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Jornalismo Ambiental

A responsabilidade ambiental no e do Jornalismo

 MG 0755Foto: Bianca Bueno

No dia 5 de junho, comemora-se o Dia Mundial do Meio Ambiente. Para propor uma reflexão sobre o assunto, o Multiverso conversou com o jornalista João Batista Santafé Aguiar, especialista em jornalismo ambiental, sobre a relação do jornalista ambiental com a profissão, a prática e a comunidade. “É uma área que precisa, tanto quanto outras, de comunicadores e formadores de opinião”, afirma ele.

O interesse nas questões ambientais surgiu quando João Batista estava cursando Jornalismo na PUCRS, em 1980. Ele criou um currículo notável na área. Foi diretor de três importantes entidades: a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (AGAPAN), a Coolméia - Cooperativa Ecológica e a Associação Ambientalista Internacional (PANGEA). Atualmente, é diretor geral da Rádio Ipanema Comunitária, no bairro Ipanema, em Porto Alegre.

Para João Batista, questões ambientais precisam ser discutidas em nível de informação. Ele destaca que o jornalista precisa estar bem informado e ter vontade de levar informações com credibilidade e relevância à sociedade. Na área ambiental, isto é ainda mais significativo, explica ele. Ele pondera que mais do que ser um porta-voz de declarações, o jornalista deve entender a razão de estar noticiando aquele fato e a ele “cabe ir às últimas para esclarecer todos os lados, principalmente o lado que não vai ter mais volta”. Observa que isso vai ao encontro com a responsabilidade em relação ao planeta e à melhor qualidade de vida. E ao leitor cabe a reflexão.

João Batista complementa dizendo que o jornalista precisa ter 'sangue quente' e menciona o professor da Universidade Metodista de São Paulo, Wilson da Costa Bueno, que usa o termo ‘militância’. Wilson acredita que o jornalismo ambiental deve engajar-se política, social e culturalmente. “Nós temos que ser muito ativos e até indelicados, nervosos e investigativos para fazer um bom trabalho que modifique o mundo”, declara João.

O jornalista pode optar por se especializar na área ambiental. Diferentemente do profissional generalista, que sabe um pouco de tudo, o conhecimento específico na área traz benefícios na hora de trabalhar com o conteúdo. João Batista destaca que existe uma falta de criação no mercado de trabalho no jornalismo ambiental atualmente, e que viabilize o pagamento desses profissionais também. “As pessoas trabalham com militância, mas elas vão até certo ponto”, explica. Ele acredita que ainda falta, nos grandes veículos de comunicação, um contato maior com as comunidades.

A questão das áreas naturais (parques e reservas), dos agrotóxicos, do consumo de energia e da sustentabilidade (forma de produzir sem maior prejuízo à natureza ou à saúde humana) são algumas das pautas abordadas pelo jornalismo ambiental. João Batista relata que, hoje, a comunidade e o movimento ambientalista estão se opondo a um projeto de construção em uma área florestal nativa localizada no bairro Ipanema.

As questões ambientais são interdisciplinares, transpassam por diversas áreas. Com isso, João Batista declara que os jornalistas de outras editorias também precisam ter compreensão sobre o assunto. Assim como, ter conhecimento sobre a legislação, pois isso envolve as relações em questões éticas, morais e sociais. É preciso saber o que acontece no Ministério Público, nas entidades ambientalistas, nas associações de moradores e com a população, finaliza João Batista.

Antes de se tornar diretor-geral da Rádio Ipanema Comunitária, João Batista manteve, nesta mesma rádio, o programa de entrevistas Cidadania Ambiental. Por 5 anos, ele entrevistou profissionais de diversas áreas para discutirem assuntos relativos à comunidade. No momento, a questão ambiental não integra, diretamente, a programação da rádio, mas ele pretende voltar a debatê-la nos próximos meses. Além disso, também pretende dar mais voz à comunidade.

João Batista atua, também, no site da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental e mantém dois blogs: da Assembleia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul (APEDeMA/RS) e um blog sobre jornalismo ambiental. Em relação aos veículos de comunicação em nível regional, o jornalista destaca o Jornal do Comércio em qualidade de cobertura e pelo envolvimento do veículo na questão econômica e comercial. Em nível nacional, menciona o extinto jornal Gazeta Mercantil. Indica o portal da EcoAgência, fundada pelo Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJ/RS) e mantida por voluntários, com o propósito de democratizar e conscientizar a sociedade com informações ambientais.

Além da EcoaAgência, o jornalista cita os seguintes portais para pesquisa de jornalistas e para se manter informado:

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