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IPA debate crise brasileira e legalidade: especialistas analisam cenários político e econômico em evento acadêmico

 MG 2571Foto: Daiana BertoO respeito à Constituição Federal, especialmente visando à garantia de direitos individuais como a liberdade de expressão, foi o elemento central das discussões em Aula Magna do Centro Universitário Metodista – IPA. O evento reuniu na terça-feira (29) mais de 400 convidados, entre alunos/as e professores/as dos cursos de Administração, Ciências Contábeis, Direito, Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Turismo, que integram o Colegiado das Ciências Sociais Aplicadas. Os palestrantes foram o jornalista e promotor de justiça aposentado Cláudio Brito e o professor de Economia Marco Antônio Martins.

O debate teve início com um relato da situação econômica do país realizado pelo professor de Economia no IPA Denílson Alencastro, responsável pela mediação do debate. Com base em estatísticas macroeconômicas, revelou que o momento é realmente grave, com evidências de aumento na inflação e taxas de juros, redução do crédito e desemprego crescente. Entretanto, seguindo tendências históricas, deve haver sinais de recuperação já no próximo ano. Alencastro explicou que o cenário político não é o responsável direto pela crise econômica, mas certamente a está agravando.

Seguindo essa linha, o doutor em Administração e mestre em Economia Marco Antônio Martins afirmou que a estabilidade e as decisões dos governos são importantes para determinar o nível de investimentos que movem um país. “Indefinições no cenário político efetivamente desestabilizam a economia”, sentenciou. Na condição de professor e analista de investimentos, orientou o público a ter cautela. “É momento de não aumentar o endividamento pessoal e de preservar o emprego”, disse.

O viés político veio na exposição de Cláudio Brito. O comentarista do Grupo RBS tem formação em Direito e foi Promotor de Justiça entre 1980 e 1998. Com a facilidade que o permite traduzir o “juridiquês” em seus espaços diários na imprensa, Brito fez uma ampla análise conjuntural. Acredita que as lideranças políticas do país estejam desgastadas por investigações - legítimas - da Polícia Federal e do Ministério Público. Entretanto, considera que é preciso agir na forma da lei e que o Judiciário deve estar atento para não exceder suas responsabilidades constitucionais. Sobre a forte presença midiática de membros desse Poder, brincou: "No estágio em que estamos, ninguém sabe os onze titulares do Dunga na Seleção Brasileira. Mas todos sabem quem são os onze ministros do Supremo Tribunal Federal".

Ao explicar o rito de um processo de impeachment – em curso no Congresso Nacional, alertou para a linha sucessória da presidente da República Dilma Rousseff, que tem sequência no vice-presidente Michel Temer, no presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha e no presidente do Senado Renan Calheiros, todos envolvidos em processos judiciais.

Brito disse acreditar que os argumentos para o pedido de impeachment da presidente, elaborado por famosos juristas brasileiros, como Miguel Reale Júnior e Hélio Bicudo, não representem crime de responsabilidade. Portanto, o jornalista considera que uma eventual “condenação” da presidente não tenha base legal.

Lembranças e emoção

O experiente jornalista Cláudio Brito, que chegou a integrar a equipe de produção do Cassino do Chacrinha – um dos mais famosos programas de entretenimento da televisão brasileira – “voltou no tempo” para fazer um importante alerta ao público. Lembrou a divergência de posicionamentos ideológicos entre seu pai e sua mãe em outro período turbulento da história do Brasil. Ele, “homem de direita”; ela, admiradora do trabalhismo. Era 1961, e o trabalhista João Goulart enfrentava resistências para assumir a Presidência da República após a renúncia de Jânio Quadros.

Estabelecia-se a Cadeia da Legalidade, liderada pelo então governador do Rio Grande do Sul Leonel Brizola, que se comunicava com o país via rede de rádios, liderada pela Guaíba de Porto Alegre. O “caudilho” conclamava o povo para garantir a posse de Jango. Nos três anos seguintes, determinados setores políticos e econômicos do país incentivaram o golpe militar, efetivado em 31 de março de 1964 pelas Forças Armadas. Nesse relato, explicou que o “velho Brito” – como se referiu ao pai – foi às ruas para defender a Legalidade. “Apesar de ideologicamente contrário ao presidente, ele me disse que a escolha legitimada pelo povo e dentro da lei devia ser respeitada”, contou, visivelmente emocionado.

Ao encerrar, disse que um evento similar a esse, naquela época, terminaria com todos sendo levados para depor no Dops – o Departamento de Ordem Política e Social, que impedia qualquer manifestação contrária ao regime militar. Assim, os presentes foram brindados com uma lição de história e cidadania.

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