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Por onde anda?

Juliana, sobrenome trabalho

julianaFoto: Giovani Gafforelli

 Job, na tradução do inglês, trabalho. Este é o sobrenome de Juliana, 27 anos, formada em Jornalismo, em 2011, pelo Centro Universitário Metodista IPA. Trabalho, também, é a palavra que permeia a entrevista concedida pela jornalista, de sorriso fácil, olhar marcante e ideias claras, sobre o futuro do mercado de Comunicação.

A carreira de Juliana Job começa no Grupo RBS como assistente de conteúdo. Após, na Giornale Comunicação Empresarial, desempenhou a função de editora assistente e atendeu grandes marcas como: Gerdau, Stihl, Panvel e Renner. Na sequência, integrou a equipe da QG de Estilo, realizando matérias para revistas do centro do país e trabalhos de assessoria de imprensa em moda. Ao deixar a QG, Juliana decidiu empreender e hoje ao lado da designer Adriana Lemos, comanda a empresa Convexo Comunicação. Na empresa, realizam serviços como branding, desenvolvimento de sites responsivos, criação de conteúdo, assessoria de imprensa e gerenciamento de redes sociais. Também ministra aulas na Metamorfose Cursos, sobre Assessoria de Imprensa Digital.

Ao lembrar da ex-aluna, a Profa. Ms. Maria Lúcia Patta Melão, fala com carinho e destaca um ponto onde Juliana virou referência, a web. “Ela foi uma das primeiras alunas do curso, que eu me lembre, a trabalhar com web. Quando, em sala de aula, eu colocava que não havia cuidado na hora da publicação, por exemplo, ela tinha um argumento muito convincente: sempre há alguém mandando publicar, não dando tempo para a revisão, para a checagem”, disse. A Profa. Dra. Valéria Deluca lembra da Juliana sempre sorrindo. “Era dinâmica, determinada e almejava muito sua independência. Estava sempre disposta a aprender. Talvez, esta característica tenha do a ela a ousadia de construir uma carreira baseada no empreendedorismo. Ver a Juliana, hoje, bem sucedida, nos dá muito orgulho!”

A irmã, Fernanda revela: “A Ju tem um gênio forte, algo que ela sabe usar muito bem em forma de determinação. É um pouquinho manhosa e gosta de atenção, mas é muito humana, coerente, tem ideias claras e sempre foi muito comunicativa”. E, conclui que a irmã foi seu melhor “presente de aniversário”, já que Juliana nasceu dia 21 e Fernanda, no 22 de dezembro.

Parceira de Convexo, a sócia, Adriana Lemos, lembra o otimismo como característica marcante. “Quando você tem seu negócio não é fácil. Você tem que sempre correr atrás e ouvir a Ju dizendo que vai dar tudo certo, que está ótimo, faz toda a diferença”, destacou.

Em uma tarde quente de outono, em um dos principias centros comercias da capital gaúcha, na Av. Carlos Gomes, mais precisamente no Café Valkíria, um de seus “escritórios”, Juliana recebe a equipe do Multiverso para um bate papo sobre carreira, IPA e o futuro da Comunicação. Confira:

Juliana por Juliana?

Eu sou, na vida profissional, o mesmo que no meu lado pessoal, trago isso. Sinceridade, por exemplo, sou muito sincera na minha vida pessoal, então, costumo ser assim com meus clientes, busco ser verdadeira. O meu ambiente de trabalho me permite também ser descontraída e também sou assim com meus amigos. Trabalho com comunicação, com criatividade, então, consigo não ter um ambiente tão sisudo. Isso, claro, por que não trabalho mais em redação, minha vida mudou completamente.

Quando entrei na faculdade, e acredito que seja a ideia de quase todos quando entram, pensava em mudar o mundo, ser repórter, cobrir guerras, tiroteios, revoluções. Após entrar, descobrimos um outro mundo, com várias possibilidades. Nunca imaginei que tomaria o rumo que tomei na minha carreira, e acredito que isso se deve muito a pessoa Juliana que é avessa à rotina, que prefere trabalhar em um café ao invés de um escritório, em um clube ou na praia. O meu trabalho hoje em dia me dá essa oportunidade, por que minha agência é home office. Na verdade, não tão home, por que estou sempre por aí.

Como foi a transição do analógico para o digital?

