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Jornalismo

Saiba por que dia 1º de Junho é o Dia Nacional da Imprensa

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No dia 1º de junho de 2016 é comemorado o Dia Nacional da Imprensa e os 208 anos da imprensa brasileira. A data foi escolhida em alusão a 1º de junho de 1808, quando circulou no país a primeira edição do Correio Braziliense, considerado o primeiro jornal autenticamente brasileiro e editado por Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça, durante seu exílio em Londres. Ele era opositor à Coroa Portuguesa, estava exilado por questões políticas.

A chegada de Hipólito José da Costa à Inglaterra aconteceu em 1805, após três anos de prisão em Portugal, onde foi preso e torturado, acusado de pertencer à Maçonaria. Preocupado com a corrupção e a forma como o Brasil era administrado por Portugal, Hipólito fundou o jornal que se transformou em uma tribuna em prol da liberdade de pensamento, sendo responsável pela difusão dos ideais liberais que nortearam a independência do Brasil do domínio lusitano. Além disso, reunia notícias internacionais e diversos assuntos de interesse da população brasileira. No entanto, o Correio Braziliense circulou de forma clandestina, devido à Censura Régia, lei que proibia a circulação e a impressão de qualquer tipo de jornal ou livro no país.

Hoje, Hipólito José da Costa, mais que dar nome ao Museu de Comunicação do Rio Grande do Sul, também é Patrono da Imprensa Brasileira e detentor do título de Herói da Pátria. Hipólito era gaúcho, nasceu no ano de 1774, na então gaúcha Colônia do Sacramento, hoje território uruguaio.

 

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Em 1960, Assis Chateubriand, fundador da cadeia de rádio e jornais Diários Associados, decidiu recriar o Correio Braziliense e retomar a sua impressão em uma segunda fase. De lá para cá, o jornal se mantém ativo e atuante, com versão impressa e online.

Um fato curioso para o dia 1º de Junho: se o Correio Braziliense representa um marco para a imprensa nacional, o Diário de Porto Alegre tem o mesmo significado para os gaúchos. Ele foi o primeiro jornal a circular no Rio Grande do Sul e por coincidência, também passou a ser veiculado no dia 1º de Junho de 1827, 19 anos depois de seu irmão Correio Braziliense. Portanto. Assim, o dia 1º de Junho de 2016 também marca os 189 anos da imprensa gaúcha.

No entanto, nem sempre o Dia da Imprensa foi comemorado no dia 1º de Junho. Até 1999, a data era lembrada no dia 10 de setembro, em função do início de circulação do jornal A Gazeta do Rio de Janeiro, em 1808. Porém, a Lei nº 9.831 determinou que a data fosse alterada para 1º de Junho, pois o Correio Braziliense foi lançado em junho do mesmo ano, ou seja, três meses antes da Gazeta.

Para celebrar o dia, o Multiverso ouviu nomes de referência na área, sobre o que pensam do atual momento da imprensa brasileira e como se projeta o futuro.

SINDJOR

O presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul (SindJorRS), Milton Simas, lembrou e destacou serem merecidas as críticas que a imprensa brasileira tem recebido, sendo acusada de cúmplice, no que ele chamou de golpe, que culminou com processo de afastamento da presidenta Dilma Roussef. Ele falou sobre as lutas do sindicato: “Nós, enquanto movimento sindical, defendemos a democratização da comunicação, que é a regulamentação de todos os itens previstos dentro da Constituição Brasileira, que desde de 1988, quando foi promulgada, nunca saiu do papel”. E, defendeu o fim da monopolização, propriedade cruzada e o oligopólio. Citou ainda os blogueiros como sendo, hoje, o contraponto dentro do monopólio nacional da comunicação.

Sobre o que projeta para o futuro do Jornalismo, Simas acredita que a imprensa vai continuar tendo como pilares fundamentais a veracidade e a imparcialidade, tratando a notícia como fato de maior relevância a ser levada à sociedade, seja por meio de jornal, rádio, televisão, canais no Youtube ou blog’s. “Temos essa transformação e muitas dúvidas com relação ao que vai acontecer com o jornalismo impresso. Mas, eu entendo que o Jornalismo, na sua essência, é a imparcialidade, a ética, a apuração correta que tu vais levar ao teu ouvinte, ao teu leitor, ao telespectador. Isso jamais vamos deixar de lado. O que pode ocorrer são as mudanças das plataformas, onde as notícias serão oferecidas”, finalizou.

 

A academia

O coordenador do curso de Jornalismo, Prof. Dr. Fabio Berti, destacou que a função social da imprensa é primordial e lembrou que a democracia, pela qual, pretensamente tem se lutado, tem como um dos seus pilares a imprensa. Destacou como maior reflexão a ser realizada no Dia da Imprensa a de que imprensa livre é sinônimo de sociedade livre. “Uma democracia que precisa de todos estes componentes, de muito tempo para se consolidar, de conflitos, de confrontos, de amadurecimento, depende basicamente de uma imprensa livre, de uma imprensa comprometida somente com sua função social básica, que é servir a sociedade”, frisou.

Em relação ao futuro, a aposta de Berti é na multiplataforma e na interatividade com o público. “Se de um lado esses movimentos acabam restringindo os postos de trabalhos tradicionais, as funções tradicionais do Jornalismo, de outro se abre uma gama de possibilidades que são vinculadas, especialmente, ao empreendedorismo na comunicação. Se há uma década, nós éramos formados na academia para atuar como repórter de rádio, TV e jornal, hoje nós temos a possibilidade que não tínhamos anos atrás”, disse. E, encerrou lembrando que é necessário ao profissional da área estar atento para essas mudanças.

A imprensa

O editor executivo do atual Correio Braziliense, Carlos Alexandre Silva Souza, falou da importância do dia 1º de Junho para o periódico, sendo a data tão significativa para a imprensa brasileira e, em especial, para o jornal. “Esta data é uma reafirmação da missão do Correio, desde os tempos do Hipólito José da Costa, quer dizer no sentido de você defender os interesses da sociedade brasileira e a partir do compromisso de você publicar informações relevantes. Isso, muitas vezes, tem uma relação de desgaste com o poder público. Acho que a missão do Jornalismo é exatamente fiscalizar o poder público e essa missão vem do início da Era Moderna. No Jornalismo, ela é marcada por embates com o poder público e a gente mantem esse compromisso em defesa do interesse da sociedade”, disse.

Em relação ao futuro da imprensa nacional e do jornal, hoje pertencente ao Grupo Diários Associados, Carlos Alexandre acredita que as mudanças tecnológicas vão ocorrer naturalmente. “É um processo irreversível essa extensão pelo ambiente digital. Agora, a essência o Jornalismo continua com a sua missão mais nobre, independentemente de sair impresso ou digital, que é buscar a informação qualificada, de forma profissional, que atenda os interesses da sociedade brasileira. A essência do Jornalismo está e precisa ser mantida. Ela já fazia parte em 1808 do espírito do Correio Braziliense e está preservada até hoje. O que se percebe hoje é que há uma evolução natural do mercado e que o Correio, como outros veículos, está se adaptando e se modernizando diante dessa nova realidade”, encerrou.

Entre os profissionais dos diversos setores da imprensa, seja na academia, no sindicato ou no veículo, independente da diferença ou consonância de ideias e pensamentos, independente da plataforma de veiculação ou da crise que atravessa, um sentimento parece ser consenso, o futuro do Jornalismo está na imparcialidade, na ética, na credibilidade e no interesse público.

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