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Ponche Verde, sonho mantido por um povo

 MG 9102Foto de Moisés Machado

Em 1986, na Capital da Paz, Dom Pedrito, nascia um sonho, o Ponche Verde da Canção Gaúcha. Em sua 30º edição, o festival consolida seu espaço no cenário da música nativista, revela talentos e vai além da fronteira. Em seu nome, os pedritenses reverenciam o distrito de Poncho Verde, palco do histórico aperto de mãos entre Caxias e Canabarro, ao colocar um ponto final na Revolução Farroupilha.

A sua história começa com o recém eleito prefeito, Dr. Quintiliano Machado Vieira, atento aos movimentos tradicionalistas que cresciam no Rio Grande do Sul, como a Califórnia da Canção Nativa, em Uruguaiana, assumiu com músicos, compositores, tradicionalistas e a comunidade pedritense, o compromisso de realizar um festival de grande magnitude, no cenário da cultura tradicionalista do Estado. Em 1986, Quintiliano Machado Vieira transformava o desejo, o sonho e a promessa em realidade. Emocionado, o ex-prefeito relembra o início do projeto e remonta seu pensamento à década 80. Ao reunir o que denominou de “alta cúpula” pedritense ouviu a frase que não esperava dos ricos empresários: “Dom Pedrito não comporta um evento como esse”.

Persistente, Quintiliano não desistiu. Nomeou para a presidência do 1º Ponche Verde da Canção Gaúcha, o seu assessor de gabinete, Sérgio Roberto Vieira, e para vice, o assessor de imprensa, João Roberto Vasconcellos. A resposta aos críticos não poderia vir de forma mais avassaladora, o cinema, transformado em ginásio, precisou ter suas portas fechadas, pois não comportava mais pessoas. A 1ª edição do festival foi um sucesso, e no segundo ano foi necessário que o Ginásio Muncipal de Esportes pudesse abrigar a grandeza que o Ponche Verde já constituía.

De lá para cá, nomes de quilate do folclore tradicionalista gaúcho passaram pelos 30 anos de história do Ponche Verde, Quintiliano lembra com carinho de alguns desses nomes. “Remontar há 30 anos atrás é ver no palco do Ponche Verde, Jayme Caetano Braun, Cenair Maicá, João de Almeida Neto, entre outros. Tudo isso se trouxe a Dom Pedrito”, lembra o ex-prefeito.

Criado pelo povo e para o povo, o melhor público dos festivais, parece ser o segredo da fórmula do sucesso. Assim descreve , Sérgio Roberto Vieira, presidente das duas primeiras edições, e que, ao longo dos anos, criou uma história de amor com o festival. Ele, que foi jurado, apresentador e compositor de várias canções, entre outras funções desempenhadas, ressalta a importância do engajamento dos pedritenses, para que o festival se mantenha altivo depois de três décadas. “A comunidade adotou o Ponche Verde, deixou de ser um festival da prefeitura, dos organizadores, dos músicos, dos compositores e passou a ser um festival da comunidade de Dom Pedrito, esse é o grande segredo. Quando a comunidade abraça um evento, ele se torna perene. Fica impossível não mais realizá-lo”, disse o jurado da edição de 2015. Ele também relembra que vários festivais morreram ao longo do caminho, ou deixaram de ser realizadas algumas edições, o que não acontece com o Ponche Verde. “O Ponche Verde não pode deixar de ser realizado, por que a comunidade não permitiria que isso acontecesse”, disse.

Ao lembrar a importância que o festival constitui para a descoberta de novos talentos, Sérgio aponta que esse é o objetivo maior. “Essa é a grande colheita da construção, é o objetivo da obra, pois aqui se projetam nomes quase desconhecidos que se tornam grandes, como César Oliveira e Rogério Melo, exemplos clássicos de que o Ponche Verde deu frutos, e deu os melhores de todos os frutos”. Sérgio fez referências à dupla, atração principal da primeira noite de 2015, que por inúmeras vezes subiu ao palco para defender canções, do início de suas carreiras, hoje consagradas. Dupla que hoje já foram indicados ao Grammy Latino e, por duas vezes, foram vencedores do Prêmio Tim de Música Brasileira, como melhor álbum de música regional.