Sou muito curiosa, aprendo de tudo, isso é uma coisa da Juliana, eu tenho vontade de aprender um pouco de cada coisa. Durante a faculdade aprendi foto, então eu sei fotografar, também sei editar vídeo, escrever. E isso facilitou bastante para eu ter a vida que hoje tenho. Não trabalho sozinha, tenho parceiros, tenho minha sócia que é designer. Mas acaba que entendo um pouco de tudo e consigo ajudar os clientes dessa forma.

Como assistente de conteúdo, na RBS, e ali foi que tudo começou, eu gerenciava redes, que na época era basicamente o Twitter. Ali começavam as transformações e, a partir de então, ficaram cada vez mais rápidas.

Costumo falar, ao pessoal que está começando no Jornalismo e me perguntam como está o mercado, que o emprego está cada vez mais difícil, mas trabalho tem e tem muito. O que é preciso saber é se moldar a essa nova realidade de que ser contratado por uma empresa e ficar lá cumprindo as 8 horas de um trabalho formal vai acabar. O mercado está se transformando, de modo geral, e não apenas na área do Jornalismo. As pessoas precisam saber se reinventar. Acredito que eu soube aproveitar essa mudança como oportunidade.

Eu trabalhava em uma agência grande e fazia freelancer. Eles começaram a ficar cada vez mais constantes, então resolvi trabalhar por conta e fazer o que eu tinha vontade e acreditava e tendo toda a liberdade de fazer os meus horários, estar onde eu quiser e mesmo assim conseguir trabalhar. Isso pesou muito para mim.

Como é teu dia a dia?

Home office tem o seu lado bom, que é a liberdade. Mas também tem o lado complicado, por que é preciso ter disciplina. Por exemplo, se um dia eu acordar mais tarde, tenho que ter a noção que de repente eu não vou almoçar ou vou ter de ir até mais tarde trabalhando.

É preciso saber se organizar também. E, tem outro fator, empreender é uma coisa complicada, por que não é dia 05 que tu vais receber aquele salário de empregado. Então, é preciso ser muito organizado também financeiramente. É bem mais instável e tu depende só de ti. Pode ser que em um mês, surjam vários trabalhos e tu tenha vários clientes, e no mês seguinte não seja bem assim.

Então, organização e coragem. Afinal, não é simples, até porque tem a liberdade, mas também tem essa instabilidade. Empreender não é algo fácil.

No que o IPA te ajudou a chegar onde você está?

O IPA me ajudou muito. Quando entramos na faculdade temos uma visão, uma expectativa e descobrimos ao longo do curso várias outras possibilidades. E, o IPA trouxe isso com muita força, essas possibilidades que na época as demais universidades não davam tanta ênfase. As outras focavam mais a reportagem, o fotojornalismo. O IPA já tinha essa pegada do empreendedorismo, da assessoria de imprensa, de montagem do próprio negócio. Então, isso fez com que eu enxergasse além. Essa visão contou muito no momento que decidi empreender.

Qual o futuro da Comunicação?

Acredito que ficará raro o emprego formal, 08 horas diárias em uma empresa e toda essa questão. Cada vez mais, as pessoas vão ter a possibilidade de criar. As ferramentas estão aí para serem usadas. Creio, que se terá oportunidades de desenvolver um trabalho sozinho.

Tenho muitos colegas que trabalhavam em agências e veículos de comunicação. Com toda a leva de demissões que ocorreu, o pessoal precisou empreender. Foram forçados a fazer o que eu fiz por opção. O mercado, a todo tempo se reinventa e as pessoas precisam saber se adequar a isso e usar essa crise a seu favor. Tenho vários clientes que antes da crise tinham setor de marketing e/ou comunicação e com a chegada de tempos mais difíceis acabaram extinguindo esses setores e agora acabam terceirizando esse trabalho. Então, por isso que quando eu digo que há trabalho, que há gente precisando do nosso trabalho. O negócio é correr atrás.

Jogo Rápido

Um sonho: Dar a volta ao mundo. E esse sonho, inclusive, posso fazer trabalhando.

Um livro: Gosto muito de biografias. Acredito muito, que nós jornalistas acabamos gostando mais de biografias e documentários. Um livro, seria O Castelo de Vidro.

Um filme: Documentário? (risos) . Eu vi um recentemente que chama-se: O aluno.

Uma dica aos futuros jornalistas: A dica que me deram quando eu entrei era: pega um foco e segue. A minha dica hoje é exatamente o oposto disso. Aprenda um pouco de cada coisa, porque o mercado vai exigir cada vez mais isso.

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