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Zero Hora

Rubem Rocha e um clique “Assustador”

IMG 2160Foto de Rubem Rocha

Na última quarta-feira, um espetáculo lindo, embora perigoso, cortou os céus da capital de todos os gaúchos. A tempestade elétrica, quando cerca de 16 mil raios tocaram o solo gaúcho, foi o prelúdio de um temporal que devastou parte da cidade. O granizo destruiu carros e casas, o vendaval arrancou árvores e a chuva intensa tornou a enchente ainda maior.

O espetáculo atípico e assustador dos raios que cortavam o negro da noite encantou o estudante Rubem Rocha, que registrou tudo em fotos. Um dos seus cliques ganhou a capa do jornal Zero Hora de quinta-feira. O Universo IPA conversou com Rubem sobre esse registro, a relação com a fotografia e os planos para o futuro.

Rubem por Rubem?

Tenho 24 nos, entrei no IPA em 2013, retomando o curso de jornalismo que tinha abandonado em 2009. Me considero um cara persistente e com muita vontade de aprender. Sempre tive gosto pela escrita e pela leitura, mas também muita vontade de trabalhar com audiovisual. A escolha pela área da comunicação veio da vontade de aliar essas práticas a algo que pudesse ser útil também para outras pessoas e a informação é uma coisa essencial para todo mundo.

capa zhTeu registro fotográfico ganhou a capa da ZH. Como é a tua relação com a fotografia?
Houve uma época em que eu assistia muito filme, depois essa febre diminuiu. Cheguei a fazer cursos de cinema, o que me trouxe uma noção de como funciona uma câmera. Nos estágios sempre precisei fotografar e com as cadeiras de Fotojornalismo e Fotografia comecei a aliar a teoria com a prática. Gostava dos resultados que dos meus trabalhos e comecei a me interessar mais, a tentar me aperfeiçoar. Além disso, no jornalismo o fotografo é o cara que tá sempre na linha de frente. Diferente das outras funções, o fotógrafo não pode fazer o trabalho dele por telefone ou por e-mail. A adrenalina de estar cara a cara com o fato vicia.

Em meio a um dos mais fortes temporais que atingiu Porto Alegre e região metropolitana, como foi optar pelo registro fotográfico?
Eu estava em casa, fui fechar a janela porque vi que ia chover, mas com aqueles relâmpagos e raios cruzando o céu acabei mudando de ideia. Vi que aquilo que estava acontecendo não era normal. O que me fez pegar a câmera foi considerar aquela tempestade de raios um fato inusitado. Comecei a tentar fotografar o momento em que o céu ficava claro como dia. Descarreguei as 20 fotos que tinha feito, ainda sem ter certeza se valia a pena mandar para algum jornal. Uma dessas mostra o céu claro como se estivesse amanhecendo. Um raio caindo em outra região da cidade, que ficou escura, e outras bem ruins.

Peguei a câmera de novo e voltei pra janela. Daí o vento já tinha aumentado e os trovões já estavam mais altos. Então passei a mirar em direção às antenas do morro que alguns chamam de Morro da Embratel, mas que também é conhecido como Morro da Polícia. Mirei ali já pensando que, se desse sorte de pegar o momento exato da queda do raio, a composição ia ficar bacana, porque é uma boa perspectiva da cidade, etc. Comecei a tentar adivinhar onde o raio caia, mas sem mexer muito na câmera, pra não tremer. Daí surgiu aquele petardo luminoso que parecia do tamanho da cidade. O ISO estava no máximo e para ganhar profundidade fechei o diafragma em mais ou menos uns 18 pontos, a velocidade deixei em 1/30 mais ou menos. Isso tudo já estava ajustado desde a primeira foto, é claro. Foi a última foto que fiz. Fechei a janela. Eram 22h15, mas só consegui mandar o e-mail para o jornal que publicou quinze minutos depois, porque a internet já estava encrencando.

Qual a câmera usada para o registro?
Uma Canon T3.

De onde ela foi tirada?
Da janela do quarto de minha casa.

Quantos cliques até chegar ao registro perfeito?
44!

É um hábito fazer esse tipo de registro?
Fazia tempo que eu não saía para fotografar. Desde agosto, eu acho. Por falta de segurança e tempo também. Está complicado sair pra rua com uma câmera na mão ultimamente.

Muitos pensariam em publicar nas redes sociais a imagem. Como tivestes essa ideia de enviar a ZH?
Pensei em mandar para a Zero Hora porque vi que aquilo era atípico. Eu poderia postar no Facebook e ganhar alguns likes, mas não sou muito de publicar em redes sociais (junto com 44% dos usuários do FB), apesar de acessar bastante. Naquele momento eu estava trabalhando, praticando aquilo que aprendi, não podia jogar de graça na rede e desvalorizar meu trabalho. Se ninguém comprasse eu postaria no Facebook.

Considerando que o jornal tem uma equipe respeitável de profissionais, como foi a receptividade do teu material?
Foi bem recebido. Mandei para três pessoas do jornal e as três me responderam minutos depois. Liguei para lá. Estavam com pressa por causa do fechamento, mas muito a fim de publicar. Me deram o preço e eu aceitei. Já nem tava ligando mais pra grana, nessa hora já estava satisfeito, porque além do portfólio, vale como reconhecimento do meu trabalho. Algumas fotos minhas já saíram em jornal, mas até então nunca na capa.

Depois deste feito, muda o teu foco no jornalismo?
Com certeza isso vai pesar. A imagem é a forma mais rápida de passar informação, e é por aí que vou seguir.

IMG 2113Foto de Rubem Rocha

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