César Oliveira um dos “frutos” do Ponche Verde demonstra muito carinho ao festival que chama de casa. “O Ponche Verde era um festival que me motivava, era pra onde eu guardava sempre as melhores músicas. Todo ano, o único festival que eu não podia deixar de vir, era o Ponche Verde”, disse. Também lembra a forte ligação da dupla com o Festival: “nós cantamos a fronteira e o Ponche Verde tem essa identidade”.

A juventude que mantém a renovação ano a ano do espetáculo e a essência em sua organização, também são pontos destacados por César. “O Ponche Verde, Dom Pedrito e o povo pedritense mantiveram sua essência. É feito como todos os outros deveriam ser: por grupos de amigos, por jovens. Jovens que vemos aqui no camarim nem estavam no mundo quando ele foi criado, e isto é um exemplo a ser dado”, diz César.

Após revelar saudades do palco do Ponche Verde, ele enaltece o público pedritense, por ser conhecido como o melhor dos festivais, o que atribui à sua fidelidade.

Quem divide do mesmo pensamento é João Quintana Vieira, vencedor da primeira edição com a música ‘Sonho e Herança de um Peão’. “Hoje somos o grupo mais premiado na história dos festivais gaúchos com 1099 premiações. E grande parte disto se deve ao que foi construído lá em 1986”. Como chave do sucesso de 30 edições, João destaca o fato de o festival manter os seus propósitos. “É um festival de música campeira do Rio Grande do Sul, e aqui se toca isso. Quando tu não foges das tuas raízes, das tuas origens, é sempre sucesso”, disse.

Ao longo dos anos, foram inúmeros os nomes que cruzaram os palcos, seja no antigo Cine Glória, no Ginásio Municipal de Esportes para onde foi logo na segunda edição, ou mais recentemente, em 2001, quando da segunda passagem pela prefeitura de Dr. Quintiliano, o Parque de Exposições Juventino Correa de Moura.

Por estes palcos, ícones, como César Passarinho, Luiz Marenco, Adair de Freitas, Leonel Gomez, Jairo Lambari Fernandes, Joca Martins, Lisandro Amaral, entre outros, se apresentaram. Joca Martins, atração principal da última noite da 30ª edição, e vencedor de várias edições, se diz muito ligado a Dom Pedrito através do festival e destaca a importância do movimento para a cultura gaúcha. “É vital para nossa cultura a existência do Ponche Verde, que já descobriu inúmeros talentos e jamais deve deixar de existir”, diz.

O melhor público dos festivais se fortalece através de palavras, como destaca o mecânico Elbio de Oliveira, 59 anos. “Eu venho todo ano prestigiar. Estive nas 30 edições e em muitos outros festivais, e esse, com certeza, é um dos melhores”. Ele também relembra: “Somos carentes de cultura aqui em Dom Pedrito, e o Ponche Verde, de certa forma, supre isso. Ele não deve morrer nunca, e mais que isso, outros, ao longo do ano, como ele, deveriam existir”.

A edição de 2015 ainda não havia sido finalizada e a comissão organizadora já anunciava acertos para 2016. Com data confirmada, o festival deve ocorrer entres os dias 10 e 13 de novembro.

Assim como neste ano, quando o público, através de uma pesquisa, pediu César Oliveira e Rogério Melo, Sonido del Alma Gaucha e Joca Martins, o ano de 2016 já tem confirmados: Oswaldir, Carlos Magrão e Mano Lima. Nomes que, ao serem anunciados, arrancaram exaustivos aplausos, deixando fortes indícios de que a 31ª edição deve repetir o sucesso de 2015.

 

Fotos de Moisés Machado

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