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Amorim critica a grande mídia durante palestra na Capital

DSCN9879 hFoto: Gisele Gonçalves

“Como diz um amigo meu: olá, tudo bem?”. Foi assim, provocando risadas no público com seu reconhecido bordão, que o jornalista Paulo Henrique Amorim, apresentador do programa Domingo Espetacular, da Rede Record e autor do Blog Conversa Afiada, iniciou sua exposição no painel: Mídia e o Estado Democrático de Direito. Promovido pelo Sindicato dos Professores do Ensino Privado do RS (Sinpro-RS), Central Única dos Trabalhadores do RS (CUT-RS), e a Fetee-sul, entidade filiada à CUT, com apoio do Sindicato dos Jornalistas do Estado (Sindjors), o evento reuniu grande público em Porto Alegre.

Antes de falar aos espectadores, Amorim ouviu o discurso do diretor do Sinpro-RS, Amarildo Cenci, que fez duras críticas à grande mídia brasileira. Ele a acusou de estar historicamente envolvida nos diferentes golpes de Estado, e por ser, na atual conjuntura, a “interlocutora e real protagonista do golpe”. Cenci mencionou, ainda, a luta dos movimentos sociais pela democratização da comunicação e sua regulamentação. Disse ser uma luta motivada pela compreensão de que a comunicação é um patrimônio público, “um direito estratégico para o desenvolvimento de toda a sociedade, e, portanto, não pode estar submetida aos interesses privados”.

À luz dos recentes acontecimentos na esfera da política nacional, especialmente a votação na Câmara Federal, que culminou com a aprovação do pedido de impeachment da presidente Dilma Roussef, Amorim procedeu à leitura na íntegra de dois textos escritos e postados naquela manhã em seu Blog, durante o voo para Porto Alegre. Intitulados ‘A presidente Dilma deve convocar eleições antes de cair’, e ‘Às urnas, cidadãos’, ambos retratam o enredo envolvendo o governo, um golpe e seus atores, sob a ótica do jornalista. Em um dos trechos do segundo texto, Amorim chama a emissora Globo de “Orquestra Golpista da Rede Globo”, responsabilizando a emissora pela regência do golpe tramado contra o governo.

No transcorrer do discurso, o jornalista, mais de uma vez, criticou o monopólio da emissora, estendo a crítica à democracia e a órgãos, como o Ministério Público e a Polícia Federal, por sua seletividade na análise dos fatos. Ao público, antecipou capítulos do seu livro ‘O quarto poder: Uma outra história’. A obra é um compilado de suas memórias como repórter televisivo da Globo, distribuídas em mais de 500 páginas. Uma seleção rica em detalhes de bastidores de negociatas políticas, imbróglios, armações e articulações envolvendo ex-presidentes, como Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves, José Sarney, Fernando Henrique Cardoso, Fernando Collor e Luís Inácio Lula da Silva, entre outros políticos brasileiros, sempre com a participação decisiva da Rede Globo, na figura de Roberto Marinho.

Terminado o seu discurso, Amorim respondeu às perguntas previamente preparadas pelos organizadores do evento. Presidente do Sindjors, Milton Simas questionou a influência da Rede Globo no resultado da votação do impeachment na Câmara dos Deputados. Taxativo, Amorim disse que a Globo teve papel decisivo no resultado, assim como terá sobre o resultado do Senado e do Supremo. “A Globo exerce esse papel de envenenar a sociedade. Seu papel é de dar lógica ao golpe”, completou.

Ainda sobre a atual articulação midiática, Celso Woyciechowski, da Fetee-Sul, levantou a hipótese da “imprensa golpista” estar dominando à Internet e as redes sociais, utilizando esses meios, inexistentes no Golpe de 64, para preparar o “Golpe de 2016”. Sobre isso, Amorim disse não ter dúvidas da força das redes sociais, comprovadas pelas manifestações do movimento ‘Não vai ter golpe’. “Agora, vencer esse processo golpista vai depender da adesão das ruas. E como isso vai ser feito? Através das redes sociais, não vai ser na Globo, não vai ser na RBS, argumentou o jornalista”.

Amorim encerrou sua participação defendendo que o voto é a principal arma para vencer a luta em defesa da democracia. Atribuiu, aos movimentos sociais articulados, o papel de impulsionar o País com uma campanha pelas Diretas Já. Convencido de que a luta no Senado e no Supremo está perdida, Amorim sugeriu ao slogan, criado pelo senador Roberto Requião, o acréscimo de mais um ‘já’: a Campanha das Diretas Já, Já!

Acesse os textos postados, por Paulo Henrique Amorin, no blog Conversa Afiada, citados nesta matéria:

 

Mais informações de 'A presidente Dilma deve convocar eleições antes de cair' em: (clique aqui)

Mais Informações de 'Às urnas, cidadãos' em: (clique aqui)

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