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Ética

Ética e publicidade infantil pautam aula inaugural da PP

Gaspar 1Foto de Gaspar CorrêaA resolução 163/2014, do Conselho nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), considera abusiva a publicidade e comunicação mercadológica dirigida a crianças com a intenção de convencê-las ao consumo de qualquer produto ou serviço. Tendo isso em vista, o curso de Publicidade e Propaganda do IPA acolheu, na última quinta-feira (20), debate sobre a ética das iniciativas publicitárias voltadas ao público infantil.

O encontro contou com a presença da Drª Mariângela Toaldo, professora adjunta do curso de Publicidade e Propaganda da Ufrgs. Ela pondera que há um problema generalizado face à ética e cita Humberto Eco: “A ética começa quando entra em cena o outro”. Dividindo o espaço com mais de uma pessoa, explica, aquilo que um indivíduo fizer pode afetar os outros. Ser ético, na visão dela, é assumir valores. “Os valores éticos são uma baliza que equaliza as relações humanas”, destaca.

O profissional de Publicidade se relaciona com inúmeros “outros”. Mas quem são os “outros”, a professora questiona. E responde: o público, clientes, concorrentes, fornecedores, acionistas, etc. Entre os públicos fiéis, estavam as crianças. Agora, entretanto, as agências devem conviver com as restrições impostas pelo Conanda. Mariângela ilustrou sua apresentação com produções audiovisuais, voltadas para o público infantil, que tinham apelo agora proibido pela resolução, como é o caso dos esquetes das ‘

’, populares na década de 1990.

O principal argumento da normativa do Conanda atina a aspectos da formação dos pequenos. Algumas campanhas podem afetar a percepção. Mariângela conta que o objetivo era proibir todo tipo de Publicidade para crianças. O motivo? Muito publicitários trabalham com o enfoque nas crianças, mas não o fazem de forma ética, isto é, apelam para o consumo de produtos ou serviços. Assim, a professora reforça a necessidade de o profissional ser bem formado e informado.

Gaspar 2Foto de Gaspar CorrêaMariângela orienta conhecer bem o assunto que se pretende trabalhar. Explica que o público anda cada vez mais crítico em relação à Publicidade, pois, não raro, as pessoas se ofendem com alguma campanha. “Aí o trabalho que vocês demoraram um mês, vai sair do ar. O cliente vai cobrar o porquê de vocês não terem se instruído sobre esse problema”, analisa.

Aos alunos, encerrou desejando sucesso e cuidado em futuros projetos.

 

Publicidade abusiva

O art. 2º da resolução considera abusivos os seguintes aspectos:

I - Linguagem infantil, efeitos especiais e excesso de cores;

II - Trilhas sonoras de músicas infantis ou cantadas por vozes de criança;

III - Representação de criança;

IV - Pessoas ou celebridades com apelo ao público infantil;

V - Personagens ou apresentadores infantis;

VI - Desenho animado ou de animação;

VII - bonecos ou similares;

VIII - promoção com distribuição de prêmios ou de brindes colecionáveis ou com apelos ao público infantil;

IX - Promoção com competições ou jogos com apelo ao público infantil.

 

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