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Cultura

Nós vimos o Passarinho Azul

 02Foto: Christian Oliveira

Imagine dezesseis crianças cadeirantes invadindo a Av. Edivaldo Pereira Paiva, em Porto Alegre. Todas fantasiadas com o personagem dos sonhos. É a Corrida Maluca! Agora imagine três estudantes do primeiro semestre de Jornalismo fazendo a primeira cobertura de suas carreiras. Foi muita emoção em um dia só! O Multiverso desafiou Jhúlia, Bruna e Christian a contarem como foi essa experiência.

 

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Vamos contar essa história rompendo uma das principais regras do texto jornalístico. Nunca use a primeira pessoa! Mas, este é um texto especial. É um relato de um dia que marcou as nossas vidas para sempre. Vem com a gente!

Eventos como a Corrida Maluca é um daqueles que sempre acabam emocionando e comovendo a todos que estão acompanhando, participando e assistindo. Essa foi nossa primeira cobertura jornalística. Para nós, ainda tudo é muito novo e encantador. Poder fazer parte disso foi uma mistura de sentimentos. No início estávamos meio perdidos, sem saber exatamente como e o que fazer. Um com uma câmera para fotos, o outro com a câmera para vídeos e o outro com um bloquinho, anotando todas as informações possíveis. Chegamos no local, onde seria realizado o evento, alguns minutos antes de começar. De longe, avistávamos jornalistas e fotógrafos, que para nós são grandes referências. Foi uma satisfação muito grande saber que estaríamos ao lado deles, com exatamente a mesma intenção.

As mãos suavam e o medo de fazer algo errado era nossa realidade naquele momento. Porém, toda aquela ansiedade e nervosismo foram rapidamente esquecidos ao vermos o sorriso no rosto de cada uma daquelas crianças. De um lado, eram dezesseis crianças, dezesseis histórias, dezesseis sorrisos. De outro, três jovens, três futuros jornalistas, três alunos querendo fazer o seu melhor. Quando aquelas cadeiras, transformadas em lindos carros velozes, começaram a desfilar pela pista, foi o momento em que parecia que o coração iria derreter.

“Por vezes, dentro daquela pista, pensei que fosse chorar. Um certo professor me disse que a fotografia é mais arte do que qualquer outra coisa. Arte precisa de sentimento. Sentimento gera arte. Fui em busca desse sentimento, mas me precipitei. Ele me buscou e me envolveu, de um modo que não pude me soltar. Ali me mantive, ao canto direto da pista, na parte interna, encantado”, relata, Christian Oliveira.

“A primeira cobertura é onde você se apaixona ou passa a odiar a profissão. No meu caso, me apaixonei de uma forma inexplicável. Cada oportunidade, emoção e felicidade que o Jornalismo está me trazendo, me encanta cada dia mais. Me faz ter a certeza que é o que eu realmente quero fazer em meu presente e futuro. Apesar de todo o improviso, estou orgulhosa e satisfeita do que fizemos” diz, Jhúlia Silveira.

A emoção, apesar de ser uma experiência subjetiva, foi igual para nós três. Saímos daquele evento, com a certeza de que estávamos no lugar certo. Aqueles sorrisos ainda não saíram da nossa mente e nos serviram como um bálsamo, que nos sanou todas as dúvidas e incertezas. “Senti dentro de mim, por meio do sorriso deles, uma certeza: eu vi o passarinho azul” completa, Christian. Expressão que nos remete à felicidade, plenitude e sonhos realizados.

 

A Corrida Maluca

Surgiu de um projeto chamado Smile Flame, criado pelo publicitário Daniel Mattos, em parceria com seu irmão, Diego Mattos. Feito para impactar positivamente a sociedade através de projetos divertidos e descontraídos, o Smile Flame teve início em 2013. O primeiro evento realizado foi um campeonato de skate, em um lar de idosos. Batizado de Skate no Asilo, ele transformou idosos da casa de repouso Padre Cacique em jurados encarregados de avaliar manobras radicais.

O Smile Flame contém mais dois outros eventos. Bota no Mundo onde crianças com deficiência física, têm a oportunidade de dar o primeiro chute de suas vidas. E, o Haircut Day, onde centenas de perucas são levadas para crianças internadas, que perderam o cabelo em virtude do tratamento contra o câncer.

“É impressionante como nós que estamos organizando, ficamos nervosos. Toda aquela expectativa para saber se vai dar certo. Então, quando vemos que tudo funcionou, quando vemos que as crianças, as famílias e todo o público estão sorrindo, ficamos muito recompensados. É uma emoção muito grande. Não aquela de chorar, mas sim aquela de sorrir, de ficar alegre” diz, Daniel Mattos.

Ah, já estava me esquecendo o principal foco desta matéria. Então, voltando a história da nossa primeira cobertura... Assim como diz aquele velho ditado “uma imagem vale mais que mil palavras” - no caso até aqui, já passam de quatro mil caracteres - acreditamos no poder da comunicação através das imagens que fizemos naquele dia. Acreditamos que tentar explicar em palavras o que sentimos, não fará com que vocês também sintam essa emoção. Esperamos que com nosso vídeo e nossas fotografias, vocês possam ter a possibilidade de experimentar o gosto de ver o sorriso e a alegria no rostinho de cada uma daquelas crianças. Esperamos que assim como nós, vocês também possam ver o passarinho azul.

 

Fotos de Christian Oliveira

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