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Bate-papo

A grande reportagem e o empreendedorismo

valeria 01Professora Valéria, Andreas Muller e Ricardo Lacerda. Foto de Carol Riet

Os jornalistas Andreas Muller e Ricardo Lacerda, sócios fundadores da República - Agência de Conteúdo, compartilharam suas experiências sobre produção de reportagens e a gestão em Comunicação. Foi um bate papo descontraído e cheio de informação. A palestra foi uma iniciativa da disciplina Redação e Expressão Oral II, ministrada pela Profa. Dra. Valéria Deluca. Os alunos do 1º, 2º e 4º semestres, do curso de Jornalismo do IPA, participaram da atividade.

Fundada em abril de 2012, em Porto Alegre, a República é uma empresa especializada na produção, redação e edição de textos jornalísticos e institucionais. Atualmente, conta com uma equipe formada por seis jornalistas e trabalha com diversos veículos de comunicação e empresas no Estado e no país, como as revistas Amanhã e Superinteressante.

Andreas lembra que o início da agência foi numa pequena sala, com três computadores e um telefone. Como eles não tinham capital de giro, algumas dificuldades foram surgindo, entretanto, a empresa prosperou. Para ele, é preciso ter coragem para assumir os riscos de empreender. “O medo da questão financeira atrapalha no andamento do negócio. Hoje a República não tem concorrentes, digamos assim. O receio de se aventurar faz com que haja poucos empreendedores nessa área”. Ricardo completa enaltecendo: “Somos jornalistas de fato e amamos o que fazemos”.

Atuando na revista Amanhã, a dupla adquiriu experiência e resolveu, então, montar seu próprio negócio. “Como a Amanhã contratava muito freelancer, nós decidimos oferecer os nossos serviços para ela, para que nós fizéssemos o trabalho dos freelancers”, revela Ricardo, que além de trabalhar para a revista Amanhã, também foi editor da revista Aplauso. Andreas foi editor da revista Amanhã por mais de dez anos e atuou em diferentes publicações institucionais e jornalísticas. Junto com o jornalista Ricardo Lacerda começaram a prospectar novos clientes, expandindo a produção de textos. E essa variedade de publicações é tida como um dos pontos altos do trabalho da agência, como destaca Andreas. “Escrever para diferentes veículos auxilia na adaptação do texto, da linguagem do público”.

Tanto Andreas quando Ricardo salientaram que o trabalho de lapidação do texto é muito importante para o resultado final da reportagem. Acreditam que quanto mais informações o jornalista tiver nas mãos, melhor é a construção do texto. Ricardo apontou a dificuldade que algumas pessoas têm de alinhar corretamente todas as informações do texto. Para isso, ele ensina que “o mais indicado é fazer uma pré-estruturação do texto, montar um esqueleto”. Conclui com uma dica a respeito das fontes: “cuidar o relacionamento com a fonte, ser imparcial, não se envolver”.

Experientes em escrever grandes reportagens, com mais de 15 mil caracteres e sem cometer o erro de torná-los longos e sem sentido, a dupla salienta que o ideal é ter muitas fontes e uma boa apuração. “É preciso também ter uma programação, uma estruturação das informações para o desencadeamento do texto. Um esqueleto da matéria, ligando os pontos relevantes”, aponta Ricardo. Andreas complementa, destacando que é preciso “ser criativo, buscar sinônimos”.

Os alunos puderam ter a noção do trabalho de uma agência de produção de conteúdo jornalístico e que o texto criado pelo jornalista sempre está sujeito à modificações quando passa pelo editor. “Mexer no texto é trazer a visão do leitor”, afirma Andreas. E, é esse trabalho de aprimoramento do texto que gera a qualidade da matéria e da leitura, trazendo o que há de mais importante para o leitor, conforme destaca Ricardo. “O jornalista tem que fazer uma análise criteriosa, tem que saber filtrar a notícia e saber se ela é relevante”.

valeria 02Foto de Carol Riet

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