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I Jornada Acadêmica IPA: Cursos de Comunicação debatem a responsabilidade na profissão e os desafios do empreendedorismo

Fotos Palestras dia 19Foto: Arquivo Pessoal

A I Jornada Acadêmica IPA começou com bate-papo e troca de conhecimentos para os alunos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda. Na noite de segunda (19), a jornalista Jucinara Schena e o publicitário Jonathan Souza, egressos dos cursos, compartilharam as vivências do mercado com estudantes e professores. 

A coordenadora da Escola de Comunicação e Hospitalidade, Profa. Dra. Valéria Deluca mediou o debate. Ela ressaltou a importância da participação dos ex-alunos nos eventos da instituição. “Nos cursos de Comunicação, nós temos preferência por trazer egressos para contar as suas experiências e mostrar que o mercado recebe de braços abertos quem tem uma formação diferenciada e quer conquistar seu espaço”, destaca.

Jucinara falou sobre o cenário político no Brasil e a responsabilidade dos profissionais do Jornalismo. A jornalista apresentou uma síntese do trabalho que desenvolveu na tese de Doutorado. “Eu trago uma perspectiva, uma proposta de pensar uma parte da responsabilidade de nós, jornalistas, na comunicação. Transformei o que era a minha inquietação quando cursava Jornalismo nessa investigação do Doutorado”, conta.  Ela ressalta que é preciso ter consciência do próprio discurso, daquilo que se comunica.

Fotos Palestras dia 19 2Foto: Arquivo Pessoal

A jornalista relata que o questionamento sobre a responsabilidade profissional ao fazer comunicação de massa guiou as pesquisas. Para a tese, Jucinara investigou a etimologia da palavra ideologia e como é usada no contexto político. “Tem muito discurso político no Brasil que usa a palavra ideologia de forma totalmente errada”, afirma. Um dos motivadores do trabalho, segundo a pesquisadora, foi entender o que leva a definir determinado veículo de comunicação como de direita ou de esquerda. “Em geral, a audiência não tem claro o que é direita ou esquerda, conceitualmente. Não existe só uma proposta. Direita e esquerda é uma forma simplificada de ideologia política”, esclarece. O objetivo da pesquisa era encontrar um modelo para poder analisar, de acordo com os dados do discurso, e explicar porque um artigo ou jornal tem uma determinada ideologia política. Jucinara analisou o editorial dos jornais brasileiros mais lidos e o resultado foi a criação de um modelo que utiliza quatro classificações ideológicas, sem a relação esquerda/direita.

Para Jucinara, com essa análise fica mais fácil entender qual o discurso e o posicionamento político do veículo. A pesquisadora afirma que o jornalismo deve promover a compreensão de perspectivas da realidade e estimular o questionamento. “O Jornalismo tem que ter uma conexão com a realidade. Não existe jornalismo neutro, mas ele pode ser plural, considerar as questões sociais, a melhoria da sociedade e não mais divisões”, pontua. Ela considera que o papel do profissional da comunicação deve contemplar essas questões, de forma a ampliar o debate e não a limitá-lo. “A gente escolhe quais os valores notícia que vão para o texto. Temos a possibilidade de oferecer mais perspectivas ou restringir, de oferecer uma informação plural ou oferecer uma informação que vai alimentar um extremo ou outro. A nossa profissão tem uma função social”, conclui.

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Jonathan Souza trouxe para o debate as experiências no empreendedorismo. Falando sobre como a crise também é uma oportunidade, o publicitário explicou que, para começar, é preciso diferenciar invenção de inovação. “A invenção é mais baseada em gerar uma ideia ou conceito. Ela é criada totalmente do zero. A inovação pega algo que já existe e transforma em uma coisa nova. Uma invenção só vira inovação quando o mercado aceita”, afirma. Ele apresentou a Publicidade Popular, da qual é sócio, e contou como iniciou a agência, fundada em 2012. 

O foco da Publicidade Popular são as micro e pequenas empresas. Segundo Jonathan, essas organizações correspondem a cerca de 90% do mercado e não eram atendidas pelas agências. “Nós tentamos criar uma experiência nova dentro do mercado gaúcho, que é bem complicado. E mais complicado ainda é o mercado das agências e mídias”, relembra. A empresa transformou serviço em produto. “A gente transformou a maneira de como as pessoas faziam para contratar um site. A ideia era ‘produtizar’ serviços. Nós queríamos que as pessoas pudessem comprar serviços como compram um tênis ou uma passagem aérea”, revela. As vendas dos produtos são 100% online e os valores são mostrados no site. Outro diferencial, aponta o publicitário, era anunciar em mídias que não eram utilizadas, como o rádio. 

Fotos Palestras dia 19 1Foto: Arquivo Pessoal

No início, a agência trabalhava com três produtos. Atualmente, são mais de quinze serviços disponíveis, além de também ter ampliado os clientes. Jonathan explica que estabeleceram um posicionamento para tornar a comunicação das micro e pequenas empresas profissional e acessível. E esse se mantém o foco da Publicidade Popular até hoje. “Não quero que a agência perca o propósito para qual ela nasceu”, garante.

O publicitário afirma que o cenário de crise é uma oportunidade. Ele ressalta três fatores que considera importantes para uma empresa trabalhar: oferta de produtos atrativos, canal de vendas específico e atendimento acima da média. Jonathan também destacou a relevância da criação de conteúdo com valor. “No futuro, a internet vai estar dividida em quem cria e quem consome conteúdo”, avalia. Além disso, salienta que a comunicação está em constante evolução. “O nosso mercado recomeça de dois em dois anos. Tem uma coisa nova acontecendo”, enfatiza.

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