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Geral

Em pauta: assessoria de imprensa no mercado

CleberFoto: Felipe Valli

Com o propósito de reafirmar a importância do trabalho do assessor de imprensa e compartilhar algumas experiências, o professor Renato Sagrera, titular da disciplina de Assessoria de Imprensa I, recebeu profissionais da área nas suas duas últimas aulas

Na segunda-feira, 25/05, o coordenador da Assessoria da Imprensa da Secretaria de Gestão da Prefeitura de Porto Alegre, jornalista Cleber Moreira, falou sobre a sua experiência na Copa do Mundo. No dia 1º de junho, o convidado foi o coordenador da Assessoria de Comunicação Social do Ministério Público do Trabalho (MPT) Flávio Portela, que destacou a importância do relacionamento com a mídia.

 

Assessor de imprensa na Copa 2014

Preparar Porto Alegre para a Copa 2014, conforme as exigências da Fifa, não foi tarefa fácil. A Prefeitura se engajou nesse processo, e as secretarias e suas respectivas assessorias de imprensa também.

De acordo com o Cleber Moreira, foi preciso muito trabalho e engajamento, pois todas as obras da Copa do Mundo passaram pelo crivo da Secretaria Municipal de Gestão e sua assessoria de imprensa.

Mas como midiatizar o status das obras requeridas para realização do evento? Conforme Moreira, a Prefeitura veiculou suas ações principalmente nas redes sociais. Além disso, portais oficiais, materiais informativos contendo status das obras e outras informações também foram explorados.

O assessor de imprensa recordou que um dos momentos mais difíceis na caminhada foi a duplicação da Avenida Tronco. Para dar continuidade à obra, diversas famílias precisaram deixar suas casas. A imprensa externa teceu duras críticas por conta desse impasse, e a assessoria de imprensa, por sua vez, teve de amenizar essa situação. "Foi um trabalho difícil. Mas com muita comunicação conseguimos apaziguar a situação", ponderou.

O jornalista tem que pensar sempre à frente da notícia, e o assessor de imprensa também. Outro momento de crise, gerido com sucesso pela Secretaria Municipal de Gestão, relembrou o Cleber, foi o episódio que envolveu o corte de árvores na Avenida Edvaldo Pereira Paiva. A ação era necessária para a duplicação da Beira Rio. Na época, diversos coletivos e entidades se posicionaram contrários ao andamento do projeto e, por diversas vezes tentaram impedir a obra. Depois de muito discutir, foi decidido que a melhor solução era fazer o corte das árvores durante a noite. "Eu fiquei duas madrugadas sem dormir", observou.

Para o assessor de imprensa, é importante centralizar informações durante a realização de grandes eventos. O andamento das obras da Copa, por exemplo, foi atribuição da Secretaria Municipal de Gestão. Já as declarações sobre status, novidades e entraves foram centralizadas no secretário de obras, Urbano Schmitt e o engenheiro Rogério Baú.

Segundo o palestrante, um assessor de imprensa tem que estar 100% disponível para seu assessorado, até nos horários mais peculiares. Na Fifa Fan Fest, o ritmo de trabalho era intenso. "O celular ficava ligado 24 horas por dia. Eu começava a trabalhar pela manhã e só saía depois do último show", recorda Cleber.

Para obter mais informações sobre as obras de mobilidade urbana, as já estão prontas ou as que ainda estão em andamento, a Prefeitura de Porto Alegre criou um site que é abastecido periodicamente.

Acesse: http://www.obrasdemobilidadeurbana.com.br

 

Relacionamento com a mídia

Como a mídia vê as assessorias de imprensa? Essa foi a questão que norteou o bate-papo do jornalista Flávio Portela, atual coordenador da Assessoria de Comunicação Social do Ministério Público do Trabalho (MPT).

Com passagens pela Rádio Guaíba, Correio do Povo, Assembleia Legislativa, entre outras entidades, Portela ressaltou suas experiências na área e debateu temas correntes sobre a profissão.

flavio copiarFoto: Luigi Bitencourt

 Para esse encontro, além da turma de Assessoria de Imprensa I, participaram os alunos da disciplina de Jornalismo Especializado III, ministrada pela professora Sandra Bitencourt.

Segundo Portela, desde que saiu da grande imprensa, a comunicação mudou muito. As ferramentas se modificam de forma acelerada e exigem do profissional uma constante atualização. Por ter passado tanto por veículo quanto por assessoria, avalia que as duas funções têm objetivos diferentes. Entretanto, enfatiza que existem assessorias que ajudam o trabalho do jornalista, enquanto há outras que atrapalham.

Como atuante em órgão público, o coordenador destaca a necessidade de primar pela ampla divulgação de notícias. “Não se pode dar ao luxo de privilegiar um veículo ou um jornalista”. E o mesmo deveria ser aplicado às verbas publicitárias. Mas “Não é o que acontece”, ironiza.

O assessor de imprensa comentou sobre a Lei da Terceirização, que será votada pelo Senado. Para ele, a proposta é a desregulamentar a legislação. “Se os direitos trabalhistas deixarem de ser regulamentados, vai acontecer a precarização das condições de trabalho”, avalia.

O jornalista também falou sobre a importância da assessoria de imprensa no gerenciamento de crises. E para ilustrar, citou o caso de uma indústria do Polo Petroquímico de Triunfo que, atingida por uma explosão, vitimou funcionários. Segundo Portela, a imprensa conferiu uma ampla divulgação ao fato, o que alertou o MPT para uma fiscalização na empresa. E levantou a questão: “Imagina fazer uma assessoria de imprensa nessa situação”. E deixou a dica: “Quando surge uma crise, é preciso ser o mais transparente possível”.

Para Portela, um dos principais problemas das assessorias de imprensa é esconder informações, o que dificulta o trabalho dos jornalistas e o acesso do público. E concluiu: “Quanto mais se noticiar as irregularidades das empresas, mais pressão se faz para que elas ajustem seus protocolos”.

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