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Zero Hora

Larissa Roso debate reportagens especiais e emociona alunos do curso de Jornalismo

13340700 1109355725793086 1021458549 oFoto: Fabio Berti

A repórter Larissa Roso, repórter de Zero Hora, foi a convidada para a palestra ZH, em comemoração aos 52 anos do jornal. O encontro Histórias de Gente – Pessoas comuns inspirando reportagens especiais aconteceu no Auditório da Biblioteca e reuniu estudantes do curso de Jornalismo que conheceram mais de perto o trabalho de Larissa e sua vivência na produção de reportagens especiais. O evento é uma promoção do jornal Zero Hora em parceria com o curso de Jornalismo do IPA.

Larissa Roso é repórter do caderno Sua Vida. É jornalista formada pela PUCRS e mestranda em Ciências Médicas/Bioética, pela Faculdade de Medicina da UFRGS. A repórter gosta de ouvir pessoas comuns que passam por histórias singulares, que são narradas através de suas reportagens. No encontro, Larissa selecionou quatro reportagens que marcaram sua trajetória e compartilhou os momentos de emoção e trabalho árduo. As matérias serviram de fio condutor para a fala de Larissa aos estudantes do IPA.

 

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A reportagem ‘Últimos Desejos’ foi capa da Zero Hora em julho de 2015 e é a favorita da repórter. Larissa acompanhou durante um ano pacientes com doenças em estágio avançado, internados no Núcleo de Cuidados Paliativos, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. A repórter tinha interesse em saber o que os internados pensavam e o que desejavam – qual era o último desejo. “O que querem as pessoas que não tem muito tempo de vida? O que elas pensam?”, relembra. Ela destaca a riqueza de narrar fatos que estão acontecendo na presença do jornalista. Passou por essa situação quando acompanhava João Batista, personagem principal da reportagem. Internado com câncer de estômago, não via o pai há 23 anos. O reencontro foi feito pela equipe do hospital e presenciado pela repórter.

A segunda matéria selecionada foi a história de Cristine Soares, publicada no caderno DOC, no Dia das Mães deste ano. Cristine perdeu quatro filhos – dois ainda na gestação – e agora é mãe da Luiza, que nasceu no ano passado. Larissa acredita que Cristine mereceu estar no jornal nessa data e conta que a reportagem tocou os leitores. Durante a palestra, passou um vídeo sobre a história, que emocionou a todos. Larissa explica que o jornalista, hoje, precisa estar atento para outros tipos de mídia, como o audiovisual. Mesmo sendo repórter de um jornal impresso, lembra que a ZH está na plataforma online e que os leitores também se interessam e gostam quando uma matéria vem acompanhada de boas fotos e de material audiovisual. Acredita ser um tendência que veio para ficar.

Na terceira reportagem, a repórter acompanhou o dia em que Rodrigo de Souza Barros saiu da reabilitação, em 2010. Rodrigo era usuário de crack e ficou durante nove meses em uma fazenda de recuperação. A reportagem teve continuação no jornal, contando como estava a vida de Rodrigo, que formou uma família e é fotógrafo. Larissa explicou que o leitor interage muito com ela, muitas vezes, cobrando notícias sobre os personagens de seus textos. “As pessoas querem saber o que aconteceu depois. Acho isso muito importante. Demonstra o quanto aquelas histórias marcaram a vida de quem as leu”, comenta.

A última reportagem, apresentada por Larissa, acompanhou a cirurgia de redesignação de sexo da transexual Helena Soares Meireles, em 2013. A reportagem narra a história da professora de Artes, Helena, até o dia da cirurgia. A repórter destaca que temas LGBT ainda não são bem vistas pelo público e que a reportagem gerou muita polêmica. “Muitas pessoas não entenderam e algumas até não admitiram o jornal dar espaço para uma história como essa. Sinais do preconceito que ainda existe em nossa sociedade”, lamenta ela.

As perguntas feitas pelos estudantes e professores foram direcionadas para a produção das reportagens. Larissa afirma que para produzir reportagens especiais é preciso ter tempo e espaço, muitas vezes tomados pelo jornalismo noticioso, do cotidiano. Ela conta, ainda, que passou por situações delicadas, onde precisava agir de forma natural frente aos acontecimentos que espantam qualquer pessoa, como na reportagem ‘Últimos Desejos’. Mas para a repórter, o mais difícil nessa experiência foi se questionar como ficariam as famílias mais pobres quando o internado morresse. Com base nos casos que apresentou, ela observa que a fonte precisa criar uma relação de confiança com o jornalista e vice-versa. Explica que o repórter deve ter um olhar crítico e saber filtrar as informações a partir do relato da fonte, que passou por situações delicadas.

 

Fotos: Luiz Guilherme Faleiro e Christian Oliveira.
Vídeo: Ramiro Gasañol.

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