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Bate-papo

Sala lotada para ouvir as histórias de André Haar

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O jornalista André Haar, conhecido por seus trabalhos na televisão e rádio, trouxe todo o seu bom humor e conhecimento para um bate papo com os alunos do curso Jornalismo. O apresentador compartilhou histórias pessoais, algumas antes mesmo de trabalhar na área. E contou sobre sua dissertação de Mestrado, que trata da interatividade no Jornalismo.

Quando tinha 5 anos, André sabia queria ser um apresentador de telejornal. Na escola, começou lendo textos como se fosse um locutor, o que era seguido de reclamações dos colegas. Ele conta que se agarrava a cada oportunidade que pudesse levá-lo a realizar seu sonho, como no caso dos eventos escolares que apresentava. “Eu sempre pensava, em algum momento vai ter alguém importante me assistindo que vai me dar uma chance”, disse.

Os esforços deram resultados. Aos 16 anos, começou a ser chamado para eventos até chegar à rádio da rodoviária de São Leopoldo como locutor. Lá, tocava músicas clássicas, lia notícias de jornais e falava sobre assuntos da rodoviária. Aos 17 anos, concluiu o curso de radialista pela Feplam e, aos 21, teve sua primeira experiência como apresentador na rede Bandeirantes. A oportunidade surgiu após receber indicação da apresentadora Simone Ritter, que havia visto André em um evento.

A trajetória de André Haar é marcada pela atitude de “meter a cara, se arriscar” como ele mesmo fala. Acredita que é possível conseguir o que se quer ou resultar em uma oportunidade. Ele reforça a ideia, mencionando um professor de Portugal que teve a iniciativa de fazer um programa de áudio para cinema e entrar em contato com Hollywood. Hoje, o programa foi usado em alguns filmes, sendo um deles o recente Batman vs. Super Man. “Se ele não tivesse a iniciativa de mandar aquele e-mail nada disso teria acontecido”, conta André.

Ele relembra duas de suas iniciativas que resultaram em matérias importantes. A primeira ao entrevistar o prefeito de Ehud Olmert, um dia após o atentado do 11 de setembro, que foi transmitido pelo Jornal Nacional. E o mais recente, há um mês, durante uma viagem de avião de Roma para Lisboa. Após descobrir que o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, se encontrava no avião, não teve dúvidas, negociou com a assessoria e gravou a entrevista pelo celular, com a autoridade.

Um dos momentos mais marcantes para o jornalista foi quando chegou na Record e lá precisou mudar sua forma de apresentar o telejornal. Na emissora, o comum é o apresentador sair de trás da bancada, além de precisar expor sua opinião sobre a pauta em questão. Segundo André, é uma experiência que revela para o profissional quem ele é, se conhece o assunto, se é bom de improviso, e se faz associação de fatos. “Apesar de tantos anos na TV, eu nunca tinha sentido tantas sensações como o simples fato de tirar a bancada durante o telejornal”, explica.

André Haar, com orgulho, conta que fez o caminho inverso começando a carreira pela experiência profissional e depois pelo meio acadêmico. Graduado em Jornalismo pela Feevale em 2007, o apresentador avalia que se fosse, hoje, teria começado pela universidade. E, ressalta a importância de sempre estar ligado ao ensino e se aprimorando.

Em sua pesquisa de Mestrado, André procura definir o conceito de interação no Jornalismo, pela interatividade técnica e social. Explica que trata da necessidade básica de cada pessoa de se comunicar, contar, interagir. Buscando trabalhar essa relação da interatividade com os espectadores, André diferencia o conceito de interação da ideia de participação e colaboração. Por exemplo, se o espectador pedir ao apresentador para mandar um abraço para um amigo, logo, é participação. Se o convidado responder uma pergunta a pedido do apresentador, há um sentimento de fazer um favor, portanto, é colaboração. O conceito de interação no Jornalismo, pondera ele, ainda não está definido. Na opinião de André, a interação no Jornalismo é um movimento de comunicação de ida e de volta entre o jornalista e o espectador.

 

Fotos de Luigi Bitencourt

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