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UAM

Spritzer, cartunista do jornal Hienas

 MG 7148Cartunista empolga alunos da UAM. Foto de Moisés Machado

Ele quase foi médico. Em pleno curso de Medicina na UFRGS, acabou com o sonho da família, em especial da mãe Raquel, ao optar pelo jornalismo. Ex-vendedor de enciclopédia e mousse de chocolate, foi roteirista da Globo e do SBT, antes de se transformar num dos mais renomados cartunistas gaúchos. Esta figura simpática e bem humorada é o jornalista Cláudio Spritzer, que há 26 anos mantém em circulação o jornal ‘Hienas’, periódico que já rompeu a barreira do sul para conquistar os paulistas. A convite das professoras de Leitura, Literatura e Rádio, Spritzer veio ao IPA, na quarta-feira (20/10), para um bate-papo com os alunos da UAM.

Carismático, talentoso, culto e criativo, foram os adjetivos que o cartunista arrancou de alunos e professores, que se mantiveram atentos e descontraídos por quase duas horas. Após relatar com humor suas peripécies, até se consolidar no cartunismo, o jornalista não mudou o tom para explicar de forma didática as semelhanças e diferenças entre cartum e charge; ambos desenhos humorísticos e de caráter extremamente crítico. Segundo Spritzer, os cartuns são mais atemporais, enquanto a charge retrata temas em destaque no dia a dia, razão pela qual é o gênero mais freqüente nos jornais diários.

Para o jornalista, que também é autor de quatro publicações sobre o cartum*, o gênero não se destinam a rir. “É para provocar a expressão: humm; é uma sacada com humor”. E explica: “Quanto mais cirúrgica e hermética for a sua construção, menor será o seu alcance”. Portanto, a riqueza de elementos para compor a idéia é muito importante.

Questionado sobre as habilidades de um cartunista, Spritzer surpreendeu ao afirmar que “não há necessidade de ser um bom desenhista”. Por serem gêneros diferentes da ilustração, tanto o cartum quanto a charge exigem habilidade de expressão, para que a ideia seja compreendida, com poucas ou, até, nenhuma palavra. Contudo, afirma que as preocupações do cartunista, ao desenhar, estão na fisionomia, no cenário (com poucos elementos) e na caricatura.

Com a destreza de quem domina o traço, mostrou que vários detalhes do desenho são eliminados para dar mais agilidade. “Dificilmente vocês verão uma mão desenhada com os cinco dedos”, exemplificou o cartunista, ao rabiscar uma caricatura o quadro. Após retirar alguns elementos e inserir outros, a platéia concluiu rapidamente de que se tratava da presidente Dilma. Na sequência, a caricatura deu lugar ao Ronaldo fenômeno e ao Ronaldinho gaúcho.

Segundo o jornalista, a base do cartunista é a informação. Então, mais do que nunca, é preciso estar conectado a tudo o que acontece no dia a dia, além de ter uma boa dose de espírito crítico. No jornal Hienas, onde o público é variado, o cartunista costuma inserir diferentes níveis de cartuns destinados aos que dominam total, parcialmente ou que não costumam ter contato com a forma de expressão, a fim de despertar o seu gosto.

Sobre a sua rotina na produção do periódico, revelou: “Inicialmente me concentro na obtenção dos patrocínios e, só depois, programo três ou quatro dias para uma imersão total”. E concluiu: “tenho que me disponibilizar para isso”.

Antes de finalizar o bate-papo, com base em um cartum do último exemplar do Hienas, o palestrante foi desafiado a responder a questão: O Brasil tem saída? E a sua resposta foi: “Sim. Está difícil, mas se não for agora, não sei! Adepto ao impeachment, apesar de ter votado em outras eleições no PT, o jornalista se revelou ‘apartidário’. E quando questionado sobre quem substituiria a atual presidente, respondeu: “Isso se resolve depois”!

 MG 7104Foto de Moisés Machado

 

Publicações de Cláudio Spritzer

  • Estamos Grávidos, com cartuns que retratam a gravidez;
  • Os cartuns do Spritzer, coletânea com cartuns publicados no Jornal Hienas;,
  • ELKE & BERTA, As Tias, com cartuns exclusivos das duas personagens e
  • O Domador de Hienas, que relata parte da sua vida e usa como fio condutor, a estória do jornal de cartuns que, de forma obsessiva e idealista, ele mantém por um quarto de século.

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