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Geral

Política, Mídia e Direito são temas de debate no IPA

Fotoconvidados3Foto: Giovani GafforelliO evento 'Parem as Máquinas: vamos debater o momento atual da mídia?' reuniu alunos do Colegiado das Ciências Sociais Aplicadas para refletir sobre o papel da mídia no momento político que vive o país. Na abertura, o presidente do Colegiado e coordenador do curso de Jornalismo, Prof. Dr. Fabio Berti, destacou a necessidade de trazer para o âmbito acadêmico uma reflexão sobre a capacidade da sociedade de discutir e argumentar sobre os fatos. O debate foi mediado pelo Prof. Dr. Marcos Rolim, com a presença do presidente do Sindicato dos Jornalistas do RS, Milton Simas e do Prof. Ms. Antonio Carlos Tovo.

O primeiro a se manifestar foi Milton Simas, criticando o oligopólio dos grandes veículos de comunicação do país, citando a revista Veja e Rede Globo e a forma como a mídia tem conduzido as informações relativas a casos como a Operação Lava Jato e Zelotes. O presidente do Sindjor RS condenou, ainda, o privilégio de informações por parte de alguns órgãos públicos para determinados veículos. Simas comentou, também, a postura do jornal Zero Hora, que não deu o destaque devido, ao caso envolvendo o deputado Eduardo Cunha, na Operação Lava Jato.“Nós pregamos a liberdade de expressão, de informação, a pluralidade. Mas, nós não vemos isso, a Globo faz e os outros vão indo atrás”, disse Simas .

Não faltaram críticas aos conteúdos publicados pelos jornalistas, citando que o Jornalismo vive um momento difícil. “Hoje está difícil ensinar Jornalismo. À noite, ensinamos uma coisa e no outro dia pela manhã, vemos o contrário no noticiário, notícias sem lead, que não respeitam a pirâmide invertida, informações completamente distorcidas”, falou.

O advogado Antônio Carlos Tovo, segundo a falar, parafraseou Simas e disse: “se está difícil ensinar jornalismo, também está difícil ensinar processo penal”. Ele estava se referindo às confusões e interpretações errôneas que tem sido realizadas por parte da mídia e também da população, que desconhece termos que tem sido amplamente abordados.

Na sequência, aguçando a discussão à esfera jurídica, Tovo teceu críticas ao juiz Sérgio Moro. Assim como Simas, também condenou o vazamento de informações para determinados veículos e considerou arbitrária a divulgação dos grampos telefônicos, destacando que as investigações são sempre sigilosas. “No momento que um grampo trata-se do presidente da República, independente de não ser o telefone dele grampeado, mas ele que está naquela ligação, tudo deve ser enviado ao Supremo Tribunal Federal, a ele cabem todas as ações”, disse. Ainda referindo-se ao juiz de Curitiba, Tovo provocou o público e questionou: quem aqui gostaria de ser julgado pelo Moro?

Ao final, ele explicou o papel de um juiz. “O juiz, não é um justiceiro, é para ser imparcial, para julgar. Os delegados e promotores servem para investigar. Quando o juiz é parcial e também é meu investigador, nem com o diabo como advogado eu tenho chance”, elucidou o advogado.

Mediador do debate, o Prof. Dr. Marcos Rolim, ex-deputado estadual e federal, explanou sobre o que chamou de problema estrutural e institucional do Brasil: a corrupção. “Isso já vem de muito tempo, talvez, desde que Cabral pôs os pés aqui. As grandes empreiteiras corrompem sistemicamente, de prefeitos a senadores. E hoje, a maneira mais simples que eles corrompem esses agentes públicos, é o financiamento de campanhas eleitorais”. E, ainda, ilustrou que desde antes da construção de Brasília há o financiamento de construtoras, não a uma, mas a várias campanhas. “O objetivo de se financiar várias campanhas é o de que, independente de quem seja o vencedor, as empreiteiras o terão na mão”, disse.

Ao falar da Operação Lava Jato, Marcos Rolim se mostrou em defesa do processo, mas também criticou a postura do juiz Sérgio Moro em muitas de suas ações. Segundo Rolim, há dois projetos para a Operação: um é do PT, o outro é da oposição. Porém, os dois são para destruírem a Lava Jato. “O projeto do PT está claro. É um jogo pesado para segurar a Lava Jato e salvar a própria cabeça. E, a oposição tem o mesmo projeto, pois nomes passaram a ser citados. Por tudo isso, tem se apressado o processo de impeachment. Eles derrubam a Dilma, assumem o poder, trocam nomes de delegados, promotores, juízes e param a Lava Jato. O golpe que está em curso é golpe da impunidade”, relatou Rolim. Para ele, a chapa vencedora de 2014 deveria ser cassada e nova eleição ser convocada pelo Tribunal Superior Eleitoral, mas que falta coragem para o TSE realizar a ação.

Ao fim, foi aberto espaço para perguntas, onde os acadêmicos dividiram-se nas opiniões. Houve quem, de forma mais apaixonada, defendesse o juiz Sérgio Moro. Outros concordavam com a mesa, além dos que buscavam sanar dúvidas. Os convidados, prontamente, responderam aos questionamentos e debateram de forma ética as opiniões divergentes, buscando como base o bom Jornalismo e o cumprimento da lei.

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