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Artigo

Liberdade de imprensa: a verdadeira maneira de armar a população

Liberdade de ImprensaFoto: Google Imagens

O Brasil está sendo governado por um presidente de extrema-direita que já mostrou a que veio: destruir as instituições democráticas e tentar implantar um regime autoritário. É o que ocorre em todas as áreas da sociedade como educação, pesquisa, relações de trabalho e cultura. 

Para percorrer este caminho, o presidente Jair Bolsonaro elegeu duas estratégias essenciais: combater a imprensa, a liberdade de informação e opinião e a utilização de fake news. O chamado "gabinete do ódio” construiu uma rede operacional de sites, redes sociais e blogs que se ocupa de difamar pessoas, tentar destruir reputações e aumentar a base de apoio do governo. De tão escandalosa que esta rede se tornou, está sendo alvo de investigação do Supremo Tribunal Federal, em ação relatada pelo ministro Alexandre de Moraes. 

De outro lado, os profissionais que realizam cobertura presidencial para os veículos de comunicação vêm passando por constrangimentos e agressões desde a posse do atual governo. Neste dia, os jornalistas foram submetidos a péssimas condições de trabalho, falta de conforto e dificuldade de acesso a informação. Depois, o famoso cercadinho no Palácio da Alvorada serviu de território para que a imprensa ouvisse de Jair Bolsonaro os mais ofensivos desaforos, demonstrações de descompostura e ordens de “cala a boca”. Por causa deste clima de guerra, muitos veículos decidiram retirar seus setoristas da cobertura diária no Palácio da Alvorada. 

Como se pode ver, o presidente Jair Bolsonaro elegeu o campo das ideias e informações como um dos principais pontos de disputa de hegemonia política. Neste dia Sete de Junho, dia da Liberdade de Imprensa, o Brasil tornou-se um campo fértil para se escrever sobre a importância social da informação livre, correta e verdadeira. E, por esta razão, pode-se afirmar, que a estratégia de confronto do atual governo está sendo derrotada. A chamada mídia tradicional, comandada por grupos de comunicação e jornalistas independentes não se intimidaram com a truculência governamental. Ao longo do tempo, a imprensa tem divulgado um conjunto de informações que ajudam muito a sociedade a entender o que está ocorrendo. Assim foi na divulgação da reunião ministerial do dia 22 de abril, em que, além da linguagem de baixo calão utilizada pelos participantes, surgiram informações sobre tentativas de interferência na Polícia Federal, desejo de prisão de Ministros do STF e desregulamentação total das leis ambientais.  Mas o jornalismo ético e a liberdade de imprensa não é feito somente de críticas e opiniões contrárias. Divulgação de fake news à parte, deve-se respeitar os veículos e jornalistas que optaram em valorizar aspectos positivos do atual governo. Afinal, liberdade de imprensa é isto, atividade profissional que abre o campo das ideias e disputas de uma forma equilibrada. 

É, no entanto, constrangedor para nós jornalistas e professores termos que lidar com um governo eleito que vê na informação bem apurada e divulgada uma inimiga das suas intenções políticas. A decisão de retardar e manipular dados sobre a expansão da Covid-19 no Brasil é mostra disto. Há, de parte deste governo, a tentativa de esconder a realidade de uma pandemia trágica que já levou milhares de vítimas. O jornalismo e a liberdade de informação estão protegendo reputações, esclarecendo manobras e trabalhando para que situações como estas sejam evitadas. Neste momento em que o governo tanto fala em armar a população, a verdadeira munição de combate à truculência e ao fascismo está posta: liberdade de imprensa.  

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