ideal para tentar ampliar a nossa rede e alcançar um trabalho mais internacional”, explica. O objetivo da organização é se colocar em contato com movimentos sociais locais alinhados com os princípios que defendem.

O jornalista mostrou algumas reportagens investigativas realizadas durante a pandemia, em Portugal. Ele esclarece que todos colaboradores da rede possuem autonomia para buscarem as próprias pautas, e abordam questões que não são mostradas na mídia tradicional. Um exemplo citado foi uma matéria sobre os brasileiros presos no aeroporto em Lisboa no começo da pandemia, quando fecharam as fronteiras. Para contar a história, o acesso às redes sociais dos Jornalistas Livres foi passado a essas pessoas, que registravam as denúncias ao vivo. “A própria pessoa que está vivendo esse problema é o jornalista. Uma série de pedidos de ajuda de brasileiros presos no aeroporto chegou até nós pelas nossas redes de contato. Nós procuramos a embaixada, mas não conseguimos ir até o aeroporto porque a maioria dos estados estava em quarentena obrigatória. Então, nós empoderamos as pessoas que estavam lá a se transformarem em repórteres”, relata. Falci afirmou que essa é uma das formas de fazer jornalismo, de ir além de um mero relato de acontecimentos e buscar um diálogo direto entre cidadãos e jornalistas.

 

A Rede Jornalistas Livres

Foi fundada por 30 comunicadores em março de 2015 e se caracteriza como mídia digital contra hegemônica. Intitulam-se como um novo movimento social surgido para enfrentar a escalada da narrativa de ódio, antidemocrática e de permanente desrespeito aos direitos humanos e sociais, em grande parte apoiada pela mídia tradicional. 

A rede de coletivos busca um jornalismo humano e humanizador, baseado em personagens da vida real. Lutam pela democratização da informação, da comunicação e da vida em sociedade. Produzem reportagens, crônicas, análises e críticas, comprometidos em informar em defesa da cidadania e do combate às desigualdades. 

Para saber mais, acesse: https://jornalistaslivres.org/

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